Bitcoin: FMI libera US$ 139 milhões a El Salvador

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou um desembolso de US$ 139 milhões para El Salvador. Ao mesmo tempo, a instituição voltou a pressionar o país para reduzir o envolvimento estatal com o Bitcoin. Embora tenha elogiado o desempenho econômico salvadorenho, o órgão apontou pendências ligadas à acumulação da criptomoeda. Por isso, o apoio financeiro continua acompanhado de exigências sobre as atividades estatais relacionadas ao Bitcoin.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o FMI informou que concluiu a segunda e a terceira revisões do programa de financiamento. Conforme a instituição, a atividade econômica superou as expectativas durante o período avaliado. O Fundo atribuiu parte do resultado às melhorias sustentadas na segurança e ao aumento da confiança dos investidores. Com isso, o país manteve avanços no enfrentamento de seus desequilíbrios macroeconômicos.

Estratégia de Bitcoin permanece entre as exigências

El Salvador adotou o Bitcoin como moeda legal em 2021, decisão que recebeu críticas do FMI e de outras grandes instituições. Na época, o país latino-americano também negociava um empréstimo de desenvolvimento com o Fundo. Posteriormente, as partes fecharam um acordo de crédito de US$ 1,4 bilhão no fim de dezembro. Contudo, o FMI condicionou o programa à redução de aspectos específicos da estratégia salvadorenha para a criptomoeda.

O Fundo reconheceu que El Salvador não cumpriu alguns critérios de desempenho, incluindo metas ligadas à acumulação de Bitcoin. Ainda assim, a instituição concedeu dispensas após avaliar medidas corretivas e compromissos renovados pelo governo. O órgão também declarou que o Estado está reduzindo seu envolvimento em atividades relacionadas ao Bitcoin. Após o anúncio, Nayib Bukele destacou publicamente a avaliação favorável sobre o desempenho da economia.

“A economia de El Salvador continua apresentando um desempenho forte.”

Nayib Bukele, no X

 

Governo e FMI divergem sobre novas compras

Em setembro, o FMI afirmou que El Salvador não realizava novas compras de Bitcoin. Entretanto, o Escritório de Bitcoin do país declarou repetidamente que o governo continuava adquirindo a criptomoeda. Desde 2022, Bukele sustenta que o país compraria um Bitcoin por dia. No entanto, o governo nunca esclareceu completamente a origem dos recursos nem apresentou confirmação detalhada de todas as aquisições.

Em outra manifestação feita em setembro, o Fundo afirmou que El Salvador não usava recursos públicos para acumular Bitcoin. A avaliação abrangia, ao menos, parte do período analisado pela instituição. Em vez disso, o órgão informou que o país recebeu unidades da criptomoeda por meio de doações privadas. Dessa forma, o FMI reforçou sua posição de limitar a exposição estatal ao Bitcoin.

Por outro lado, as autoridades salvadorenhas mantiveram a narrativa de continuidade da estratégia. Em 2021, o Estado distribuiu Bitcoin aos cidadãos e lançou uma carteira digital para ampliar o uso da tecnologia. Porém, Bukele admitiu em 2024 que a população não utilizava o Bitcoin em compras como o governo esperava. Apesar disso, o presidente continuou afirmando que o país acumulava satoshis.

O novo desembolso indica que o FMI reconheceu os avanços econômicos apresentados por El Salvador durante as revisões. Ao mesmo tempo, a instituição manteve restrições sobre a política estatal de Bitcoin. O Fundo afirmou que não prevê novas compras governamentais além das doações documentadas. Assim, o acordo preserva a divergência entre a estratégia defendida pelo governo e as condições estabelecidas pela instituição internacional.

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