Entropy32 Plus gera seed de Bitcoin por radioatividade

O Entropy32 Plus é um dispositivo de código aberto que gera frases-semente de Bitcoin a partir da imprevisibilidade do decaimento radioativo. O projeto extrai aleatoriedade de uma fonte física para reforçar a segurança do processo. Assim, o aparelho evita depender apenas de geradores determinísticos de números aleatórios executados por software. Com isso, a proposta busca oferecer uma alternativa auditável para a criação de chaves.

O equipamento funciona sem conexão sem fio ou acesso à internet. Portanto, o usuário pode gerar a frase-semente e proteger a carteira de Bitcoin em um ambiente totalmente offline. Essa característica reduz as superfícies de ataque associadas à conectividade e ao uso de serviços externos.

Eventos físicos fornecem aleatoriedade ao dispositivo

O Entropy32 Plus utiliza um contador Geiger para detectar eventos de decaimento de uma fonte radioativa ou da radiação ambiental de fundo. Cada evento produz um pulso elétrico distinto. Em seguida, o aparelho transmite o sinal por uma entrada de áudio de 3,5 milímetros para coleta. Desse modo, os eventos físicos servem como matéria-prima para a geração de entropia.

Os pulsos fornecem a aleatoriedade necessária para gerar chaves com segurança. Nesse processo, um comparador LM393 converte o sinal analógico em uma leitura digital. O circuito também define um limiar de polarização próximo de 0,5 V. Dessa forma, o sistema busca manter uma saída consistente durante a captura dos eventos.

O microcontrolador mede os intervalos entre pulsos sucessivos e utiliza essas informações como dados aleatórios brutos. Depois, um mecanismo de condicionamento SHA-256 processa os dados coletados. Esse tratamento reduz possíveis vieses estatísticos antes da formação da frase-semente. Por fim, o resultado é associado a uma lista de 2.048 palavras compatível com o padrão BIP39.

De acordo com a documentação, o Entropy32 Plus apresenta uma estrutura simples e auditável. Além disso, qualquer pessoa pode montar o aparelho com componentes disponíveis comercialmente. O projeto também dispensa programas externos além do firmware incluído.

Apesar da proposta, o desenvolvedor informou que a qualidade da entropia ainda não passou por validação conforme o padrão NIST SP 800-90B. Essa diretriz descreve métodos para avaliar fontes de números aleatórios. Portanto, o projeto ainda não possui essa verificação específica.

Memória limitada influencia hardware e firmware

O núcleo do Entropy32 Plus é uma placa de circuito personalizada com um microcontrolador ATmega328P. O firmware dispõe de 30.720 bytes da memória flash e ocupa 30.006 bytes. Na prática, restam apenas 714 bytes para possíveis atualizações. Por esse motivo, os limites de armazenamento influenciaram diretamente as escolhas de desenvolvimento.

A lista inglesa de palavras BIP39 utiliza sozinha 13.117 bytes. Isso representa cerca de 43% da capacidade disponível. Enquanto isso, a implementação de SHA-256 e os componentes da interface também consomem uma parcela relevante da memória.

ComponenteUso de memória (bytes)
Lista de palavras BIP3913.117
Rotina SHA-2562.278
Máquina de estados e interface3.000+
Firmware total30.006
Capacidade da flash30.720

 

Devido a esses limites, o firmware não inclui bibliotecas de tela comuns, como Adafruit_GFX e Adafruit_SSD1306. Em vez disso, o sistema utiliza o modo textual U8x8, que exige menos memória para operar a tela OLED. O aparelho ainda oferece um menu controlado por botões. Assim, o usuário consegue executar o processo sem depender de outro equipamento conectado.

Projeto permanece experimental e sem auditoria externa

O repositório público reúne o código completo em Arduino e a implementação de SHA-256. Também inclui esquemas de circuito no KiCad, arquivos de fabricação e projetos de gabinete para impressão 3D. Contudo, o desenvolvedor classifica o Entropy32 Plus como uma construção experimental. O projeto não passou por auditorias independentes nem por validação externa.

Por isso, os usuários recebem a orientação de verificar a fonte de entropia de maneira independente. A operação offline reduz riscos relacionados à conectividade, mas não substitui a avaliação técnica do mecanismo. Ainda assim, a documentação aberta permite examinar o hardware, o firmware e o método empregado na geração das frases-semente.