Brasil assume a liderança mundial em adoção de criptomoedas
O Brasil passou a ocupar a primeira posição mundial em adoção de criptomoedas em 2026, segundo o novo Global Crypto Adoption Index da Chainalysis. Consequentemente, o país subiu quatro posições, superando mercados como Estados Unidos, Nigéria, Japão e Coreia do Sul. O relatório aponta que o país alcançou uma economia cripto estimada em US$ 252,5 bilhões no período analisado, entre julho de 2025 e junho de 2026.

A liderança brasileira não veio de uma única categoria. O país se destacou em todas as métricas que o índice acompanha, ficando em segundo lugar em fluxos transfronteiriços, terceiro em fluxos totais de serviços, terceiro em sua economia doméstica ponto a ponto e quarto em saldos mantidos on-chain. Dessa forma, a combinação desses resultados levou o Brasil ao topo do índice geral.
Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, seguidos por Nigéria, Japão e Coreia do Sul. A Índia, por sua vez, caiu para a sexta posição na nova metodologia. A Chainalysis também ajustou a metodologia em 2026 para medir a adoção em relação ao tamanho de cada economia.
Diante do cenário, Thiago Sarandy, diretor-geral da Binance no Brasil, comenta o que os dados revelam sobre a evolução e as perspectivas do mercado brasileiro:
“A liderança do Brasil como principal país do mundo em adoção de criptomoedas pela população é um marco que mostra a dimensão e a maturidade alcançada pelo mercado brasileiro. O país aparece entre os quatro primeiros mercados globais em todas as dimensões analisadas pelo estudo, o que indica que essa liderança não está concentrada em um único tipo de atividade, mas reflete uma adoção ampla e diversificada dos ativos virtuais. Esse resultado corrobora nossa visão de que o Brasil é um mercado estratégico para a Binance e seguirá no centro da nossa atuação.
O desempenho do país está acompanhado por uma diversificação dos casos de uso, que incluem investimentos, acesso a ativos denominados em dólar, pagamentos e outras usabilidades.
Ao mesmo tempo, a consolidação de um arcabouço regulatório abrangente pode contribuir para dar maior previsibilidade ao desenvolvimento desse mercado e ser fundamental para manter o país na liderança do ranking, caso seja construído em conjunto com o mercado e promovendo a inovação pelo setor.
Os dados também reforçam a posição do Brasil como principal mercado cripto da América Latina. Hoje, 43,7% do valor movimentado em cripto na região passa pelo país. A criptoeconomia brasileira cresceu 179,4% entre 2024 e 2026, mostrando que o mercado opera hoje em uma escala muito maior.”
Resistência das stablecoins e expansão do mercado durante o bear market
A ascensão do Brasil ocorre em um ano marcado por forte queda nos preços dos criptoativos. O valor de mercado global encolheu cerca de 50%, representando uma perda de aproximadamente US$ 2,1 trilhões. Mesmo assim, a atividade econômica on-chain recuou apenas 1,6%, mostrando que o uso de criptomoedas se tornou mais diversificado e menos dependente da valorização dos preços.
Um dos principais motores dessa resiliência foram as stablecoins. O valor movimentado internacionalmente por essas moedas avançou 77,5%, de US$ 124,2 bilhões para US$ 220,3 bilhões. A Chainalysis calcula que a transferência internacional média com stablecoins ficou em aproximadamente US$ 3 mil, valor que a empresa associa a usos cotidianos, como pagamentos a fornecedores, remessas e proteção cambial.
Além disso, a América Latina contrariou a tendência global e registrou crescimento de 9,8% no período. No Brasil, as stablecoins consolidaram-se como forma de acesso ao dólar e infraestrutura para pagamentos. Paralelamente, o ecossistema de fintechs e a população jovem ajudaram a ampliar o contato dos brasileiros com os ativos digitais.
Crescimento do varejo e força das operações peer-to-peer
Outro dado do relatório indica que o mercado de baixa não afastou os pequenos investidores. As transferências de até US$ 100 cresceram 78,4% no período, enquanto movimentações entre US$ 100 e US$ 1.000 avançaram 58,6%. Da mesma forma, as movimentações institucionais mostraram resistência, já que transferências acima de US$ 1 milhão caíram somente 7,2%.
O destaque mais expressivo veio das transferências diretas entre carteiras. O volume peer-to-peer dentro dos países saltou 302,9%, passando de US$ 56,8 bilhões para US$ 228,7 bilhões. As stablecoins já representam 96% desse tipo de movimentação, segundo o levantamento.
Para o Brasil, o conjunto dos dados explica o topo do ranking mundial. A atividade brasileira aparece distribuída entre negociação em plataformas, movimentações entre carteiras, uso internacional e custódia de ativos on-chain. Por isso, a Chainalysis classificou o país como o mercado de maior adoção popular de criptomoedas em 2026.
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