DICE ETF dá acesso a Kalshi e Polymarket antes de IPOs
Em 9 de setembro, a Tema ETFs lançou o Tema Trading and Prediction Markets ETF. Negociado sob o código DICE, o fundo oferece exposição indireta à Kalshi e à Polymarket. Com isso, investidores de varejo podem obter exposição às empresas privadas antes de eventuais ofertas públicas iniciais, conhecidas pela sigla IPO. Contudo, nenhuma das duas companhias anunciou planos para abrir capital.
Como Kalshi e Polymarket não têm ações negociadas em bolsa, o DICE ETF utiliza veículos de propósito específico, conhecidos como SPVs. Para isso, esses veículos reúnem recursos e compram participações em empresas antes de possíveis aberturas de capital. Dessa forma, o fundo obtém exposição às plataformas sem adquirir ações em uma bolsa pública. Assim, o DICE também não compra contratos reais dos mercados de previsões.
Juntas, as duas empresas formam as maiores posições da carteira e representam cerca de 15% dos ativos. Já o restante inclui companhias listadas, como Robinhood, Interactive Brokers, Intercontinental Exchange e Coinbase. Portanto, a carteira combina participações privadas e ações negociadas no mercado público. Por sua vez, o fundo cobra uma taxa bruta de despesas de 0,75%.
Fundo amplia exposição aos mercados de previsões
A Tema está lançando um ETF de mercados de previsões. Trata-se de um ETF temático, não de contratos de eventos. A SEC ainda avalia esses contratos, mas o fundo mantém 15% em empresas privadas, Kalshi e Polymarket. Isso faz sentido porque ele usa a parcela de 15% destinada a ativos ilíquidos. Afinal, ETFs temáticos ou setoriais podem incluir alguma exposição a empresas privadas.
Eric Balchunas, no X.
Durante o verão, cada plataforma superou US$ 10 bilhões em volume mensal nos mercados de previsões. Parte desse avanço ocorreu com eventos esportivos globais, como a Copa do Mundo. Por isso, gestoras passaram a avaliar produtos de investimento ligados ao segmento. Nesse contexto, Steve Munroe, presidente da Tema, afirmou que o volume pode crescer quase 20 vezes e alcançar US$ 1 trilhão até 2030.
Avaliações elevadas e desconto nas participações
Rodadas recentes avaliaram Kalshi e Polymarket em mais de US$ 20 bilhões cada. Além disso, relatos indicam que a Kalshi pode buscar novos recursos com uma avaliação de US$ 40 bilhões. A Tema informa que precifica suas participações nas duas empresas com desconto entre 10% e 13% sobre as avaliações mais recentes. Caso uma delas abra capital acima do valor atual, os cotistas poderão se beneficiar da exposição pré-IPO.
Disputas estaduais aumentam a incerteza regulatória
Apesar do potencial, Kalshi e Polymarket enfrentam disputas jurídicas em vários estados dos Estados Unidos. A questão central envolve a classificação dos contratos ligados a eventos esportivos. De um lado, autoridades estaduais defendem que esses produtos se enquadram como apostas esportivas. Do outro, as plataformas argumentam que a Commodity Futures Trading Commission deve regulá-las em nível federal.
Segundo as empresas, os contratos funcionam como instrumentos financeiros, e não como apostas. Porém, uma eventual decisão contrária da Suprema Corte dos Estados Unidos poderia enquadrar as plataformas como casas de apostas esportivas. Nesse cenário, elas ficariam sujeitas às regras estaduais e poderiam enfrentar limites de atuação. Consequentemente, o resultado das disputas pode afetar a expansão do setor.
Em estados importantes, como Califórnia, Geórgia e Texas, as apostas esportivas ainda não são legais. Portanto, uma mudança na classificação dos contratos teria efeitos relevantes sobre a disponibilidade dos serviços. Nenhuma das empresas anunciou planos para realizar um IPO. Enquanto a Kalshi recusou comentar uma possível abertura de capital, a Polymarket não respondeu aos pedidos de comentário.
Outros ETFs também mantêm participações privadas
Outros ETFs também possuem participações pré-IPO na Kalshi ou na Polymarket. O ERShares Private-Public Crossover ETF mantém uma posição na Kalshi avaliada em US$ 30 milhões. Já o KraneShares Public-Private AI and Technology ETF detém uma pequena participação na Polymarket. Por enquanto, o DICE ETF figura entre as formas mais diretas de obter exposição pública ao setor, embora permaneçam riscos regulatórios.