Fairshake destina US$ 6 milhões a seis deputados
A Fairshake anunciou um plano inicial de US$ 6 milhões para apoiar seis deputados federais dos Estados Unidos nas eleições legislativas de 2026. O comitê fará gastos eleitorais independentes de US$ 1 milhão em favor de cada parlamentar, sem realizar doações diretas às campanhas. A iniciativa faz parte de uma lista com 32 integrantes da Câmara apoiados pela organização ligada ao setor de criptomoedas. Assim, a Fairshake amplia sua participação no atual ciclo eleitoral.
O grupo dividirá o primeiro aporte igualmente entre os dois principais partidos. Três democratas e três republicanos integram essa rodada de investimentos. Além disso, todos os 32 parlamentares anunciados votaram pelo avanço da Lei de Clareza do Mercado de Ativos Digitais, conhecida como CLARITY Act.
Comitê seleciona parlamentares dos dois partidos
Entre os democratas selecionados estão Janelle Bynum, do Oregon, Derek Tran, da Califórnia, e Steven Horsford, de Nevada. Já entre os republicanos aparecem French Hill, do Arkansas, Bill Huizenga, de Michigan, e Bryan Steil, de Wisconsin. Coinbase, Ripple Labs e a empresa de capital de risco Andreessen Horowitz apoiam o comitê. Dessa forma, o financiamento reúne algumas das principais empresas do setor.
Geoff Vetter, porta-voz da organização, afirmou que as posições dos candidatos sobre políticas para criptomoedas orientam a atuação eleitoral. Segundo ele, o apoio alcança integrantes dos dois partidos. Nesse contexto, a entidade prioriza candidatos que considera favoráveis à inovação nos Estados Unidos.
“A Fairshake sempre foi e sempre será uma organização focada em temas. Nós apoiamos candidatos pró-cripto que defendem a inovação americana em ambos os partidos.”
Os três republicanos ocupam posições relevantes no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, conforme relatou a Roll Call. Hill preside o colegiado, enquanto Huizenga atua como vice-presidente. Por sua vez, Steil lidera o subcomitê de ativos digitais, tecnologia financeira e inteligência artificial. A lista completa também inclui líderes partidários como Tom Emmer, Lisa McClain e Pete Aguilar.
Histórico eleitoral da rede Fairshake
Jason Smith, presidente do Comitê de Meios e Recursos, e Glenn Thompson, presidente do Comitê de Agricultura, também recebem apoio. Da mesma forma, a lista inclui Brendan Boyle, principal democrata do Comitê de Orçamento. Em primárias e eleições especiais anteriores, a Fairshake e suas afiliadas gastaram US$ 40 milhões em apoio a 29 democratas. Paralelamente, a rede destinou US$ 31 milhões a disputas envolvendo 28 republicanos.
Vetter afirmou que os candidatos apoiados pela rede venceram 53 das 57 disputas nas quais ela participou. Portanto, o comitê apresenta seu histórico eleitoral como sinal da eficácia dos gastos independentes. Ao mesmo tempo, a nova rodada mantém a estratégia bipartidária adotada nos ciclos anteriores.
Votação do CLARITY Act orienta os apoios
A Fairshake informou que todos os 32 parlamentares de sua lista votaram para avançar o CLARITY Act. A proposta, apoiada pela indústria, busca estabelecer uma estrutura federal para os mercados de ativos digitais. Antes disso, a Stand With Crypto, apoiada pela Coinbase, também havia endossado 32 deputados favoráveis ao projeto em julho de 2025. Desse modo, o posicionamento regulatório tornou-se um critério relevante para as duas organizações.
Na ocasião, a lista da Stand With Crypto incluiu os republicanos Tom Emmer e Bill Huizenga. Também estavam presentes os democratas Ritchie Torres e Josh Gottheimer. Para exchanges dos Estados Unidos e outros participantes do setor, o texto definiria regras e dividiria a supervisão entre a SEC e a CFTC. A Câmara aprovou a proposta por 294 votos a 134.
No entanto, as negociações no Senado enfrentaram divergências sobre recompensas de stablecoins e supervisão de finanças descentralizadas. Os parlamentares também discutiram medidas contra lavagem de dinheiro e restrições às posses de criptomoedas por autoridades. Em setembro, uma votação processual não alcançou os 60 votos necessários para avançar a medida. Com isso, o projeto permaneceu paralisado antes das eleições de novembro.
Fairshake reserva recursos contra Sherrod Brown
Fora das disputas pela Câmara, a Fairshake preparou ao menos US$ 30 milhões para se opor ao ex-senador democrata Sherrod Brown em Ohio. Brown disputa uma eleição especial contra o senador republicano Jon Husted. Husted assumiu a cadeira em janeiro de 2025, após nomeação do governador Mike DeWine. Ele substituiu JD Vance, que se tornou vice-presidente dos Estados Unidos.
O vencedor da eleição de novembro cumprirá o restante do mandato de Vance até janeiro de 2029. Brown representou Ohio durante 18 anos antes de perder para o republicano Bernie Moreno em 2024. Naquela disputa, a rede Fairshake gastou mais de US$ 40 milhões para apoiar Moreno. Agora, o grupo pretende novamente concentrar recursos contra Brown.
O democrata presidiu o Comitê Bancário do Senado e manifestou preocupações sobre riscos aos consumidores. Brown também abordou lavagem de dinheiro e financiamento ilícito envolvendo ativos digitais. Enquanto isso, Vetter afirmou em agosto que a Fairshake tinha US$ 122 milhões disponíveis. O objetivo declarado consiste em ajudar a formar a maior bancada pró-cripto da história dos Estados Unidos.
Contribuições do setor aumentam no ciclo eleitoral
A Protect Progress costuma apoiar democratas, enquanto a Defend American Jobs concentra esforços em republicanos. Em Illinois, porém, mais de US$ 10 milhões gastos pela rede não impediram a vitória de Juliana Stratton na indicação democrata ao Senado. Em junho, a Public Citizen calculou contribuições de US$ 189 milhões de empresas e grupos ligados ao setor. Posteriormente, uma nova análise elevou esse total para US$ 206 milhões.
O levantamento usou documentos da Comissão Federal de Eleições. Conforme os registros, as contribuições corporativas de todos os setores alcançaram US$ 646 milhões, ante US$ 461 milhões em todo o ciclo de 2024. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, a Fairshake recebeu US$ 137,4 milhões e desembolsou US$ 88,7 milhões. Dessa quantia, US$ 65 milhões seguiram para comitês afiliados.
Cerca de US$ 13,3 milhões financiaram gastos independentes durante o período analisado. Nesse cenário, o novo pacote de US$ 6 milhões amplia a atuação eleitoral da Fairshake. Ao mesmo tempo, o debate regulatório sobre ativos digitais continua paralisado no Senado.
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