OpenAI: Raul Pal diz que compute mudaria de mãos
OpenAI voltou ao debate sobre bolha de inteligência artificial nesta terça-feira, 8 de setembro de 2026, após Raoul Pal, o macroinvestidor e CEO da Real Vision, afirmar no X que uma crise financeira em uma grande empresa de IA não faria a infraestrutura desaparecer.
Segundo Pal, parte do mercado confunde um evento financeiro com a trajetória da tecnologia. No exemplo citado por ele, caso a OpenAI quebrasse, empresas como Google ou Microsoft poderiam comprar rapidamente seus ativos de compute. Assim, GPUs, contratos de energia e data centers apenas mudariam de mãos.
A declaração representa uma opinião de Pal, não uma informação sobre a situação financeira da OpenAI. Ainda assim, o comentário ganhou força porque aparece em meio à corrida por capacidade computacional, energia e terrenos para data centers. Além disso, o tema toca diretamente empresas ligadas a Bitcoin, mineração e infraestrutura digital.
Compute entra no centro da tese sobre IA
A própria OpenAI trata o Stargate como seu esforço de longo prazo para construir a base computacional necessária à IA avançada. Em publicação oficial, a empresa afirmou que busca expandir capacidade para atender consumidores, empresas, desenvolvedores e governos. A companhia também apontou compute como insumo crítico para treinar modelos melhores, reduzir custos e operar produtos em escala.
Esse contexto ajuda a explicar a leitura de Pal. Caso uma companhia perca fôlego financeiro, os ativos físicos não somem. Data centers, GPUs, subestações, contratos de energia e equipes técnicas continuam com valor econômico. Portanto, o risco pode migrar do modelo de negócio de uma empresa para quem financia, opera ou compra essa infraestrutura.
Em abril de 2026, a OpenAI informou que o Stargate havia superado a meta inicial de 10 GW de infraestrutura de IA nos Estados Unidos. Segundo a empresa, mais de 3 GW entraram no plano em 90 dias. A companhia disse ainda que avalia novos locais e trabalha com parceiros em nuvem, chips, energia, construção e financiamento.
Antes disso, em setembro de 2025, OpenAI, Oracle e SoftBank anunciaram cinco novos locais de data centers nos Estados Unidos. Na ocasião, os projetos elevaram o Stargate para quase 7 GW de capacidade planejada e mais de US$ 400 bilhões em investimento previsto em três anos.
Microsoft absorveu expansão em Abilene
O exemplo mais próximo da tese de Pal apareceu em Abilene, no Texas. Em 2026, a Associated Press informou que a Microsoft assumiu uma expansão de data center depois que a OpenAI decidiu não seguir com aquela etapa específica do projeto. A desenvolvedora Crusoe passou a trabalhar com a Microsoft em dois novos prédios de IA e uma usina local, ao lado do campus ligado à OpenAI e à Oracle.
Esse caso não indica falência da OpenAI. Pelo contrário, mostra uma realocação de capacidade dentro de um ecossistema disputado. No entanto, ele reforça a ideia de que a infraestrutura pode continuar em construção mesmo quando um cliente altera seus planos.
Além disso, a OpenAI ampliou sua base de fornecedores. A Amazon e OpenAI informou que a empresa assinou um acordo de US$ 38 bilhões com a Amazon para usar capacidade da AWS nos Estados Unidos, incluindo centenas de milhares de chips Nvidia. A reportagem também destacou preocupações de investidores com a escala dos compromissos financeiros assumidos pelo setor de IA.
Por que isso importa para o mercado cripto
Para o mercado cripto, o debate sobre OpenAI vai além das ações de tecnologia. A demanda por compute concorre com a mineração de Bitcoin por energia barata, conexão à rede, terrenos e refrigeração. Por isso, mineradoras listadas passaram a vender ao mercado uma tese híbrida, com Bitcoin de um lado e hospedagem de IA do outro.
A Core Scientific informou à SEC que seus contratos de data center de alta densidade com a CoreWeave chegaram a cerca de 590 MW de capacidade contratada em cinco locais. No mesmo documento, a empresa citou riscos ligados à saúde financeira do principal cliente, à entrega das obras, à disponibilidade de energia e às condições do mercado de Bitcoin.
Enquanto isso, a S&P Global Market Intelligence avaliou que mineradoras de Bitcoin migram gradualmente parte da capacidade para IA e computação de alto desempenho. Segundo a análise, a receita com HPC e IA ainda partia de uma base menor, mas poderia ganhar relevância a partir de 2026.
Assim, a fala de Pal conecta dois debates. De um lado, investidores questionam se a IA virou uma bolha financeira. De outro, empresas de infraestrutura, inclusive mineradoras de Bitcoin, tentam capturar a demanda por compute.
O ponto factual é que a OpenAI segue anunciando expansão e parcerias. Já a hipótese de uma quebra permanece apenas um exercício proposto por Pal. Ainda assim, a discussão mostra por que energia, GPUs e data centers se tornaram ativos estratégicos para IA, big techs e companhias do mercado cripto.