Ethereum dispara 8% e Bitcoin recupera US$ 79 mil

O mercado de criptomoedas virou para o positivo nesta sexta-feira (11), depois de uma reação inicialmente negativa aos dados de inflação dos Estados Unidos. O Bitcoin chegou a cair para a região de US$ 76 mil após a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI), mas recuperou rapidamente as perdas e voltou a se aproximar dos US$ 79 mil. O Ethereum liderou o movimento entre as maiores criptomoedas, com valorização superior a 8% em 24 horas.

A reação chamou atenção porque os dados de inflação mantiveram sobre a mesa a possibilidade de uma alta de juros pelo Federal Reserve na próxima semana. Ainda assim, o CPI veio próximo das expectativas. Com isso, os investidores interpretaram o resultado como menos negativo do que o cenário precificado nos dias anteriores. Bolsas e ativos de risco recuperaram força, enquanto os juros dos títulos do Tesouro americano recuaram levemente.

Inflação mantém pressão sobre decisão do Fed

O CPI dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, exatamente em linha com as expectativas do mercado. Na comparação anual, o índice avançou 3,4%. Já o núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, registrou alta mensal de 0,3%. O resultado ficou acima da projeção de 0,2%, mas o indicador desacelerou para 2,4% em 12 meses, atingindo o menor ritmo anual desde 2021.

Na prática, o resultado foi considerado forte o suficiente para manter uma eventual alta de juros na mesa. No entanto, o dado não trouxe uma surpresa negativa capaz de provocar uma nova onda de vendas nos mercados. Segundo a Reuters, as apostas em uma elevação dos juros pelo Fed na reunião da próxima semana chegaram a cerca de 82% após a divulgação do CPI.

O comportamento dos investidores ajuda a explicar a rápida reversão dos preços. Durante a semana, dados de emprego mais fortes, inflação persistente e declarações mais duras de dirigentes do banco central americano aumentaram as expectativas de aperto monetário. Assim, parte do mercado já havia ajustado suas posições antes da divulgação do índice.

Nesse contexto, ganhou força a lógica conhecida entre operadores como “vender o boato e comprar o fato”. Os investidores reduziram posições diante do temor de um dado ruim. Depois, voltaram às compras quando o resultado confirmou as expectativas e não mostrou uma deterioração muito maior do que a esperada.

Petróleo continua como fator de preocupação

Apesar da reação positiva, a inflação americana ainda apresenta pontos de atenção. O petróleo segue entre os principais fatores de pressão, especialmente diante da alta dos combustíveis registrada no período. A escalada das tensões no Oriente Médio também aumenta a preocupação. O Brent permanece acima de US$ 100 por barril, mantendo o risco de novos impactos sobre os preços ao consumidor.

Esse cenário reduz o espaço para uma postura mais branda do Federal Reserve. Um choque de energia pode dificultar a desaceleração da inflação. Por outro lado, alguns analistas fazem uma distinção entre uma inflação provocada por energia mais cara e aquela associada a uma economia superaquecida.

O economista Daniel Lacalle afirmou que não se deve confundir uma alta nos preços da energia com excesso de demanda. Na avaliação apresentada no texto, elevar os juros enquanto o mercado de trabalho se recupera poderia representar um erro de política monetária.

Ainda assim, a próxima reunião do Fed permanece como o principal foco dos mercados. A decisão está marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Embora uma alta de juros esteja amplamente incorporada às expectativas, o tom adotado pelo banco central poderá influenciar a direção dos ativos de risco.

Bitcoin recupera perdas após queda inicial

O Bitcoin reagiu de forma rápida aos dados de inflação. Antes da divulgação do CPI, a criptomoeda era negociada acima de US$ 77 mil. Após a publicação dos números, caiu para uma mínima semanal próxima de US$ 76 mil.

O movimento, entretanto, durou pouco. O BTC recuperou inicialmente o nível anterior e, na sequência, avançou para US$ 78 mil. Minutos depois, chegou perto de US$ 79 mil. Às 11h30, no horário de Brasília, o Bitcoin era negociado a US$ 79.109, com alta de 2,8% nas últimas 24 horas.

A recuperação ocorreu em paralelo à melhora dos mercados tradicionais. O S&P 500 e o Nasdaq avançaram após a divulgação do CPI. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos americanos recuaram levemente. Esse movimento reduziu parte da pressão que vinha afetando os ativos de risco durante os últimos dias.

O Bitcoin vinha sofrendo com a combinação entre juros elevados dos Treasuries e expectativas de uma política monetária mais restritiva. Como o BTC não oferece rendimento, títulos públicos com retornos mais altos podem se tornar relativamente mais atraentes para investidores. Juros elevados também encarecem posições alavancadas.

Mesmo com a recuperação, o Bitcoin ainda permanece abaixo da máxima recente acima de US$ 82 mil. Para que o movimento ganhe força, o comportamento dos ETFs de Bitcoin continua entre os fatores que o mercado deverá acompanhar. A trajetória dos juros americanos também terá papel importante nesse cenário.

Ethereum lidera recuperação e liquida posições vendidas

Se o Bitcoin conseguiu recuperar terreno, o Ethereum foi ainda mais longe. O ETH registrou alta de aproximadamente 8% em 24 horas. O ativo também chegou a superar US$ 2.660, atingindo seu maior nível desde o fim de janeiro antes de sofrer uma leve correção.

Às 11h30, o Ethereum era negociado próximo de US$ 2.612, com valorização de 8,3% no período. O desempenho reforça uma rotação recente para ativos além do Bitcoin. O movimento ocorre enquanto os ETFs de Ethereum vinham registrando entradas, mesmo em sessões nas quais os fundos de Bitcoin apresentavam saídas.

ETHUSD em 11 de setembro. Fonte: TradingView

A força da alta também provocou uma onda de liquidações no mercado de derivativos. Segundo dados da CoinGlass citados no segundo texto, mais de US$ 250 milhões em posições vendidas foram liquidadas em apenas uma hora. Mais da metade desse montante estava concentrada em posições de Ethereum.

Em média diária, o valor total das posições liquidadas chegou a aproximadamente US$ 660 milhões. O movimento envolveu quase 100 mil investidores. As liquidações podem intensificar movimentos rápidos porque posições vendidas são encerradas automaticamente quando determinados níveis de preço são atingidos. Com isso, o encerramento dessas operações pode aumentar a pressão compradora.

A forte reação do Ethereum e a recuperação do Bitcoin mostram como o mercado pode mudar de direção em poucas horas. Por enquanto, os investidores parecem ter interpretado a inflação americana como um dado administrável. A possibilidade de juros mais altos, porém, continua no radar.

A próxima decisão do Federal Reserve deverá mostrar se o movimento desta sexta-feira representa apenas um alívio momentâneo ou o início de uma recuperação mais consistente.