Mineradoras de Bitcoin migram infraestrutura para IA

Empresas de mineração de Bitcoin estão direcionando energia e infraestrutura para projetos de inteligência artificial. A mudança ocorre porque os contratos de computação para IA oferecem receitas superiores às da mineração. Segundo a CoinShares, a diferença entre os dois modelos já influencia decisões de investimento. Nesse cenário, companhias listadas reduzem planos dedicados exclusivamente à atividade mineradora.

Os contratos de computação para IA rendem cerca de US$ 1,5 milhão por megawatt ao ano. Em contrapartida, a mineração de Bitcoin gera aproximadamente US$ 500 mil por megawatt no mesmo período. Com isso, empresas do setor começaram a rever a alocação de capital e o uso de suas instalações. Algumas encerraram a mineração, enquanto outras passaram a combinar as duas operações.

Inteligência artificial disputa energia com mineradoras

De acordo com o relatório da CoinShares, a conversão de instalações para IA deve continuar. A gestora estima que 35 exahash deixarão mineradoras de capital aberto até o fim do ano. Além disso, a empresa considera improvável que uma recuperação do preço do Bitcoin reverta esse movimento. Muitas companhias já firmaram contratos de longo prazo para destinar seus locais a projetos de IA.

Parte desses acordos pode permanecer em vigor por até 15 anos. Por isso, uma valorização posterior do Bitcoin talvez não seja suficiente para recuperar essas estruturas. Ao mesmo tempo, regras rígidas para novos centros de dados aumentam o valor de locais com conexão elétrica instalada. Assim, antigas instalações de mineração se tornaram recursos disputados por operações de inteligência artificial e data centers.

Empresas reduzem ou encerram planos de mineração

A Core Scientific pagou cerca de US$ 42 milhões para cancelar uma encomenda de equipamentos de mineração de nova geração. O contrato cancelado correspondia a 15 exahash de capacidade de mineração. Já a Keel, que antes se chamava Bitfarms, e a Cipher venderam parte de suas reservas de Bitcoin. As companhias destinam esses recursos à expansão da capacidade de IA e de centros de dados.

A Keel interrompeu completamente a mineração de Bitcoin em junho. Enquanto isso, a IREN pretende adotar a mesma medida até dezembro de 2026. Por outro lado, a Mara Holdings avança de forma gradual e incorpora trabalhos de IA à mineração. Portanto, cada empresa adota uma estratégia diferente diante da maior rentabilidade da infraestrutura energética.

Custos elevados pressionam a mineração de Bitcoin

O custo médio para minerar um Bitcoin atingiu US$ 75.500 no segundo trimestre de 2026, conforme a CoinShares. No mesmo período, o preço do ativo registrou uma mínima de US$ 58.400. Como resultado, muitos operadores passaram a trabalhar sem lucro. A pressão sobre as margens também reduziu a receita mensal dos mineradores.

Essa receita caiu de cerca de US$ 60 milhões, no fim de 2025, para aproximadamente US$ 20 milhões em meados de 2026. Além disso, o Bitcoin recuou de mais de US$ 125 mil, em outubro de 2025, para menos de US$ 60 mil em 2026. Com a retração, o hashrate caiu mais da metade, enquanto mineradores deixaram o mercado ou reduziram operações. A CoinShares comparou esse movimento aos padrões observados após halvings anteriores.

Redução das recompensas amplia incertezas

Ainda assim, a gestora sugeriu que o hashrate pode se recuperar antes do próximo halving. No entanto, o economista Saifedean Ammous afirmou no X que a mineração pode ter atingido seu pico e continuar em queda. Ele apontou a redução futura das recompensas como um fator de desestímulo. A recompensa por bloco deve cair de 3,125 para 1,56 Bitcoin em 2028.

Fred Thiel, CEO da Mara Holdings, também comentou sobre a perda de atratividade da mineração como atividade isolada. Enquanto isso, contratos de IA permanecem como a opção mais rentável para empresas que controlam grandes volumes de energia. Dessa forma, a disputa por infraestrutura elétrica passou a influenciar diretamente o futuro da mineração de Bitcoin.