Bitcoin: falha no vardiff pode desperdiçar energia

Uma falha em controladores vardiff da mineração de Bitcoin pode manter máquinas consumindo eletricidade após uma forte redução do hashrate. Nessa situação, o equipamento continua calculando hashes, mas passa a encontrar shares aceitas com menor frequência. Com isso, parte da energia usada pode não gerar créditos durante o intervalo observado.

Em 18 de setembro de 2026, o Bitcoin Optech destacou a falha e ampliou a atenção sobre uma análise publicada em julho. O engenheiro de mineração Eric Price conduziu o estudo sobre a dificuldade das shares definida pelos pools. Porém, a análise descreve uma fragilidade testável e não comprova perdas generalizadas entre mineradores.

Por que o controlador vardiff pode travar

Os pools atribuem a cada conexão uma dificuldade de share inferior à dificuldade necessária para encontrar um bloco. Quanto maior essa dificuldade, mais exigente se torna o alvo que a share precisa alcançar. Assim, as shares permitem que o pool estime o hashrate e contabilize o trabalho de cada participante.

O controlador de dificuldade variável, chamado vardiff, ajusta essa atribuição para receber shares em uma frequência útil. Para isso, o sistema considera o ritmo de envio e adapta a dificuldade ao desempenho do equipamento. Quando o minerador reduz sua velocidade bruscamente, o ajuste pode não acompanhar a mudança.

A análise de Eric Price identifica um problema nos sistemas que recalculam a dificuldade somente após uma nova share. Nesse caso, a configuração anterior torna o próximo envio válido muito menos provável. Sem outra share para ativar a atualização, o controlador pode manter uma dificuldade inadequada.

Desse modo, o fluxo de shares permanece escasso, embora a máquina continue em operação e consuma eletricidade. Ao mesmo tempo, reduções abruptas de carga fazem parte da rotina das operações de mineração. Por exemplo, o hashrate da rede caiu durante uma tempestade de inverno nos Estados Unidos, em janeiro de 2026.

Na ocasião, mineradores reduziram o consumo de energia, o que provocou a queda do hashrate. Contudo, as fontes não associaram o evento a perdas causadas pelo vardiff. O caso apenas demonstra que mudanças rápidas de desempenho podem ocorrer em operações reais.

Impacto nos pagamentos e recuperação

Uma dificuldade elevada de share não elimina automaticamente o crédito esperado pelo minerador em períodos longos. Conforme a documentação do Braiins Pool, uma prova rara e mais difícil pode receber maior peso contábil. Ainda assim, a janela usada para calcular os pagamentos pode criar riscos.

Em pools que pagam por share, o minerador não recebe créditos no intervalo se o sistema não registrar nenhuma prova válida. Por outro lado, o pool ainda pode remunerar uma share rara quando ela atende à dificuldade atribuída. Sob contabilidade proporcional, a ausência de shares pode aumentar a participação dos demais mineradores na janela de recompensa.

A implementação de referência atual do Stratum V2 utiliza um temporizador para evitar o congelamento permanente. Durante uma seca de shares, o sistema reduz a dificuldade sem depender exclusivamente da chegada de uma nova prova. Com isso, o controlador abre uma rota de recuperação para o minerador mais lento.

Esse mecanismo, no entanto, pertence à implementação de referência e não a todas as configurações autorizadas pelo protocolo Stratum V2. Por isso, diferentes implantações podem apresentar comportamentos distintos após uma redução acentuada do hashrate. A análise também afirma que a recuperação pode continuar lenta em canais mantidos por longos períodos.

A pesquisa e o Bitcoin Optech citam o ckpool como exemplo de implementação que atualiza a dificuldade após receber shares. Já as fontes disponíveis não mediram a frequência desse comportamento no setor. Elas também não calcularam possíveis perdas materiais em operações reais.

Como os operadores podem testar a falha

Os operadores podem testar o comportamento com o shape-proxy da MARA Foundation, uma ferramenta de código aberto. O programa reconhece as shares localmente e encaminha apenas uma fração controlada ao pool. Dessa maneira, o teste reduz a taxa aparente sem alterar a produção física do minerador.

Os perfis de degrau, rampa e interrupção simulam diferentes padrões de redução do hashrate. Em contrapartida, o operador pode observar como o controlador ajusta a dificuldade durante cada cenário. Uma dificuldade em queda indica que a implementação possui algum mecanismo de recuperação.

Um alvo que permanece fixo sugere uma recuperação lenta ou inexistente durante o período analisado. Também podem influenciar o resultado a cadência do temporizador, a idade do canal e a chegada aleatória de shares. Portanto, cada operador precisa avaliar o controlador dentro das condições específicas de sua própria infraestrutura.

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