Ibovespa sobe 4,71% e chega 192 mil pontos antes do 1º turno

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O Ibovespa encerrou a semana de 28 de setembro a 2 de outubro com alta de 4,71%, aos 192.114,55 pontos. O resultado interrompeu duas semanas consecutivas de perdas e levou o índice ao maior nível de fechamento desde abril. Na sexta-feira, último pregão antes do primeiro turno das eleições, a alta chegou a 2,63%, em uma sessão marcada por forte volatilidade e intenso ajuste de posições.

Payroll muda o humor dos mercados

O principal impulso externo veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego de setembro mostrou a criação de apenas 29 mil vagas fora do setor agrícola. O número ficou abaixo das 90 mil vagas esperadas pelos economistas, enquanto os dados de julho e agosto também passaram por revisões para baixo. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2%, e o salário médio por hora avançou 0,1% no mês.

O conjunto dos dados reduziu a pressão sobre o Federal Reserve, que vinha sendo acompanhado de perto pelos investidores por causa da possibilidade de novas altas de juros. Após o payroll, as expectativas de aumento da taxa em outubro diminuíram de forma significativa. Dados de mercado citados no Texto 2 indicaram queda da probabilidade de 64,2% na semana anterior para 21,6% após a divulgação.

A mudança de percepção também favoreceu as bolsas americanas. O Nasdaq avançou mais de 1,1%, enquanto o ambiente de menor pressão sobre os juros ajudou a aliviar o custo de capital para ativos de mercados emergentes. No Brasil, esse movimento externo encontrou uma bolsa que já vinha sendo negociada em um ambiente de elevada sensibilidade às eleições.

Ibovespa vira após sessão de forte volatilidade

A sexta-feira começou positiva, mas o Ibovespa perdeu força durante o pregão, chegou ao campo negativo e renovou mínimas. Na segunda metade da sessão, porém, o fluxo comprador ganhou intensidade e levou o índice a terminar próximo da máxima intradiária de 192.118,70 pontos. Das 76 ações da carteira teórica, 72 fecharam em alta, segundo os dados divulgados após o pregão.

Um dos fatores apontados por profissionais de mercado foi o encerramento de posições vendidas. Nesse tipo de operação, investidores apostam na queda dos ativos e precisam recomprar as ações para encerrar as posições quando o mercado se move na direção contrária. Esse processo pode acelerar uma alta quando muitos investidores fazem o ajuste ao mesmo tempo.

O movimento ganhou força justamente no último pregão antes do primeiro turno, quando gestores precisavam definir a exposição das carteiras ao cenário eleitoral. A dinâmica, portanto, combinou fatores externos e domésticos: o payroll reduziu a pressão vinda dos juros americanos, enquanto o mercado brasileiro passou por um reposicionamento antes da votação. O giro financeiro da B3 chegou a R$ 31,1 bilhões na sexta-feira.

Abaixo está o gráfico com a trajetória diária do índice ao longo do período:

Fonte: Google

 

Bancos e Petrobras puxam a recuperação

As ações de maior peso no índice contribuíram para a alta da sessão. Petrobras avançou 2,81%, enquanto Bradesco subiu 3,67% e Banco do Brasil ganhou 3,04%. O desempenho desses papéis teve peso relevante na recuperação do Ibovespa, especialmente porque bancos e estatais concentraram parte do fluxo comprador observado no fim do pregão.

Entre as maiores altas do dia, Hapvida avançou 11,91% e Natura ganhou 10,37%. Já no acumulado da semana, algumas empresas ficaram na contramão do índice. A Minerva recuou 5,13%, em meio à confirmação de sobretaxas chinesas sobre a carne bovina brasileira acima da cota anual, enquanto a Embraer caiu 3,22%.

No caso da Embraer, o movimento veio após a divulgação de entregas do terceiro trimestre abaixo das projeções mencionadas no material de origem. Já a Minerva sofreu com a perspectiva relacionada ao comércio de carne bovina com a China. Assim, enquanto os papéis ligados ao fluxo financeiro e ao reposicionamento eleitoral sustentaram o índice, fatores específicos limitaram os ganhos de algumas companhias.

Dólar e juros também refletem a cautela

O mercado de câmbio apresentou comportamento diferente do observado na bolsa. O dólar chegou a operar perto de R$ 5,18 durante a manhã, beneficiado pelo ambiente externo mais favorável às moedas emergentes. No entanto, a busca por proteção antes do fim de semana eleitoral reduziu as perdas ao longo da tarde.

A moeda americana terminou a sexta-feira com queda de 0,08%, a R$ 5,2158, mas acumulou alta de 0,7% na semana. O comportamento mostrou que o alívio provocado pelos dados americanos não eliminou a cautela doméstica. A proximidade da apuração do primeiro turno manteve a demanda por proteção no câmbio.

Os juros futuros também oscilaram durante a sessão. No início do pregão, as taxas subiram com a cautela diante do cenário político, mas depois recuaram conforme o Ibovespa ganhou força e o payroll reduziu a percepção de pressão sobre os juros americanos. O DI para janeiro de 2028 caiu de 13,565% para 13,51%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 recuou de 13,82% para 13,75%.

Nos vencimentos mais longos, o DI para janeiro de 2031 passou de 14,035% para 13,99%. O movimento reforçou a leitura de que o mercado ajustou simultaneamente posições em ações, câmbio e juros antes das eleições. Para a próxima semana, portanto, o resultado das urnas passa a dividir espaço com os próximos indicadores econômicos na formação dos preços dos ativos.

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