Ações da BMW caem após plano de IA e cortes de cargos

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BMW reorganiza gestão e amplia uso de inteligência artificial

As ações da BMW recuaram levemente na quarta-feira, após a montadora apresentar um amplo plano de recuperação. O anúncio ocorreu durante um evento com investidores na Baviera. Em 12 meses, os papéis perderam mais de um terço do valor. Assim, as ações permanecem perto da mínima em mais de seis anos.

Para reagir, a estratégia reúne cortes de cargos, novos modelos e maior uso de inteligência artificial. Com isso, a BMW pretende reduzir camadas de gestão e acelerar decisões internas. Ao mesmo tempo, a empresa aplicará IA no desenvolvimento de veículos, nas compras, nas vendas e no pós-venda. O plano busca tornar a operação mais ágil diante da crescente concorrência global.

Até meados de 2027, a montadora reduzirá em 20% suas divisões e seus cargos de gestão. Também haverá uma redução semelhante nos níveis abaixo da administração. A medida decorre de um acordo firmado em julho com representantes dos trabalhadores. Na prática, a reorganização mudará parte da estrutura administrativa da empresa.

O entendimento pode afetar até 8.000 funcionários administrativos na Alemanha. No fim de 2025, a BMW empregava pouco menos de 155.000 pessoas no mundo. Enquanto isso, a companhia busca simplificar processos e tornar sua estrutura operacional mais enxuta.

Cartão das ações BMWYY

 

Metas de margem indicam recuperação gradual

A BMW estabeleceu uma meta de margem automotiva entre 3% e 5% até 2028. A faixa representa um avanço diante dos 2,3% registrados no trimestre mais recente. Ainda assim, a companhia não espera uma melhora significativa antes de 2028. Portanto, o plano projeta uma recuperação financeira gradual.

Para o início da década de 2030, a empresa busca margens entre 8% e 10%. Como referência, a margem automotiva alcançou 5,3% em 2025. Desse modo, a BMW pretende recuperar rentabilidade ao longo de vários anos. O cronograma também mostra que a empresa não prevê uma reversão imediata.

O CEO Milan Nedeljkovic assumiu o cargo em maio, depois de comandar a área de produção. Segundo o executivo, o plano responde à concorrência cada vez mais intensa enfrentada pelo setor automotivo. Durante o evento, ele ressaltou que a iniciativa não busca apenas gerar economias. Em sua avaliação, a reorganização deve transformar a forma como a empresa opera.

“Não é um programa de redução de custos.”

A China continua sendo o principal desafio para a montadora alemã. Nos últimos anos, compradores chineses migraram em grande número para marcas locais. Como resultado, a BMW também enfrenta uma perda de espaço nesse mercado. Por isso, a empresa planeja localizar uma parcela maior de sua produção no país.

Paralelamente, a BMW pretende trabalhar com parceiros chineses em tecnologias de direção autônoma e software. A montadora também avalia exportar veículos produzidos na China para o Sudeste Asiático. Dessa forma, a companhia busca aproveitar sua estrutura local para atender outros mercados. A estratégia poderá ampliar o papel das fábricas chinesas na operação global.

As tarifas dos Estados Unidos adicionam pressão ao plano de recuperação. Contudo, a fábrica de Spartanburg reduz parte dessa exposição comercial. A unidade instalada na Carolina do Sul também ocupa uma posição importante nas exportações da montadora.

Novos veículos para Europa e Estados Unidos

No portfólio, a BMW planeja lançar um veículo elétrico de entrada na Europa a partir de 2028. O modelo utilizará a plataforma Neue Klasse, base da próxima geração de veículos com maior presença de software. Já nos Estados Unidos, a empresa prepara um novo veículo de luxo com perfil esportivo. A montadora busca atender demandas diferentes nos dois mercados.

Esses veículos combinam o espaço de um SUV com uma condução mais esportiva. Além disso, modelos desse tipo já registraram boas vendas para a marca. Atualmente, Spartanburg produz os modelos X3, X5, X6, X7 e XM. A maior parte da produção segue para exportação, enquanto a fábrica opera em capacidade máxima.

Agora, a BMW procura alternativas para ampliar a fabricação desses modelos em outros locais. Volkswagen e Mercedes-Benz também anunciaram programas semelhantes de redução de pessoal. Ambas enfrentam demanda fraca e maior concorrência de fabricantes chineses. A BMW ainda avalia novas medidas e espera tomar decisões até a primavera de 2027.

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