RedotPay mira valor acima de US$ 5 bilhões em IPO
A RedotPay concluiu uma auditoria financeira exigida para uma possível oferta pública inicial de ações nos Estados Unidos. Uma firma das Big Four conduziu o trabalho, embora a empresa não tenha identificado a responsável. Além da auditoria, outra firma do grupo revisou os controles contra lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo.
A empresa de pagamentos com stablecoins mantém sua preparação para abrir o capital, mas ainda não definiu uma data para a listagem. Assim, o prospecto de uma eventual oferta nos Estados Unidos deverá incluir as demonstrações financeiras auditadas. Por isso, a conclusão dessa etapa representa um avanço relevante no processo.
Auditorias reforçam preparação para a oferta
Michael Gao, CEO e cofundador da RedotPay, afirmou que as auditorias buscam ampliar a confiança nos relatórios financeiros e nos padrões de conformidade. Segundo ele, os trabalhos também fazem parte da preparação para tornar a empresa pública. Gao declarou: “Realizamos essas auditorias para gerar confiança em nossos relatórios financeiros e padrões de conformidade. Elas também fazem parte de nossa preparação para abrir o capital da empresa.”
As declarações indicam que o processo de IPO nos Estados Unidos permanece ativo. Em agosto, reportagens levantaram dúvidas sobre o cronograma da operação. Entretanto, a companhia contestou a avaliação de que teria adiado a oferta. Na ocasião, afirmou: “Não houve adiamento de nosso IPO. Continuamos trabalhando com nossos parceiros no processo de IPO.”
A empresa não apresentou um novo calendário para a listagem. Quando os planos surgiram, em fevereiro, a RedotPay avaliava uma oferta capaz de captar mais de US$ 1 bilhão. Na época, a operação poderia avaliar o negócio em mais de US$ 4 bilhões. Posteriormente, a companhia passou a buscar uma avaliação superior a US$ 5 bilhões.
JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Jefferies participavam dos preparativos para uma possível listagem em Nova York. Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, o volume de transações atingiu um recorde no segundo trimestre. Ainda conforme a fonte, a margem operacional superou 50% no período.
Captação acompanha expansão da base de usuários
A fonte não apresentou os números financeiros que sustentariam esses indicadores. Apesar disso, a RedotPay já havia informado resultados recordes em usuários, receita, lucro e margens no segundo trimestre. Durante 2025, a companhia captou US$ 194 milhões em diferentes rodadas. Nesse total, uma Série B de US$ 107 milhões recebeu apoio de Goodwater Capital, Pantera Capital e Blockchain Capital.
Antes dessa rodada, uma Série A de US$ 40 milhões envolveu Lightspeed, Galaxy e HSG. Em julho, a base de clientes alcançou 8,5 milhões, ante mais de 6 milhões em fevereiro. Atualmente, a RedotPay opera em mais de 100 países. A empresa também declarou processar cerca de US$ 14 bilhões em volume anualizado de pagamentos.
Fundada em abril de 2023, a companhia oferece carteiras baseadas em stablecoins, cartões de pagamento e serviços globais de repasse. No aplicativo, os usuários podem manter ativos digitais, gastar com cartões Visa vinculados e realizar transferências internacionais. Enquanto isso, o uso de cartões de stablecoins cresceu no mercado. Em agosto, a empresa informou que os gastos acumulados com esses cartões superaram US$ 10,9 bilhões, com base em dados da Paymentscan.
Já em julho, os gastos mensais ultrapassaram US$ 1 bilhão pela primeira vez. A companhia projetou que o valor anual poderá alcançar US$ 50 bilhões em 2028. A estimativa considera a adoção em mercados em desenvolvimento, mudanças regulatórias e o uso de dólares digitais. Entre as aplicações citadas estão pagamentos, remessas e operações de câmbio.
Revisão de compliance e disputa com a Binance
A revisão de AML e CFT abrangeu as subsidiárias licenciadas da RedotPay em Hong Kong. Nesse trabalho, os auditores analisaram governança, diligência de clientes, monitoramento de transações e garantia de qualidade. A avaliação também incluiu treinamento de funcionários e recursos destinados ao compliance. Em setembro, a empresa afirmou que a análise considerou as diretrizes relevantes de Hong Kong.
De acordo com a RedotPay, a revisão concluiu que seus processos conseguem identificar, avaliar e administrar riscos de crimes financeiros. Em paralelo, a companhia obteve em agosto sua primeira licença de transmissor de dinheiro nos Estados Unidos. Com isso, a empresa afirmou que preparava o lançamento de seus produtos no país.
Por outro lado, os fundadores enfrentam uma disputa judicial com empresas ligadas à Binance. As afiliadas da corretora buscam quase US$ 473 milhões em indenizações em Hong Kong. Conforme as autoras, os fundadores usaram informações confidenciais obtidas durante empregos anteriores na Binance. A ação alega que esses dados ajudaram a criar a RedotPay e a desviar clientes.
As empresas também afirmam que as informações permitiram atrair centenas de milhares de antigos usuários da Binance. A RedotPay rejeitou as acusações e declarou que contestará vigorosamente todas as reivindicações. Além disso, as partes mantêm uma disputa relacionada em Singapura sobre o status de processos separados. Contudo, a Binance afirmou que não retirou suas alegações.
A relação comercial entre as companhias começou em 2023, quando a RedotPay adicionou depósitos via Binance Pay aos seus cartões. Depois, a Binance encerrou essa funcionalidade em 3 de abril de 2026. A corretora atribuiu a decisão a uma revisão de parceiros comerciais. Nesse contexto, a RedotPay ainda não informou quando protocolará a oferta ou iniciará a negociação das ações.
Mercado mais lento afeta outros IPOs do setor
Outras empresas de ativos digitais também transferiram possíveis listagens nos Estados Unidos para períodos posteriores. A Payward, controladora da Kraken, adiou seu IPO para, pelo menos, o segundo trimestre de 2027. As condições do mercado afetaram o cronograma anterior da companhia.
A Payward apresentou confidencialmente um rascunho do formulário S-1 em novembro de 2025. Antes disso, a empresa captou US$ 800 milhões com uma avaliação de US$ 20 bilhões. Da mesma forma, a fabricante de carteiras físicas Ledger pausou seus preparativos para um IPO nos Estados Unidos em maio. A companhia havia contratado Goldman Sachs, Jefferies e Barclays para assessorar uma listagem avaliada em cerca de US$ 4 bilhões.
Consensys e Grayscale também adiaram possíveis ofertas públicas. Ainda assim, a RedotPay sustenta que seu processo continua em andamento. A empresa mantém essa posição apesar do cenário mais lento para IPOs de companhias ligadas aos ativos digitais.
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