Nvidia amplia recompra de ações em US$ 150 bilhões
A Nvidia aprovou um aumento recorde de US$ 150 bilhões em sua autorização para recompra de ações. Com isso, a capacidade total restante do programa alcançou US$ 235 bilhões. Além disso, a companhia prevê executar as recompras até o ano fiscal de 2028. Esse período abrange a maior parte de 2027 e o início de 2028 no calendário convencional.
A medida chegou nos últimos dias de setembro, quando investidores também aguardavam o próximo pagamento de dividendos. Nesse sentido, o anúncio ampliou a atenção do mercado sobre as ações NVDA. A empresa confirmou os detalhes em seu comunicado sobre a autorização.
O crescimento da NVIDIA é impulsionado por uma mudança de plataforma, que ocorre uma vez por geração, rumo à IA e à computação acelerada. Nossa geração de caixa nos permite investir nas tecnologias que avançam essa transformação e devolver capital aos acionistas. Esta autorização reflete nossa confiança na oportunidade de longo prazo à frente.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, relacionou a decisão ao avanço da inteligência artificial e à geração de caixa da fabricante. Segundo o executivo, esses recursos sustentam investimentos em novas tecnologias e retornos aos acionistas. Portanto, a autorização também representa uma demonstração de confiança nas perspectivas de longo prazo da companhia.
Ações NVDA avançam após anúncio da recompra
Os operadores reagiram imediatamente à notícia, embora a execução do programa deva se estender por vários anos. No pré-mercado de segunda-feira, 28 de setembro, as ações NVDA avançaram 1,78%, para US$ 229,08. Já na sessão regular de 25 de setembro, os papéis subiram 0,22%. Na ocasião, as ações fecharam cotadas a US$ 225,07.

Em geral, programas de recompra aumentam a demanda pelas ações da própria companhia. Ao mesmo tempo, as operações podem reduzir a quantidade de papéis em circulação. Como resultado, o equilíbrio entre oferta e demanda pode favorecer a valorização das ações. Contudo, o impacto depende do volume efetivamente recomprado e das condições do mercado.
O valor autorizado não garante que a Nvidia utilizará integralmente os US$ 150 bilhões. Por isso, parte do mercado questiona o efeito prático do anúncio. A fabricante também recebeu críticas relacionadas a compromissos anteriores que não eram vinculantes.
Dúvidas cercam a execução do programa
Um dos exemplos envolveu um possível investimento de US$ 100 bilhões na OpenAI. No fim de 2025, a parceria estratégica entre Nvidia e OpenAI previa a implantação de sistemas de grande escala. Posteriormente, a perspectiva de investimento deu lugar a um aporte bem menor. Assim, o episódio alimentou dúvidas sobre a efetivação de grandes anúncios.
Da mesma forma, a Nvidia anunciou uma plataforma de financiamento de US$ 500 bilhões para infraestrutura de IA. Instituições financeiras estabelecidas ajudariam a mobilizar capital de terceiros para a iniciativa. No entanto, o projeto ainda não havia apresentado materialização relevante até a publicação. A ausência de resultados visíveis reforçou a cautela de parte dos investidores.
Setor de inteligência artificial enfrenta pressões
Os anúncios ocorreram quando a narrativa de expansão da IA enfrentava maior instabilidade. Naquele momento, empresas do setor encontravam resistência aos planos de elevar preços. Paralelamente, reportagens indicavam que a tecnologia ainda não havia produzido impacto relevante sobre produtividade e rentabilidade. Esse cenário aumentou o escrutínio sobre novos investimentos em infraestrutura.
Na semana anterior, a Oracle emitiu um aviso de force majeure relacionado ao seu projeto de data center no Novo México. O episódio desestabilizou o mercado e ampliou as preocupações sobre o setor. Embora a empresa tenha classificado o aviso como uma precaução relativamente comum, as críticas ganharam força. Nesse contexto, investidores passaram a observar com mais atenção o ritmo dos investimentos em IA.
Por sua vez, o analista JustDario questionou a capacidade da Nvidia de financiar a recompra. Ele afirmou que Jensen Huang não teria muito capital restante após resgatar dois terços das empresas de IA. A declaração representa uma crítica do analista, e não uma confirmação sobre a situação financeira da companhia.
Com que dinheiro, exatamente, serão recompradas todas essas ações? Depois de resgatar dois terços das empresas de IA, Jensen não terá muito sobrando.
JustDario, no X
Também surgiram questionamentos sobre a demanda efetiva pelos chips da fabricante. Uma investigação citada por Ed Zitron, conduzida com o The Guardian, indicou que até 50% das GPUs vendidas talvez ainda não tenham sido instaladas. Caso os números se confirmem, poderão surgir dúvidas sobre a capacidade da Nvidia de sustentar suas receitas. Mais ainda, a empresa enfrentaria incertezas para ampliar as vendas no longo prazo.
Apesar disso, a maior parte dos líderes do setor de IA permanecia abertamente otimista em 28 de setembro. As teses pessimistas ainda tinham peso relativamente marginal naquele momento. Em resumo, a recompra reforçou a confiança demonstrada pela Nvidia em seu crescimento. Ao mesmo tempo, o anúncio reabriu questionamentos sobre execução, financiamento e demanda por chips.
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