Treasury yields deixam Bitcoin sob pressão

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Treasury yields voltaram ao centro da leitura macro do mercado nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, após o perfil @BullTheoryio afirmar no X que os rendimentos dos títulos dos Estados Unidos renovaram máximas de vários anos. A publicação citou uma alta média de cerca de 40 pontos-base nos papéis de 10, 20 e 30 anos desde a fala do secretário do Tesouro, Scott Bessent, na qual ele desafiou traders a apostar contra sua estratégia.

O tema importa para o mercado cripto porque os Treasuries funcionam como referência global de custo de capital. Quando os rendimentos sobem rápido, ativos sem rendimento próprio, como Bitcoin, ações de crescimento e tokens mais voláteis disputam recursos com títulos considerados mais seguros.

O que os dados oficiais mostram

Os dados do Tesouro dos Estados Unidos mostram que, em 25 de setembro de 2026, o rendimento do Treasury de 10 anos fechou em 5,17%. No mesmo fechamento oficial, o papel de 20 anos ficou em 5,54%, enquanto o de 30 anos atingiu 5,49%.

Além disso, a curva já vinha sob forte estresse na semana anterior. Em 24 de setembro, a MarketScreener, com base em reportagem da Dow Jones, informou que o rendimento de 10 anos chegou a 5,165%, o maior nível desde julho de 2007, antes de fechar em 5,163%. A mesma reportagem apontou o rendimento de 30 anos em 5,460%, maior patamar desde junho de 2004.

No entanto, a comparação do post com 2002 exige cautela. O próprio Tesouro informa que a série de 30 anos deixou de ser publicada em fevereiro de 2002 e voltou em fevereiro de 2006. Por isso, a leitura de máxima histórica para esse vencimento depende do recorte usado. A sinalização central do tweet, porém, encontra respaldo nos dados recentes: os juros longos dos Estados Unidos estão em níveis não vistos há muitos anos.

Por que os juros longos pesam no Bitcoin

A alta dos Treasury yields afeta o Bitcoin por dois canais principais. Primeiro, títulos públicos com rendimento acima de 5% elevam o retorno disponível em instrumentos de menor risco. Segundo, juros maiores encarecem posições alavancadas e reduzem a disposição de traders para manter exposição a ativos voláteis.

Esse efeito apareceu no mercado cripto nos últimos dias. A CoinDesk informou em 24 de setembro que o Bitcoin negociava perto de US$ 83.900, com queda superior a 2% em 24 horas, enquanto Dogecoin recuava 7% e Zcash, XRP e Hyperliquid caíam entre 5% e 6%. Segundo a reportagem, petróleo em alta, atividade empresarial forte nos EUA e demanda fraca em leilão de notas do Tesouro ajudaram a pressionar os rendimentos.

Consequentemente, o movimento dos Treasuries não representa apenas um dado de renda fixa. Ele altera o preço do risco em diferentes mercados. Para criptoativos, isso significa que entradas em ETFs, narrativas de adoção institucional e eventos técnicos podem perder força quando a taxa livre de risco sobe rapidamente.

Scott Bessent e os vigilantes dos títulos

O comentário de @BullTheoryio também citou a fala de Scott Bessent. Segundo reportagem do The Japan Times, o secretário do Tesouro disse em evento na Southern Methodist University que tinha boa visibilidade sobre o que autoridades japonesas e o Banco do Japão fariam em relação ao iene. Na mesma fala, afirmou que traders poderiam apostar contra ele, se quisessem.

A frase repercutiu porque ocorreu em um momento de tensão entre câmbio, dívida pública e expectativas para a política monetária. Além disso, o mercado passou a testar a capacidade do Tesouro de suavizar a alta dos juros longos por meio de recompras e sinalizações públicas.

Em 24 de setembro, a MarketScreener também relatou que o Tesouro comprou US$ 4,1 bilhões em uma operação de recompra de títulos longos, abaixo do limite máximo de US$ 6 bilhões definido para a operação. Ao mesmo tempo, investidores exigiram rendimentos maiores para absorver nova dívida, o que reforçou a leitura de aperto financeiro.

O ponto de atenção para cripto

Para o investidor de cripto, o ponto central não é apenas o nível absoluto dos juros. A velocidade do movimento também pesa. Uma alta rápida dos Treasuries pode forçar ajustes em carteiras alavancadas, ampliar liquidações e reduzir a liquidez em mercados que negociam 24 horas por dia.

Ainda assim, o impacto não precisa seguir uma linha única. Em alguns momentos, o Bitcoin pode atrair demanda como reserva alternativa diante de preocupações fiscais. Em outros, pode se comportar como ativo de risco e cair junto com ações de tecnologia. Por isso, a leitura atual exige acompanhar simultaneamente a curva de juros, o dólar, o petróleo e os fluxos de produtos cripto.

Assim, o tweet de @BullTheoryio resume uma tensão real do mercado. Os rendimentos dos Treasuries seguem próximos de máximas de vários anos, enquanto investidores testam a força das intervenções e discursos oficiais. Para o Bitcoin, esse ambiente mantém a macroeconomia como um dos principais fatores de curto prazo.

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