Bitcoin: Warren Buffett deixa comando da Berkshire Hathaway

Warren Buffett, de 96 anos, deixou nesta sexta-feira a presidência do conselho da Berkshire Hathaway e assumiu imediatamente o posto de presidente emérito. Ele anunciou a mudança em uma carta aos acionistas do conglomerado. Contudo, Buffett continuará como membro do conselho de administração. O investidor liderava a companhia desde 1965.

Howard G. Buffett, filho do investidor, assumiu a presidência do conselho conforme um plano sucessório definido há anos. Enquanto isso, Greg Abel permanece responsável pela direção executiva da companhia. Assim, a Berkshire Hathaway separa duas funções que Warren Buffett acumulou durante grande parte da carreira. Howard ficará à frente do conselho, enquanto Abel conduzirá as operações.

Transição encerra a gestão de um crítico do Bitcoin

Greg Abel, de 64 anos, assumiu como CEO no início de 2026. Antes disso, Buffett havia anunciado sua saída do cargo durante a assembleia anual de maio de 2025. Howard, de 71 anos, integra o conselho desde 1993. No entanto, ele não administrará as operações diárias do conglomerado.

Em vez disso, Howard deverá preservar o caráter e os valores da empresa. Segundo Warren Buffett, Abel comandará os negócios, enquanto Howard protegerá a cultura corporativa. Para o investidor, esses elementos valem mais do que qualquer item registrado no balanço da Berkshire Hathaway.

“Pensem em Howard como uma apólice que os acionistas possuem e esperam nunca precisar acionar.”

Por sua vez, Abel elogiou o antecessor e destacou sua influência sobre a companhia. Para o executivo, o impacto de Buffett sobre a Berkshire e seus acionistas não encontra paralelo na história empresarial dos Estados Unidos. Além do elogio, Abel prometeu manter a cultura construída pelo investidor no centro da empresa.

Números resumem uma longa gestão corporativa

Na carta de despedida, Buffett adotou um tom de balanço, sem dramatizar a transição. “O Tempo sempre vence no final”, escreveu o investidor. Ainda assim, ele afirmou que o tempo foi generoso durante sua trajetória. Buffett também demonstrou confiança no estágio alcançado pela Berkshire Hathaway.

Os números ajudam a dimensionar esse legado. Após assumir uma fábrica têxtil em dificuldades, em 1965, Buffett transformou o negócio em um conglomerado avaliado em cerca de US$ 1 trilhão. Nesse período, a companhia registrou retorno anual composto de 19,7%, quase o dobro do S&P 500. A comparação reforça a dimensão do crescimento obtido durante sua gestão.

No ano passado, a Berkshire Hathaway registrou mais de US$ 44 bilhões em lucros operacionais. Ao mesmo tempo, a companhia mantinha cerca de 400 mil funcionários. Portanto, poucos executivos encerram uma gestão com uma trajetória corporativa semelhante. Buffett alcançou esses resultados sem comprar um único satoshi.

Sucessão não indica abertura para criptomoedas

Para o mercado de criptomoedas, a saída possui forte peso simbólico. Durante mais de uma década, Buffett representou uma das vozes mais influentes de Wall Street contra o Bitcoin. Em 2018, ele classificou o ativo como “veneno para ratos ao quadrado”. Na época, Charlie Munger reforçou essa posição com críticas ainda mais duras.

Entretanto, a sucessão não sinaliza uma mudança na postura da Berkshire Hathaway. Nem Greg Abel nem Howard Buffett demonstram entusiasmo pelo Bitcoin. Da mesma forma, a carta não indica qualquer aproximação da companhia com criptomoedas. A cultura que ambos prometem preservar também não aponta nessa direção.

Desde a crítica de 2018, quando cada Bitcoin valia cerca de US$ 8 mil, a cotação avançou para aproximadamente US$ 78 mil. Apesar da valorização, esse preço representa uma correção próxima de 38% diante do recorde de US$ 126,2 mil. O mercado registrou essa máxima em outubro de 2025. Nesse intervalo, o Bitcoin ganhou espaço em carteiras de fundos e universidades que antes compartilhavam da desconfiança de Buffett.

A trajetória permite leituras distintas para investidores tradicionais e defensores do Bitcoin. O desempenho do ativo contrariou a avaliação de que ele terminaria apenas como uma especulação malsucedida. Por outro lado, Buffett construiu uma companhia de US$ 1 trilhão sem incluir o Bitcoin em sua estratégia.
 

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