Kalshi expande perpétuos após aval regulatório

Em apenas sete meses após o lançamento, a Kalshi superou US$ 400 milhões em volume mensal de negociações com commodities. Na comparação, o resultado equivale a quatro vezes o volume da vertical de cripto no mesmo estágio de desenvolvimento. À primeira vista, o dado indica apenas a expansão da plataforma de trading. No entanto, o avanço mostra como a empresa leva um formato criado no mercado cripto para outras classes de ativos.

Na prática, a Kalshi amplia um tipo de contrato que surgiu no mercado cripto: os futuros perpétuos. Esses contratos permitem posições alavancadas sem data de vencimento. Além disso, uma taxa de financiamento mantém o preço próximo ao mercado à vista. Até pouco tempo, operadores dos Estados Unidos acessavam esse formato apenas em plataformas offshore não reguladas, como a Hyperliquid.

Formato perpétuo chega a novos mercados

Os perpétuos movimentaram mais de US$ 90 trilhões globalmente durante 2025. Contudo, o cenário mudou em 29 de maio, quando a CFTC aprovou o BTCPERP da Kalshi. O produto tornou-se o primeiro perpétuo de Bitcoin disponível em uma exchange regulada nos Estados Unidos. Nesse contexto, um mecanismo antes restrito às margens do sistema financeiro ganhou validação regulatória.

Na primeira semana, o contrato superou US$ 1 bilhão em volume nocional. Depois, o montante acumulado alcançou US$ 16,1 bilhões no início de julho. Assim, os números chamam atenção tanto pela escala quanto pela rapidez da adoção. Por isso, a aprovação também abriu caminho para a expansão do formato a outras categorias.

Liquidez permite ampliar a oferta

Nesse cenário, os US$ 400 milhões em commodities ganham outro significado. Para o cofundador Tarek Mansour, a liquidez permitiu que a plataforma abrisse novas categorias com maior velocidade. Dessa forma, participantes conseguem entrar e sair de posições com menos fricção. Ao mesmo tempo, a Kalshi obtém condições para ampliar sua oferta de contratos perpétuos.

A plataforma já adicionou perpétuos sobre metais preciosos e sobre o índice vinculado ao MerQube U.S. Large Cap Index. Agora, a empresa também apresentou solicitações para contratos ligados a cobre, moedas e taxas de juros. Ela ainda busca aprovação para um perpétuo de petróleo WTI. Se receber o aval, o produto será o primeiro perpétuo de petróleo em um mercado regulado dos Estados Unidos.

Ainda assim, a expansão não depende de uma autorização geral. A CFTC analisa individualmente cada produto de acordo com a Regulação 40.3. Portanto, a empresa precisa avançar por meio de uma sequência de aprovações. Esse processo define o ritmo de entrada dos novos contratos no mercado regulado.

Avanço pressiona bolsas tradicionais

O movimento também afeta as bolsas tradicionais dos Estados Unidos. Logo depois da autorização doméstica para perpétuos, as ações da CME Group e da Cboe recuaram no início de junho. Afinal, investidores avaliaram quanto volume poderia migrar dos futuros mensais tradicionais. Com isso, o mercado passou a considerar o impacto da ausência de vencimentos e rolagens periódicas.

A CME Group chegou a processar a CFTC por causa da aprovação. Enquanto isso, a reação indicou que empresas estabelecidas enxergam uma mudança nas regras do segmento. Por outro lado, a Polymarket lançou seus próprios perpétuos offshore. A oferta inclui dezenas de mercados relacionados a ações, índices, metais e petróleo.

Mercado cripto funciona como laboratório

Como resultado, o mesmo modelo avança dentro e fora do perímetro regulatório dos Estados Unidos. De fato, a Kalshi amplia sua atuação para além dos mercados de previsões eleitorais e entra em ativos financeiros. Entretanto, o ponto central está no formato dos contratos, não apenas na diversificação do catálogo. Um mecanismo nativo do mercado cripto passa a servir de modelo para derivativos regulados.

Em vez de entrar ou sair da cripto, a Kalshi exporta a lógica dos perpétuos para metais, índices e petróleo. Sobretudo, os US$ 400 milhões não medem somente o desempenho de uma vertical de negócios. Nesse sentido, o dado mostra a velocidade com que esse modelo de contrato alcança novos mercados. Ao mesmo tempo, a infraestrutura tradicional enfrenta concorrência de ofertas reguladas e offshore.