Ibovespa sobe 1,1% na semana e encerra sexta-feira em queda
Ibovespa sobe 1,1% na semana, mas encerra sexta-feira em queda
O Ibovespa encerrou a semana com alta acumulada de 1,1%, aos 187.207 pontos, apesar da queda de 0,56% registrada no último pregão. O resultado manteve o índice em trajetória positiva pela quarta semana consecutiva. No entanto, fatores políticos e externos aumentaram a cautela dos investidores na sexta-feira. A semana também foi marcada pela retomada do fluxo estrangeiro, pela valorização do petróleo e pelas expectativas em torno dos juros no Brasil e nos Estados Unidos. Além disso, o mercado acompanhou novos desdobramentos do cenário político brasileiro.
Abaixo está o gráfico com a trajetória diária do índice ao longo do período:

Petróleo e fluxo estrangeiro impulsionam a bolsa
Após o feriado de 7 de setembro, o Ibovespa retomou os negócios com forte alta. Na terça-feira, o índice avançou 1,20%, apoiado principalmente pela entrada de recursos estrangeiros e pela valorização do petróleo. Segundo os dados reunidos nos textos de referência, investidores estrangeiros direcionaram cerca de R$ 6 bilhões para a bolsa brasileira no acumulado de setembro. O movimento representou uma mudança em relação à saída de recursos observada em agosto.
Ao mesmo tempo, o petróleo Brent ganhou força diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A commodity acumulou valorização de aproximadamente 8% na semana e permaneceu acima de US$ 100 por barril. Esse cenário favoreceu as ações da Petrobras, que acompanharam a alta do petróleo. Dessa forma, o desempenho das empresas ligadas às commodities ajudou a sustentar o principal índice da bolsa brasileira.
Na quarta-feira, porém, o movimento perdeu força. O Ibovespa recuou 0,93%, em um dia marcado pela realização de lucros e pelo aumento do ruído político em Brasília. A retirada do sigilo de documentos relacionados a investigações envolvendo o Banco Master e figuras públicas aumentou a percepção de risco entre os investidores. Assim, parte dos ganhos acumulados anteriormente foi devolvida. Ainda assim, a pressão não durou toda a semana. Na quinta-feira, o Ibovespa voltou a subir e avançou 1,42%, recuperando o patamar dos 188 mil pontos.
Bancos ganham força enquanto juros entram no radar
A alta de quinta-feira ocorreu mesmo com o desempenho negativo das bolsas norte-americanas. O movimento doméstico teve forte participação das ações de bancos e foi acompanhado por uma queda relevante dos juros futuros de longo prazo. A curva de juros é particularmente importante para os ativos brasileiros. Quando as taxas futuras recuam, o custo de capital tende a diminuir e determinados setores da bolsa podem ganhar atratividade.
Nesse contexto, as expectativas relacionadas ao cenário eleitoral brasileiro também passaram a influenciar os preços dos ativos. O chamado “rali eleitoral” ganhou espaço nas discussões do mercado durante a semana. As pesquisas eleitorais e as possíveis mudanças na percepção sobre o cenário político contribuíram para a movimentação de ações ligadas à economia doméstica. Portanto, bancos e outras empresas mais sensíveis ao ambiente interno ficaram entre os destaques.
Na sexta-feira, entretanto, o movimento mudou novamente. O Ibovespa caiu 0,56%, enquanto apenas 15 dos 76 ativos que compõem o índice registraram valorização. Além do ambiente político, a queda das commodities contribuiu para a pressão sobre a bolsa. O petróleo Brent recuou 2,8% no pregão, para US$ 104,80, embora ainda acumulasse alta de aproximadamente 8% na semana.
As ações da Petrobras acompanharam a realização. Mesmo com a baixa de sexta-feira, os papéis da companhia terminaram a semana com ganhos superiores a 8%. A Vale também ficou sob pressão, diante do recuo do minério de ferro no mercado chinês. Como a China representa um importante mercado consumidor da commodity brasileira, mudanças nos preços internacionais afetam diretamente as ações da companhia.
Inflação brasileira alivia, mas exterior limita ganhos
No cenário doméstico, o principal dado econômico da sexta-feira veio do IPCA. O indicador oficial de inflação registrou deflação de 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho. O resultado ficou abaixo da mediana de 32 estimativas reunidas pelo Valor Data, que apontava queda de 0,28%. Ainda assim, o número permaneceu dentro do intervalo das projeções, entre -0,38% e -0,22%.
A leitura reforçou a percepção de que a inflação brasileira pode continuar permitindo uma redução dos juros. Consequentemente, o dado alimentou as expectativas para os próximos passos do Banco Central. O alívio doméstico, porém, encontrou um contraponto no exterior. Nos Estados Unidos, o índice cheio do CPI veio em linha com as projeções, mas o núcleo da inflação ficou ligeiramente acima do esperado.
Esse resultado manteve os juros norte-americanos no centro das atenções às vésperas da próxima reunião do Federal Reserve. Por isso, os investidores brasileiros continuaram atentos ao comportamento das taxas nos Estados Unidos. Na sexta-feira, o dólar subiu 0,4% diante do real e encerrou o pregão a R$ 5,12. Na semana, porém, a moeda ficou praticamente estável.
As bolsas de Nova York tiveram desempenho positivo no último pregão. O Dow Jones e o Nasdaq avançaram 1%, enquanto o S&P 500 ganhou 0,9%. Mesmo assim, os três índices acumularam perdas na semana. O contraste ajuda a explicar o comportamento do Ibovespa. Enquanto os mercados externos encontraram espaço para recuperação na sexta-feira, os ativos brasileiros sofreram com fatores domésticos e com a realização nas commodities.
Assim, o principal índice da bolsa brasileira terminou a semana no campo positivo, mas sem repetir o ritmo das sessões anteriores.
Para o mercado, o resultado deixa três temas no radar: o comportamento dos juros nos Estados Unidos, as próximas decisões sobre a política monetária brasileira e os efeitos do cenário eleitoral sobre os ativos domésticos.
A combinação desses fatores deve continuar definindo o ritmo do Ibovespa nas próximas sessões.