CLARITY Act: French Hill cobra lei permanente nos EUA

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O presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, French Hill, voltou a defender uma lei permanente para o setor cripto nos Estados Unidos. Segundo o republicano do Arkansas, medidas da SEC e da CFTC não substituem uma solução aprovada pelo Congresso. Além disso, o Senado terá somente 22 dias de sessões após as eleições de novembro.

Em entrevista à Fox Business, em 7 de outubro, Hill reconheceu avanços das agências na regulamentação de ativos digitais. No entanto, ele afirmou que essas iniciativas ficam aquém de uma resposta legislativa. Para o congressista, a mudança legal precisa garantir a liderança americana em ativos digitais e tecnologia blockchain.

“Precisamos dessa mudança permanente na lei para garantir que os Estados Unidos sejam o número um em ativos digitais e tecnologia blockchain.”

Hill defende a aprovação do CLARITY Act durante a sessão de transição legislativa. Esse período ocorre depois das eleições de meio de mandato e antes da posse do novo Congresso, em janeiro. Nesse contexto, os parlamentares já saberão se retornarão a Washington ou deixarão seus cargos no começo do ano.

Projeto ainda depende de acordo no Senado

O revés no Senado ocorreu durante a tentativa de abrir o debate sobre o projeto, não em uma votação final. Em 15 de setembro, a moção recebeu 49 votos favoráveis e 50 contrários. Um senador esteve ausente, enquanto os apoiadores ficaram 11 votos abaixo dos 60 necessários. Ainda assim, o resultado não encerrou a tramitação.

O senador republicano Thom Tillis mudou seu voto para não e apresentou uma moção para revisar a decisão. Dessa forma, o texto pode retornar à pauta caso o Senado alcance um novo entendimento. A Câmara, por sua vez, aprovou sua versão do H.R. 3633 em julho de 2025, por 294 votos a 134.

O placar na Câmara incluiu o apoio de 78 democratas. Entretanto, mudanças relevantes feitas pelo Senado exigiriam uma conciliação entre as duas Casas. Somente depois desse processo o projeto poderia seguir para o presidente.

Ética e proteção ao investidor travam negociações

Após a votação de setembro, negociadores democratas afirmaram que as salvaguardas éticas continuavam sem solução. A senadora Angela Alsobrooks pediu restrições para o atual presidente, futuros presidentes e integrantes do Congresso. Ao mesmo tempo, ela manteve o apoio à legislação sobre ativos digitais.

Os patrocinadores republicanos apresentaram outra versão das negociações. Segundo eles, o rascunho de 14 de setembro incorporou 126 alterações substantivas solicitadas pelos democratas. As mudanças envolveram ética, atuação de procuradores-gerais estaduais e poderes do Tesouro sobre fuga de depósitos ligada a stablecoins.

SEC e CFTC usam os poderes existentes

As declarações de Hill vieram após anúncios do presidente da SEC, Paul Atkins, e do presidente da CFTC, Michael Selig. Ambos indicaram que suas agências avançariam com regras para criptomoedas sob a orientação do presidente Donald Trump. Contudo, essas ações dependem das atribuições que os reguladores já possuem.

A CFTC supervisiona derivativos, incluindo futuros, opções e swaps de criptomoedas. A agência também pode combater fraudes e manipulação em transações à vista de commodities. Porém, seus poderes atuais não permitem a supervisão rotineira de exchanges à vista, como ocorre com plataformas registradas de derivativos.

No modelo proposto pelo CLARITY Act, commodities digitais qualificadas ficariam, em geral, sob supervisão da CFTC. Atividades relacionadas a valores mobiliários permaneceriam sob responsabilidade da SEC. Além disso, o projeto criaria exigências de registro para determinadas exchanges e outros participantes do mercado.

Na prática, a principal diferença para investidores americanos envolve qual regulador supervisionaria cada plataforma. Essa definição dependeria dos produtos negociados e das atividades realizadas. Com isso, a CFTC receberia autoridade adicional sobre mercados à vista de commodities digitais qualificadas.

Regras administrativas não substituem uma lei

A SEC publicou, em 17 de março, uma interpretação que descreveu cinco categorias de ativos. Posteriormente, uma proposta de agosto previu isenções para ofertas do setor de US$ 5 milhões e US$ 75 milhões. As medidas ficaram sujeitas a consulta pública.

Em 17 de setembro, a agência também emitiu uma isenção condicional para a negociação de ações tokenizadas. Na mesma data, uma medida da CFTC sobre mercados de criptomoedas entrou em revisão da Casa Branca. O processo ainda estava na fase preliminar de elaboração normativa.

Michael Selig havia afirmado, em agosto, que a CFTC buscaria regras de estrutura de mercado independentemente do destino do projeto. Mesmo assim, essas providências não equivalem ao regime estatutário previsto no CLARITY Act. O projeto estabeleceria uma estrutura permanente para o mercado à vista.

O ex-congressista democrata Tim Ryan avaliou que um acordo ainda pode surgir na sessão de transição. Para isso, ambos os lados precisariam retomar as negociações e fazer concessões. Membro do conselho da Shyft Policy, ele citou ética, proteção ao consumidor, finanças ilícitas e recompensas de stablecoins como temas pendentes.

Ryan também afirmou que o apoio a regras federais para criptomoedas continua bipartidário. Para ele, empresas americanas que investem recursos e contratam trabalhadores precisam de decisões regulatórias duradouras. Embora ações administrativas ajudem durante as negociações, investimentos de longo prazo exigem um marco mais estável.

Reguladores acumulam sete vagas de comissários

Em 7 de outubro, SEC e CFTC somavam sete vagas abertas para comissários. Hester Peirce anunciou sua saída da SEC na semana anterior. Assim, Paul Atkins e o comissário Mark Uyeda permaneceram como os únicos integrantes da comissão.

Na CFTC, Michael Selig acumulava os cargos de presidente e único comissário. Nesse cenário, a liderança reduzida dos reguladores reforça a pressão por uma norma aprovada pelo Congresso. O debate sobre o CLARITY Act dependerá de acordos políticos durante a curta janela posterior às eleições.

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