Ethereum: MetaMask e Consensys serão independentes

A Consensys anunciou, em 9 de setembro, que separará a MetaMask de seu negócio de infraestrutura para Ethereum. Com isso, a carteira e a empresa de protocolos terão prioridades próprias de gestão e investimento. Para detentores de ETH, a questão central envolve quanto da atividade chegará às redes que utilizam o ativo.

A divisão evidencia essa diferença dentro da própria MetaMask. Enquanto isso, a Money Account opera na blockchain Monad, mas a nova Consensys reunirá ferramentas para redes públicas e institucionais privadas. Portanto, o efeito econômico dependerá das redes usadas e dos participantes que receberão as taxas.

De acordo com a estrutura anunciada, a atual Consensys Software Inc. seguirá como MetaMask. A nova Consensys concentrará protocolos e infraestrutura institucional, incluindo a blockchain Linea e os softwares Besu e Teku. Joe Lubin será CEO e presidente do conselho da MetaMask, além de presidente executivo da Consensys. Já Mike Kriak comandará a nova empresa.

A MetaMask informou que as empresas operarão de forma independente e esperam concluir a separação até o fim de 2026. Além disso, os usuários não precisam tomar nenhuma medida. Portanto, o aplicativo, os ativos, as chaves e o acesso dos clientes não devem mudar.

 

Receitas da MetaMask não dependem apenas do Ethereum

Uma carteira funciona como interface para o usuário decidir quais ativos manter, negociar ou gastar. Por isso, sua operadora pode desenvolver receitas sem depender diretamente das taxas cobradas pela blockchain. A MetaMask demonstra essa separação em seu guia de swaps.

O documento informa uma taxa de 0,875% da MetaMask, separada da taxa de rede e da cotação aplicada à negociação. Assim, esses valores remuneram participantes diferentes de uma mesma operação. Contudo, um volume maior de swaps pode beneficiar a carteira sem gerar impacto equivalente sobre o ETH.

Money Account utiliza a blockchain Monad

A MetaMask lançou a Money Account em 30 de junho e apresentou o produto como uma rota adicional. O serviço converte depósitos na stablecoin mUSD e utiliza a Monad como rede principal, conforme o anúncio da conta. Nesse contexto, os depósitos entram em um cofre de DeFi com infraestrutura da Veda e curadoria da Steakhouse.

Dessa forma, o cofre distribui recursos entre mercados de empréstimos e oferece funções financeiras associadas a um saldo em dólar. Porém, a proposta não exige necessariamente a posse de ETH. Logo, considerar cada depósito como demanda por espaço em bloco no Ethereum confundiria duas redes diferentes.

Além disso, o rendimento do produto não equivale a um saldo comum de carteira. Embora os retornos possam variar, a conta não funciona como conta bancária nem conta com seguro de depósito. Ainda assim, contratos inteligentes, liquidez e protocolos podem gerar perdas, mesmo quando o usuário mantém suas chaves de assinatura.

Redes privadas não criam demanda automática por ETH

O lado institucional apresenta uma distinção semelhante no nível da rede. Conforme a divisão, o Besu integrará o portfólio de infraestrutura da nova Consensys. Em geral, sua documentação de redes privadas define essas estruturas permissionadas como separadas da Ethereum Mainnet e das redes de teste.

Nesse modelo, as redes possuem identificador próprio e podem adotar consenso de prova de autoridade. Assim, validadores previamente aprovados operam a infraestrutura. Portanto, uma instituição pode usar software compatível com Ethereum sem registrar cada operação na Mainnet.

A relação com o software permanece, mas a cobrança de gás na Mainnet exige atividade dentro da rede pública. Isso difere do patrocínio de taxas, no qual outra parte fornece o ETH necessário ao usuário. Em contrapartida, uma rede separada altera desde o início o sistema responsável por processar a transação.

AtividadeRota econômicaO que estabelece para o ETH
Swap na MetaMaskTaxa da carteira mais uma taxa de rede separadaA taxa da carteira, sozinha, não mede a demanda por Ethereum
Depósito na Money AccountCofre de mUSD na MonadO depósito não representa automaticamente atividade na Ethereum Mainnet
Transação privada no BesuRede permissionada separadaO uso de software Ethereum não implica pagamento de gás na Mainnet
Transação na Ethereum MainnetGás em ETH, dividido entre taxa base e taxa de prioridadeUso direto de ETH para execução na rede

 

A infraestrutura privada pode ter relevância comercial, embora mantenha uma relação diferente com o ETH. Ainda assim, a MetaMask continuará focada primeiro no Ethereum, mesmo com suporte a vários ecossistemas. Ao mesmo tempo, a nova Consensys preservará iniciativas em redes públicas ao lado do negócio institucional.

Redes públicas mantêm ligação direta com o ETH

No Ethereum público, os usuários pagam gás em ETH, como explica a documentação da rede. Como resultado, o protocolo queima a taxa base, enquanto a taxa de prioridade remunera o validador. Desse modo, a atividade mantém uma relação direta com o ETH, mesmo quando a carteira simplifica o processo.

A Linea, que ficará com o negócio de infraestrutura, oferece outra rota declarada. Segundo a tokenomics da Linea, publicada em julho de 2025, a rede utiliza ETH para o pagamento de gás. Contudo, o modelo destina 20% das taxas restantes, após os custos da camada 1, à queima de ETH.

O restante das taxas financia a queima de LINEA, conforme o desenho divulgado. Por outro lado, esse modelo não mede a quantidade atual de ETH retirada de circulação pela rede. Em síntese, ele mostra que o negócio de protocolos não está totalmente desconectado do Ethereum.

Para investidores, a evidência mais útil será a distribuição da atividade entre as redes. Nesse sentido, também importam as taxas geradas e a parcela que utiliza ETH ou chega ao Ethereum. Para usuários, a prioridade consiste em identificar o serviço utilizado, seus custos e os riscos associados ao saldo exibido.