Caroline Ellison entra na Manifund após deixar custódia
Após deixar a custódia pelo caso FTX, Caroline Ellison passou a trabalhar em tempo integral na Manifund. Austin Chen, cofundador e CEO da organização, anunciou a contratação em uma publicação da Manifund em 11 de setembro. A ex-CEO da Alameda Research cumpriu 14 meses de custódia por sua participação no colapso da corretora. Assim, a nova função marca sua retomada profissional após o período de reclusão.
Na época, Ellison comandava a Alameda Research, empresa de trading ligada à FTX. Em dezembro de 2022, ela admitiu acusações de conspiração, fraude eletrônica, fraude de valores mobiliários e lavagem de dinheiro. Posteriormente, Ellison testemunhou para o governo contra Sam Bankman-Fried durante o julgamento do ex-chefe da FTX, em 2023. Por isso, sua colaboração teve papel relevante no processo.
Ex-executiva trabalhou sob pseudônimo na Manifund
Segundo Chen, Caroline Ellison iniciou um período de experiência na Manifund em 13 de julho. Em seguida, ela assumiu uma posição permanente em 10 de agosto. Durante cerca de dois meses, Ellison publicou trabalhos e prestou suporte aos usuários sob o nome Carol. Embora a organização defenda a transparência, Chen decidiu manter a identidade dela em sigilo nesse período.
O cofundador afirmou que conheceu Ellison após ler textos publicados por ela na internet. Depois, ele a convidou para a conferência Manifest 2026. Durante o evento, Ellison perguntou sobre a possibilidade de integrar a equipe da organização. Além disso, Chen mencionou sua conexão pessoal com a história da FTX.
FTX teve ligação com a trajetória da organização
De acordo com Chen, a FTX ajudou a financiar a Manifold, plataforma que posteriormente deu origem à Manifund. A corretora também financiou um retiro que o aproximou da comunidade de altruísmo eficaz. Mais tarde, essa experiência influenciou a trajetória profissional do executivo. Portanto, a contratação envolve uma organização com vínculos anteriores com o ecossistema da empresa falida.
Em 2025, as autoridades transferiram Ellison de uma prisão em Connecticut para uma residência de confinamento comunitário. Em 22 de janeiro de 2026, ela deixou a custódia após cumprir parte da sentença de dois anos. Ao todo, a ex-executiva permaneceu 14 meses sob custódia. Enquanto isso, ela começou a contribuir tecnicamente com a Manifund antes do anúncio público.
Ferramenta encontra registros incorretos
Chen afirmou que Ellison desenvolveu uma ferramenta de reconciliação para a Manifund. O sistema identificou várias transações que a entidade havia registrado de forma incorreta em sua base de dados. Dessa forma, o executivo destacou uma contribuição prática da nova funcionária. Antes da divulgação de sua identidade, ela já prestava suporte aos usuários da plataforma.
Contudo, a contratação provocou críticas nos comentários da publicação. Entre elas, Cate Hall, ex-CEO do Astera Institute, classificou a decisão como um exemplo de julgamento realmente terrível. Hall também afirmou que a escolha poderia prejudicar a reputação da Manifund e de outras organizações do movimento. Ainda assim, outros participantes apresentaram avaliações distintas sobre a reintegração profissional de Ellison.
Caroline Ellison responde às críticas
Ellison respondeu diretamente às críticas na publicação e declarou estar profundamente arrependida de suas ações. Ao mesmo tempo, reconheceu que algumas pessoas podem não querer trabalhar com ela. A ex-executiva afirmou sentir-se sortuda por atuar em uma organização cuja missão apoia. Diante das reações, Chen informou que não responderá a cada comentário, mas aceitará perguntas públicas por e-mail.
O altruísmo eficaz utiliza lógica e dados para orientar decisões filantrópicas. Antes do colapso da FTX, em 2022, Bankman-Fried, Ellison e outros executivos apoiavam essa filosofia. Agora, a chegada de Caroline Ellison à Manifund recoloca esse histórico no debate da comunidade. A decisão também levanta discussões sobre responsabilidade, reintegração e reputação institucional.