França investiga VRA da Verasity por suposta fraude
Autoridades francesas investigam se uma suposta manipulação do preço do VRA, da Verasity, financiou compras imobiliárias milionárias em Dubai. A apuração colocou Svetlana A., cidadã francesa nascida na Rússia, sob investigação formal. Além disso, ela permaneceu detida após uma decisão de um juiz de instrução em Paris. O caso ainda não resultou em condenação.
A polícia prendeu Svetlana A. em julho, nos Alpes-Marítimos. Depois, o Ministério Público Financeiro Nacional confirmou a investigação por suposta fraude organizada, lavagem agravada de recursos de fraude fiscal e associação criminosa. Os investigadores também apuram a participação do parceiro britânico dela, identificado como Robert H.
Investigação francesa analisa movimentações do VRA
As autoridades suspeitam que o grupo tenha manipulado a cotação de uma criptomoeda. Nesse contexto, os investigadores analisam se os recursos financiaram o patrimônio imobiliário de Svetlana A. em Dubai. A investigação aponta o VRA, lançado pela Verasity em 2018, como o ativo examinado.
Durante a primavera de 2021, o preço do VRA subiu cerca de 65 vezes em aproximadamente dois meses e meio. Contudo, a cotação recuou de forma acentuada após a alta especulativa. As autoridades francesas ainda não divulgaram provas de transações que detalhem a suposta manipulação.
A apuração pública também não identifica negociações, carteiras, corretoras ou contrapartes supostamente usadas no esquema. Dessa forma, os documentos disponíveis não esclarecem como a operação teria ocorrido. Dados do CoinGecko indicam que o VRA atingiu US$ 0,08621 em 31 de outubro de 2021.
Atualmente, o VRA opera muito abaixo dessa máxima histórica. Já em maio de 2025, o preço avançou até 45% em uma única sessão. Naquele movimento, o token acumulou ganho superior a 250% em relação à mínima mensal. No entanto, os investigadores não relacionaram essas oscilações posteriores ao esquema investigado.
Patrimônio em Dubai superou 50 milhões de euros
Os investigadores examinam a origem dos recursos usados no portfólio imobiliário ligado a Svetlana A. Em 2022, ela gastou mais de 50 milhões de euros na compra de cerca de 100 apartamentos e três vilas de luxo. Os imóveis estavam distribuídos por Dubai.
As locações de muitas propriedades geraram ao menos 4 milhões de euros em renda acumulada entre 2022 e 2025. Além disso, os imóveis se espalhavam por aproximadamente 15 edifícios. A lista inclui Burj Royale, Opera Grand, I-Rise Tower e MBL Royal.
Em alguns prédios, Svetlana A. possuía até dez unidades. Em junho de 2022, ela comprou o edifício residencial Amara Residences por 68 milhões de dirhams. Na época, o valor equivalia a aproximadamente 17,4 milhões de euros.
O Amara Residences possui cinco andares, 73 apartamentos e espaços comerciais. Depois, o edifício passou sem pagamento para a Sempios Holdings, de Abu Dhabi, em fevereiro de 2024. Uma fundação privada controlava a empresa.
Registros corporativos dos Emirados Árabes Unidos ainda atribuíam a Svetlana A. poder de assinatura relacionado à proprietária dos imóveis. Enquanto isso, Dubai consolidou sua posição como centro de empresas de ativos digitais e serviços financeiros. Apesar disso, nenhuma evidência pública conecta o caso a outra investigação internacional de lavagem envolvendo criptomoedas.
Patentes associam Svetlana Astakhova à Verasity
Registros públicos de patentes documentam vínculos entre Svetlana Astakhova e tecnologias relacionadas à Verasity. Uma patente dos Estados Unidos sobre visualização remunerada de vídeos cita Robert James Mark Hain e Svetlana Astakhova como inventores. O documento indica a Verasity Limited como titular.
Outra patente da Verasity cita Robert James Mark Hain como inventor de uma tecnologia relacionada ao sistema Proof of View. Por sua vez, materiais da empresa identificam RJ Mark como fundador. A página institucional informa que ele continua como único fundador após deixar a função pública de CEO.
As autoridades identificaram Robert H. como parceiro de Svetlana A. e investigam o uso das pesquisas do casal no lançamento da Verasity. Ao mesmo tempo, os documentos de patentes associam Robert James Mark Hain à tecnologia da empresa. Esses registros sustentam a conexão tecnológica, mas não comprovam as acusações financeiras investigadas.
Registros da Companies House mostram que Svetlana Astakhova deixou o controle significativo da Veraviews Limited em 5 de julho de 2023. Nessa data, a Verasity Limited S.R.L. assumiu o controle da empresa. Antes da transferência das ações, Svetlana Astakhova figurava como única acionista da Veraviews Limited.
A VeraViews permanece no ecossistema da Verasity e oferece tecnologia publicitária baseada em Proof of View. Contudo, os registros corporativos não demonstram, por si mesmos, a origem dos recursos usados nas compras imobiliárias. A investigação francesa busca esclarecer justamente essa relação financeira.
Defesa nega ligação entre patrimônio e Verasity
O ex-advogado de Svetlana A., Olivier Bluche, negou em abril de 2025 qualquer vínculo entre os imóveis e as atividades da Verasity. Ele afirmou que ela não possuía VRA, renunciou aos direitos de patentes e nunca ocupou cargo no grupo. Ainda assim, uma revisão de registros corporativos encontrou conexões entre a Veraviews Limited e empresas associadas à Verasity.
Três escritórios que representavam a Verasity enviaram notificações sobre o caráter confidencial de documentos obtidos em registros empresariais de Abu Dhabi. Já os novos advogados de Svetlana A. não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. A Brigada Nacional de Repressão à Fraude Fiscal conduz a investigação sob responsabilidade do Ministério Público Financeiro Nacional.
Na França, a investigação formal não representa uma declaração de culpa. O portal oficial da Justiça francesa explica que o procedimento exige indícios graves ou consistentes. Portanto, as autoridades poderão arquivar o caso ou encaminhá-lo a julgamento conforme as provas reunidas.
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