Nike pagará US$ 0,41 por ação em dividendos

A Nike (NYSE: NKE) pagará seu próximo dividendo trimestral em 1º de outubro. O pagamento oferece algum alívio aos acionistas, enquanto as ações da fabricante de artigos esportivos enfrentam forte desvalorização. O papel acumula uma trajetória negativa desde as máximas registradas no fim de 2021.

A companhia declarou o dividendo em 6 de agosto. O valor será de US$ 0,41 por ação, com pagamento previsto para uma quinta-feira. Além disso, o rendimento anualizado dos dividendos da Nike chega a 4,62%. Esse percentual considera o preço da ação mencionado na matéria.

Assim, um investidor com 100 ações NKE receberá US$ 41. Travis Knight, CEO do estúdio de animação Laika e filho do cofundador Phil Knight, possui 19 milhões de ações. Portanto, ele deve receber cerca de US$ 7,8 milhões nesta distribuição. O cálculo considera a participação informada e o dividendo trimestral anunciado.

Phil Knight, por sua vez, é o segundo maior acionista individual da companhia. Ele detém 12,8 milhões de ações NKE e deve receber aproximadamente US$ 5,25 milhões. Contudo, a data-ex do pagamento de outubro ocorreu em 1º de setembro. Desse modo, investidores que compraram os papéis depois dessa data não participarão desta rodada.

Pagamento rende US$ 41 a cada 100 ações da Nike

Apesar do pagamento aos acionistas, as ações da Nike atravessam um período excepcionalmente difícil. O papel chegou a superar US$ 175 durante as máximas registradas no fim de 2021. Entretanto, a ação fechou a US$ 35,51 em 18 de setembro de 2026. A diferença representa uma queda de aproximadamente 80% em relação ao pico.

Antes da reversão, a Nike acumulou uma forte valorização durante onze anos. O movimento começou no fim da Grande Recessão e elevou as ações em mais de 1.300%. Desde então, porém, a fabricante perdeu grande parte do valor alcançado naquele ciclo.

Gráfico de cinco anos do preço das ações da Nike.
Gráfico de cinco anos do preço das ações da Nike.

Fonte: Google

 

A queda também levou as ações a patamares que o mercado não observava havia cerca de 12 anos. A Reuters informou que o papel retornou a preços vistos pela última vez em 2014. Dessa forma, a desvalorização colocou a permanência da companhia no índice Dow Jones sob pressão. O baixo preço nominal reduziu a influência da Nike no índice ponderado por preço.

Fatores que pressionaram as ações da Nike

Uma combinação de fatores explica o desempenho negativo das ações da Nike. A empresa enfrenta obstáculos operacionais, econômicos e competitivos ao mesmo tempo. Nesse sentido, o cenário vai além de uma única decisão corporativa. A deterioração ocorreu durante vários anos e afetou a confiança do mercado.

A transição para o modelo de venda direta ao consumidor trouxe dificuldades para a fabricante. Paralelamente, alguns comentaristas relacionaram parte do desempenho fraco ao envolvimento da empresa na chamada guerra cultural. Essa avaliação envolve o material promocional adotado pela companhia. Ainda assim, o texto não aponta esse fator como causa exclusiva da queda.

O ambiente econômico posterior à pandemia de COVID-19 também pressionou os resultados. A inflação permaneceu elevada por anos e reduziu o poder de compra dos consumidores. Ao mesmo tempo, interrupções nas cadeias de suprimentos dificultaram a produção. Consequentemente, a Nike precisou enfrentar custos maiores e mudanças nos hábitos de consumo.

Por outro lado, o avanço de concorrentes ampliou a pressão sobre a companhia. Mudanças no perfil industrial e no consumo da China também reduziram as vendas em um dos maiores mercados globais. Com isso, o dividendo trimestral contrasta com o desempenho recente das ações. A distribuição beneficia os acionistas elegíveis, mas não elimina os desafios enfrentados pela fabricante.

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