Futuro do Ethereum pode ser baseado em provas
Vitalik Buterin afirmou que Hegotá pode ser o último fork considerado normal do Ethereum. A atualização deve ocorrer depois de Glamsterdam e está prevista para 2027. Em 27 de setembro, o cofundador explicou que ela poderá encerrar uma era tecnológica iniciada em 2015.
A declaração, porém, não indica o fim dos hard forks. Em vez disso, ela aponta para uma mudança no perfil das futuras atualizações. Nesse contexto, o Ethereum deve priorizar provas criptográficas, verificação formal e resistência a computadores quânticos.

Rede busca reduzir a repetição de cálculos
Hoje, os computadores que verificam integralmente a rede repetem os cálculos de cada transação. Eles confirmam se o remetente possui saldo e se uma aplicação executou suas regras corretamente. Por isso, adicionar mais máquinas não amplia automaticamente a capacidade. Grande parte dos equipamentos ainda verifica a mesma atividade.
Buterin apresentou uma alternativa no texto chamado “O computador mundial criptográfico”. Nesse modelo, um computador processaria as transações e geraria uma prova matemática curta. Essa prova demonstraria que o sistema seguiu as regras estabelecidas. Assim, provas de conhecimento zero permitiriam verificações mais rápidas.
Outros computadores poderiam verificar a prova sem repetir todo o trabalho original. Enquanto isso, verificações pontuais confirmariam a disponibilidade dos registros das transações. Dessa forma, a rede buscaria estabelecer confiança por meio de evidências matemáticas. O sistema reduziria, portanto, a repetição constante de cálculos entre os participantes.
Funções paralelas e privacidade na rede
“O computador mundial criptográfico. Minha tentativa de expressar, de modo relativamente conciso, o verdadeiro significado de praticamente tudo que está planejado para o Ethereum a partir do fork posterior a Hegotá. Ele realmente não é mais apenas uma blockchain. É um híbrido…”
Vitalik Buterin, no X
Sob esse modelo, computadores diferentes poderiam assumir tarefas específicas e verificar os resultados uns dos outros. No entanto, o Ethereum ainda precisaria solucionar conflitos relacionados à ordenação das operações. Por exemplo, a rede teria de definir qual pagamento chegou primeiro quando duas transações gastassem os mesmos fundos. Essa coordenação continuaria essencial para manter a consistência dos registros.
Os planos de privacidade de Buterin também vão além dos pagamentos. Ele pretende ocultar as consultas usadas para verificar os saldos das carteiras. Atualmente, servidores conseguem identificar quais endereços os usuários acompanham, mesmo quando os valores permanecem protegidos. Logo, a proposta busca preservar tanto os dados financeiros quanto os padrões de consulta.
Na projeção para 2030, os pagamentos poderiam atingir finalidade entre oito e 32 segundos. Isso significa que as operações se tornariam irreversíveis sob a perspectiva da rede. Contudo, Buterin reconheceu que aplicações complexas ainda enfrentariam custos e limitações de privacidade. Esses obstáculos exigiriam novos avanços antes da adoção ampla do modelo.
Hegotá não elimina todos os desafios técnicos
A produção de provas ainda precisa ganhar eficiência para alcançar uso em larga escala. Além disso, desenvolvedores do Ethereum tentaram distribuir o trabalho de verificação há cerca de uma década. Na época, faltava um método confiável para confirmar o cumprimento das tarefas. Como resultado, a abordagem não oferecia as garantias necessárias.
As tentativas anteriores atribuíam tarefas específicas a grupos menores de validadores. Entretanto, esse formato criava atrasos de coordenação e riscos quando algum grupo falhava. Buterin argumenta que as provas podem preencher essa lacuna. Cada resposta viria acompanhada de evidência matemática de que o participante seguiu as regras.
O modelo de transações protegidas da Zcash já demonstra parte dessa ambição de privacidade. Na sexta-feira anterior à publicação, cerca de 4,9 milhões de ZEC estavam em pools protegidos. Ainda assim, o setor precisa reduzir o custo das provas. Também precisa coordenar atualizações paralelas de saldos compartilhados.

Resistência quântica deve ganhar espaço
Hegotá não será, isoladamente, o fork dedicado à resistência quântica. Todavia, Buterin colocou a criptografia segura contra computadores quânticos entre os temas das atualizações posteriores. Ferramentas de verificação formal e um proof-of-stake otimizado também integram essa visão. A mudança deverá ocorrer gradualmente durante os próximos ciclos de desenvolvimento.
A distinção importa para quem acompanha o roteiro do Ethereum. Os hard forks devem continuar, embora seus objetivos possam mudar. Desse modo, provas matemáticas poderão ocupar uma posição central na construção de confiança. Custos, privacidade e coordenação, entretanto, continuarão como desafios técnicos relevantes.
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