Micron Technology e dados dos EUA movimentam Wall Street
Wall Street inicia a semana de olho na inflação, no mercado de trabalho e nos balanços corporativos. Os três principais índices avançaram na semana passada. Além disso, o Nasdaq fechou perto de uma máxima histórica. Já o Dow encerrou uma sequência de três semanas de perdas.
O índice de preços de gastos com consumo pessoal, conhecido como PCE, será divulgado na quarta-feira. Esse é o indicador de inflação preferido do Federal Reserve. Como será a primeira leitura após a alta de juros de 16 de setembro, o dado ganha relevância. Por isso, investidores também acompanham os contratos futuros do Nasdaq 100.
O núcleo do PCE subiu 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior no relatório precedente. Portanto, o resultado permaneceu bem acima da meta de 2% do Fed. Uma leitura superior às previsões pode elevar as chances de outra alta dos juros em outubro.
Inflação e empregos dos EUA entram no radar
Na terça-feira, o Conference Board atualizará seu Índice de Confiança do Consumidor. Embora o indicador tenha caído em agosto, os americanos relataram uma percepção ligeiramente melhor do mercado de trabalho. Na sexta-feira, o governo divulgará o relatório de empregos de setembro. Segundo economistas consultados pela Reuters, a economia deve criar 100 mil vagas.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego deve permanecer em 4,2%. Em agosto, as contratações superaram as previsões. Ainda assim, o resultado não alterou o padrão de poucas contratações e demissões observado neste ano. Uma leitura mais forte pode reforçar o argumento favorável a outra alta dos juros.
Enquanto isso, o sentimento do consumidor continua pressionado. A pesquisa da Universidade de Michigan colocou o indicador no segundo menor nível de seus 74 anos de história. Além disso, a taxa fixa das hipotecas de 30 anos alcançou 7,45%, maior patamar desde janeiro de 2025. Nesse cenário, o Bitcoin também permanece no radar dos investidores.
Micron Technology testa demanda por inteligência artificial
A Micron Technology divulgará os resultados do quarto trimestre fiscal na quarta-feira. Analistas projetam lucro de US$ 3,52 por ação e receita próxima de US$ 11,07 bilhões. Com isso, o balanço poderá oferecer sinais sobre a demanda dos data centers voltados à inteligência artificial.
Resultados da semana de 28 de setembro de 2026: MU, NKE, CCL, ACN, CAG, JBL, KMX, AYI, MTN, UEC, IVA, MKC, JEF, CNXC, FDS, PRGS, AIR, SANG, GNS, BSET e ATCH.
Na terça-feira, a CarMax divulgará o balanço do segundo trimestre fiscal. No início do ano, um investidor ativista pressionou a empresa a considerar cortes nos preços dos veículos usados. Portanto, o relatório poderá indicar se a pressão sobre os preços diminuiu.
A Carnival Corporation abrirá a rodada de resultados na segunda-feira. O mercado espera lucro de US$ 1,35 por ação e receita de US$ 8,39 bilhões. Mesmo assim, os gastos com cruzeiros resistiram durante o verão, enquanto consumidores reduziram outros custos de viagem.
Nike, Accenture e McCormick também divulgam balanços
Depois do fechamento de quarta-feira, a Nike publicará os números do primeiro trimestre fiscal. Analistas esperam lucro de US$ 0,44 por ação e receita de US$ 11,33 bilhões. No balanço anterior, a companhia registrou queda de 12% nas vendas na China.
Por sua vez, a Accenture apresentará seus resultados na quinta-feira. As projeções apontam lucro de US$ 3,18 por ação e receita de US$ 18,03 bilhões. Recentemente, a consultoria firmou uma parceria de cinco anos com a Anthropic voltada à segurança em inteligência artificial.
A McCormick também divulgará resultados na quarta-feira. O mercado prevê lucro de US$ 0,76 por ação e receita próxima de US$ 1,98 bilhão. A fabricante de temperos planeja uma fusão com a Unilever. Por isso, seus números também serão acompanhados de perto.
Juros elevados pressionam ações e outros ativos
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos encerrou a semana em 5,17%. Além disso, o rendimento dos títulos de 30 anos atingiu o maior nível em mais de duas décadas. Como taxas maiores reduzem o valor presente dos lucros futuros, as ações enfrentam pressão adicional.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 30 anos fechou em 5,49%, maior nível em mais de 22 anos.
Em setembro, oito dos 11 setores do S&P 500 registraram perdas. Enquanto isso, uma versão do índice com pesos iguais caiu cerca de 4% no mês. Dessa forma, os ganhos do mercado dependeram fortemente de um pequeno grupo de grandes empresas de tecnologia.
No mercado de matérias-primas, o ouro fechou perto de US$ 4.322,40. O petróleo foi negociado próximo de US$ 92,79, enquanto o Bitcoin terminou perto de US$ 83.809. Por outro lado, o VIX, indicador de volatilidade esperada, recuou para 14,87.
Nesta semana, Cisco Systems, Deere e Bristol-Myers Squibb negociam ex-dividendos. Assim, investidores compararão os dados de inflação e emprego com os rendimentos elevados dos títulos. Esse contraste deve orientar a próxima direção dos mercados financeiros.
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