BIS vê diferença de seis vezes em transferências de Bitcoin
Um estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS) identificou ampla variação nas estimativas do valor transferido pela blockchain do Bitcoin. Conforme o método de cálculo, a diferença pode chegar a seis vezes. Com isso, analistas, autoridades e provedores de índices precisam considerar as limitações dessas métricas.
O BIS publicou o Working Paper nº 1377 em 15 de setembro de 2026. O documento aborda um problema de mensuração, sem avaliar o preço justo do Bitcoin. Além disso, o levantamento não analisa o volume negociado em corretoras.
Enquanto isso, o Bitcoin estava cotado perto de US$ 75.395, após recuar cerca de 4,3% em 24 horas. Sua capitalização de mercado se aproximava de US$ 1,51 trilhão. Ainda assim, a cotação não interfere nas conclusões metodológicas do estudo.
Como o BIS calculou as transferências na rede
O relatório mostra que o valor on-chain muda conforme o tratamento dado ao troco e às transferências para o próprio remetente. Na prática, uma mesma atividade pode produzir totais bastante diferentes. A divergência decorre do modelo UTXO usado pelo Bitcoin.
Nesse sistema, cada transação consome saídas não gastas completas. Em seguida, a operação envia o valor pretendido ao destinatário e devolve o restante ao remetente. Normalmente, esse troco segue para outro endereço controlado pela mesma pessoa.
Algumas plataformas contabilizam o troco como valor transferido. Por consequência, elas incluem quantias que não deixaram o controle do usuário. Portanto, a divergência reflete uma característica da blockchain, e não um erro isolado em determinada base de dados.
Estimativas de transferências on-chain de Bitcoin
Até 6 vezes
Três métodos produzem resultados distintos
O estudo analisou aproximadamente 100 bilhões de registros da plataforma Mercurius. A base abrange Bitcoin, Ethereum e Tron. Contudo, a nota de rodapé 6 informa que o conjunto inclui repetições de diferentes etapas de processamento.
Essas repetições não representam eventos distintos nas blockchains. Na seção 4.1.1, o BIS compara um total sem ajustes com duas estimativas mais restritivas. A primeira exclui valores devolvidos aos endereços remetentes, enquanto a segunda funciona como uma projeção inferior conservadora.
A distância entre os cálculos produz a diferença de até seis vezes. Como exemplo, o documento apresenta uma transação com entrada de 4 BTC. Ela envia 1,5 BTC ao destinatário e devolve 2,5 BTC como troco.
Porém, os registros não identificam o troco com segurança quando ele segue para um endereço novo. Esse endereço pode pertencer ao remetente ou representar outro destinatário. Dessa forma, qualquer classificação depende de critérios e heurísticas adotados pelo provedor de dados.
O que a divergência revela sobre o Bitcoin
A estimativa inferior não constitui um limite matematicamente garantido. Conforme a nota de rodapé 7, ela funciona como uma heurística conservadora. Transações CoinJoin e classificações incertas podem criar exceções.
Nesse sentido, o estudo recomenda cautela ao interpretar uma única métrica ajustada. Investidores, analistas e autoridades devem tratar os números on-chain como aproximações. As escolhas metodológicas podem alterar significativamente o resultado apresentado.
“Nossas conclusões sugerem que os indicadores on-chain devem ser tratados como aproximações ruidosas, e não como medidas diretas da atividade econômica.”
A avaliação consta no resumo do estudo. Logo, a ressalva alcança métricas de pagamentos, liquidação e valor transferido. Cada indicador exige contexto sobre o método utilizado.
Relatório não avalia o preço do Bitcoin
O documento não afirma que o Bitcoin esteja sobrevalorizado ou subvalorizado. Também não classifica um volume específico como definitivamente incorreto. Por outro lado, o relatório questiona interpretações que tratam dados da blockchain como medidas econômicas exatas.
Para os reguladores, a principal implicação é metodológica. O BIS também ressalta que as conclusões expressam a visão dos pesquisadores, sem representar necessariamente uma posição oficial da instituição. Ao mesmo tempo, o Senado dos Estados Unidos não havia avançado com o projeto CLARITY.
Essa falta de avanço mantinha indefinições sobre conceitos relacionados à estrutura de mercado. Além do ambiente regulatório, produtos institucionais podem concentrar exposição ao Bitcoin fora da blockchain. Movimentações internas de plataformas também não aparecem como transferências públicas na rede.
Valor on-chain e cotação medem fatores diferentes
Calcular o valor movimentado na rede difere de determinar o preço do Bitcoin no mercado. A variação de seis vezes se refere às estimativas das transferências. Assim, o resultado não oferece um sinal direto sobre a cotação à vista.
Em 15 de setembro de 2026, o Índice de Medo e Ganância marcava 69 pontos. O nível correspondia à classificação de ganância. Apesar disso, o indicador de sentimento não se relaciona às conclusões do documento.
O levantamento considera registros on-chain de Bitcoin, Ethereum e Tron. Ele não captura negociações externas às blockchains nem transferências internas de corretoras. Desse modo, os resultados não representam uma medida completa de todos os fluxos econômicos.
A análise reforça a necessidade de contextualizar métricas de Bitcoin antes de usá-las em índices ou avaliações econômicas. O mesmo cuidado vale para decisões regulatórias baseadas em dados da rede. Afinal, diferentes métodos podem retratar a mesma atividade de maneiras bastante distintas.
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