Robinhood eleva volume de criptomoedas em 61% em agosto
A Robinhood registrou US$ 17,5 bilhões em volume nocional de negociação de criptomoedas em agosto. O resultado marcou alta mensal de 61%, depois que o volume atingiu US$ 10,9 bilhões em julho. Com isso, a Bitstamp liderou a recuperação, enquanto os mercados de previsões mantiveram um ritmo anual ainda mais forte.
Negociações de criptomoedas se recuperam após julho
A empresa divulgou os dados operacionais de agosto, que apontam uma retomada após o mês anterior mais fraco. Nesse documento, a companhia define volume nocional como o valor total, em dólares, dos ativos digitais comprados e vendidos em suas plataformas. Ainda assim, o número permaneceu abaixo do patamar observado um ano antes.
Na comparação com agosto de 2025, quando o volume somou US$ 28,1 bilhões, a atividade caiu 38%. Portanto, a recuperação mensal não devolveu a negociação de criptomoedas ao nível do ano anterior. Em média, a corretora e a Bitstamp movimentaram juntas cerca de US$ 565 milhões por dia em agosto.
A Bitstamp processou US$ 10,1 bilhões do total mensal, com avanço de 53% em relação a julho. Após concluir a aquisição da plataforma em 2025, a Robinhood passou a consolidar sua participação na operação. Já o aplicativo principal gerou US$ 7,4 bilhões, alta mensal de 72% e queda anual de 46%.
Bitstamp amplia operação de ativos digitais
A divisão dos volumes mostra como a Bitstamp expandiu a operação de criptomoedas para além do aplicativo de corretagem voltado ao varejo. Desde junho de 2025, a empresa inclui os criptoativos mantidos na exchange em seus ativos totais de plataforma. Em agosto, esses ativos alcançaram US$ 384 bilhões, alta anual de 26%.
A plataforma também reúne ações, opções, futuros, empréstimos com margem, produtos de caixa e contratos de eventos. Além disso, o número de clientes com contas financiadas chegou a 28,6 milhões. Ao mesmo tempo, os saldos de margem subiram para US$ 21,5 bilhões, enquanto o montante emprestado cresceu 72% em um ano.
Mercados de previsões superam criptomoedas em receita
Os contratos de eventos registraram 4,7 bilhões de negociações em agosto. Embora o volume tenha recuado 23% em relação a julho, o ritmo anual continuou forte. Na comparação com os 300 milhões de contratos de agosto de 2025, a atividade ficou cerca de 15 vezes maior.
Em geral, cada contrato de evento liquida em US$ 1 ou zero, conforme o resultado escolhido. Se o evento ocorrer, quem comprou um contrato de sim recebe US$ 1. Caso contrário, a posição expira sem pagamento.
A Robinhood oferece esses contratos por meio de exchanges como Kalshi e ForecastEx. Além dessas plataformas, a companhia opera a Rothera, uma joint venture lançada em junho. Antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre, a Rothera já havia processado mais de 3,5 bilhões de contratos. No trimestre, a receita desses produtos atingiu US$ 156 milhões, contra US$ 100 milhões obtidos com transações de criptomoedas.
Debate regulatório avança nos Estados Unidos
O crescimento dos mercados de previsões intensificou o escrutínio em Washington e em vários estados americanos. Nesse cenário, autoridades discutem se determinados contratos devem receber tratamento de derivativos federais ou de produtos de apostas. Desde janeiro, membros do Congresso apresentaram mais de dez projetos de lei relacionados ao setor.
Uma das propostas, a PREDICT Act, impediria autoridades federais de negociar contratos ligados a eventos políticos. Por isso, a restrição alcançaria congressistas, o presidente e outros funcionários de alto escalão. Também existe preocupação com o uso de informações que não estão disponíveis aos demais participantes.
Para os usuários americanos, a Robinhood apresenta os produtos como contratos negociados em exchanges reguladas, e não como apostas esportivas tradicionais. No entanto, autoridades estaduais e operadores divergem sobre quem deve regular determinados contratos esportivos. Como essa atividade superou as criptomoedas em receita transacional, eventuais limites podem afetar uma área relevante para a empresa.
Robinhood Chain cresce e enfrenta interrupção
A Robinhood também ampliou sua atuação em negociações baseadas em blockchain por meio da Robinhood Chain. A rede de segunda camada do Ethereum processa transações fora da camada principal. Para concluir o processo, a estrutura registra os dados posteriormente na rede principal.
Em 1º de setembro, exchanges descentralizadas na rede registraram cerca de US$ 1,6 bilhão em volume diário. Esse volume cresceu 61% em quatro dias, após o lançamento da rede principal pública em 1º de julho. Contudo, a Robinhood Chain sofreu uma interrupção de 14 minutos em 4 de setembro, paralisando a produção de blocos.
Durante a falha, transferências e chamadas de contratos inteligentes aguardaram confirmação. Depois, a rede retomou a produção de blocos sem registros de perda nos saldos dos clientes. Além disso, a interrupção não afetou ações, ETFs ou outros investimentos mantidos em contas tradicionais.
Ações tokenizadas recebem atenção regulatória
A Robinhood estreou a rede com ações tokenizadas e acesso pela Robinhood Wallet em mais de 120 países. Nesse modelo, a companhia não oferece os produtos aos clientes dos Estados Unidos. Os documentos da empresa descrevem esses instrumentos como títulos de dívida tokenizados emitidos em Jersey.
Cada unidade acompanha uma ação ou ETF, mas não concede propriedade nem direitos de voto sobre a empresa referenciada. Após uma disputa com a AMC, a estrutura recebeu atenção adicional. Isso ocorreu porque os instrumentos não tiveram registro sob a Lei de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.
Depois da atualização operacional, as ações da Robinhood fecharam em queda de 0,83%. Embora os papéis tenham recuado, analistas da Mizuho e da StoneX elevaram seus preços-alvo para HOOD naquela semana. O próximo balanço trimestral da empresa está previsto para 4 de novembro.