Trump: democratas questionam negócios e gastos federais
Parlamentares democratas questionaram testemunhas sobre interesses empresariais da família Trump e o uso de recursos federais. Os debates abordaram alegações de que parentes do presidente poderiam lucrar com acordos apoiados pelo governo. Além disso, os deputados Walkinshaw e Menefee cobraram explicações sobre potenciais conflitos de interesse e mecanismos de responsabilização. Apesar das suspeitas apresentadas, os debates não trouxeram provas diretas entre benefícios financeiros e decisões políticas.
Projeto de tungstênio levanta suspeitas de conflito
Durante uma audiência, Walkinshaw concentrou a discussão em um projeto de mineração de tungstênio no Cazaquistão. Conforme seu relato, o projeto recebeu aprovação para obter US$ 1,6 bilhão em recursos dos contribuintes americanos. O deputado afirmou que o secretário de Comércio, Howard Lutnick, discutiu o acesso ao metal com o presidente do Cazaquistão. Trump também teria participado das negociações por telefone.
De acordo com Walkinshaw, Donald Trump Jr. e Eric Trump investiram no projeto por meio de uma entidade sediada na Trump Tower. Por isso, ele questionou se a participação dos filhos criava um conflito diante da atuação presidencial nas negociações. Uma testemunha concordou que o investimento configurava um conflito de interesse. No entanto, o debate não apresentou provas de que a participação financeira tenha determinado decisões do governo.
Na sequência, Walkinshaw alegou que uma empresa administrada pelos filhos de Lutnick recebeu milhões de dólares em taxas pela transação. Outra testemunha avaliou que esse arranjo também representava um conflito de interesse. Assim, os questionamentos ampliaram o escrutínio sobre as relações entre negócios privados e financiamento público. Ainda assim, as declarações permaneceram no campo de potenciais conflitos.
Contratos de defesa ampliam os questionamentos
Menefee levou a discussão para outros negócios envolvendo parentes do presidente. Conforme seu relato, Peter Navarro pressionou o Pentágono a acelerar um empréstimo de US$ 620 milhões para uma startup. Uma empresa de investimentos de Donald Trump Jr. controlava parcialmente o negócio, segundo o deputado. Depois, a avaliação da companhia teria subido de US$ 200 milhões para US$ 2 bilhões.
Em outro caso, Menefee citou uma empresa de drones que concedeu US$ 2,6 milhões em ações a Trump Jr. por consultoria. Dias depois, a companhia recebeu um pedido do Exército dos Estados Unidos. O deputado também afirmou que um empreendimento envolvendo outro filho de Trump obteve um contrato de US$ 90 milhões da Força Aérea. Com isso, ele questionou a proximidade entre investimentos familiares e contratos de defesa.
Acordos privados e aeronave do Catar entram no debate
Menefee alegou ainda que Melania Trump recebeu US$ 28 milhões por meio de um acordo com a Amazon para um documentário. Na mesma intervenção, ele abordou uma ação na qual empresas ligadas a Trump buscaram US$ 10 bilhões contra a Receita Federal americana. Depois, descreveu um fundo resultante de US$ 1,8 bilhão como um instrumento para recompensar aliados presidenciais. Entre os possíveis beneficiários, ele citou pessoas envolvidas no ataque de 6 de janeiro.
Por sua vez, Menefee questionou uma aeronave de luxo do Catar avaliada em US$ 400 milhões. A testemunha Bellows afirmou que o benefício poderia criar expectativas de concessões diplomáticas, militares ou de inteligência. Diante disso, o deputado defendeu uma lei que limite os ganhos presidenciais ao salário oficial. Como apoio, ele citou uma pesquisa da Common Cause na qual 77% dos americanos aprovaram essa restrição.
Senadores pedem apuração sobre criptomoedas
Enquanto isso, Elizabeth Warren e Richard Blumenthal destacaram divulgações financeiras relacionadas à família Trump. Os documentos indicaram cerca de US$ 1,4 bilhão em receitas com criptomoedas no primeiro ano do retorno de Trump à Presidência. Os parlamentares pediram audiências sobre uma possível influência estrangeira. Desse modo, o Senado ampliou a pressão por mecanismos de fiscalização.
Os senadores também citaram relatos sobre investidores ligados aos Emirados Árabes Unidos. Segundo essas informações, o grupo adquiriu 49% da World Liberty Financial. Eles questionaram se o investimento influenciou uma venda de armas de US$ 1,4 bilhão e exportações de chips avançados de inteligência artificial. Contudo, os parlamentares não estabeleceram uma ligação direta entre os pagamentos e essas decisões.
Em síntese, as discussões ampliaram o escrutínio sobre a relação entre poder político e interesses empresariais privados. Parlamentares identificaram potenciais conflitos em projetos de mineração, contratos de defesa, acordos comerciais e investimentos digitais. Porém, nenhuma evidência apresentada vinculou diretamente os ganhos financeiros da família Trump a resultados de políticas públicas.