Polkadot lança dotUSD com reservas em USDT

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Em 8 de outubro, a Polkadot lançou a stablecoin dotUSD sem uma empresa emissora específica. O projeto busca reduzir preocupações sobre a centralização no mercado de stablecoins, avaliado em US$ 250 bilhões. No entanto, a primeira fase depende integralmente de reservas em USDT.

Inicialmente, a dotUSD funciona como uma representação do USDT, emitido pela Tether. Os usuários podem emitir dotUSD na proporção de um para um ao depositar USDT. Assim, cada unidade da nova stablecoin possui lastro direto em uma unidade de USDT mantida na reserva.

Liquidez inicial reúne USDT e DOT

O lançamento escalonado segue o referendo de governança 1944. A proposta autoriza a emissão de dotUSD mediante depósitos de USDT, respeitando um limite de oferta predefinido. Com isso, o USDT sustenta a estabilidade da dotUSD durante o estágio inicial. O modelo também permite que a rede teste a infraestrutura antes da próxima fase.

Para iniciar as negociações, a tesouraria da rede financia um pool de liquidez DOT-dotUSD no Asset Hub. As primeiras versões da proposta previam US$ 2,5 milhões em USDT e US$ 2,5 milhões em DOT. Depois, os valores caíram para US$ 1,5 milhão em cada componente. Dessa forma, o pool de lançamento totaliza US$ 3 milhões.

A Polkadot Community Foundation apresentou a proposta, mas afirma exercer apenas uma função administrativa. Segundo a entidade, ela não emite, opera nem mantém a custódia de dotUSD, DOT ou USDT. Ainda assim, a estrutura atual vincula a nova stablecoin às reservas administradas pela Tether.

A fundação atua como uma organização sem fins lucrativos no ecossistema da Polkadot. Nesse papel, ela facilita iniciativas de governança e desenvolvimento da rede. Por isso, sua participação não equivale à emissão direta da stablecoin. Porém, o sistema continua dependente do USDT durante a primeira fase.

StablecoinAtivo de lastroAutoridade emissoraLimite da primeira fase
dotUSDUSDTNenhuma (administrada, não emitida)Definido pela proposta
USDTReservas em dólar americano e equivalentesTether LimitedNão se aplica

 

Dependência do USDT preserva riscos de centralização

A proposta de governança alertou sobre a dependência de stablecoins centralizadas, como USDT e USDC. Essas emissoras podem congelar recursos, bloquear carteiras ou negar o acesso a determinados endereços. Muitas vezes, as empresas adotam essas medidas após solicitações de autoridades governamentais. Além disso, os usuários costumam ter recursos limitados para contestar as decisões.

Apesar desse alerta, a fase atual expõe os usuários da dotUSD aos mesmos riscos. Na prática, a nova stablecoin depende da disponibilidade das reservas em USDT. Caso a Tether congele a carteira associada à reserva, o valor e a liquidez da dotUSD podem sofrer impacto. Logo, a descentralização anunciada ainda não alcança o mecanismo de lastro.

Congelamentos da Tether ampliam preocupações

As atividades de congelamento da Tether possuem registros públicos. Em uma janela de 30 dias, a empresa teria congelado US$ 514 milhões em USDT distribuídos por 370 endereços. As operações ocorreram nas redes Ethereum e Tron. De forma acumulada, mais de US$ 1,26 bilhão entrou em listas de bloqueio durante 2025.

Os congelamentos raramente são revertidos, enquanto os poderes de intervenção da Tether enfrentam questionamentos judiciais. Em 6 de outubro, a empresa de pagamentos Conduit processou a Tether em um tribunal federal de Nova York. O caso envolve o congelamento de US$ 2,76 milhões. Conforme a Conduit, sua conta principal permaneceu bloqueada por mais de um ano.

A empresa alegou que a polícia brasileira confirmou não existir uma investigação sobre o endereço. Em outro processo, dois empresários tailandeses questionaram o congelamento de US$ 42,4 milhões em USDT. Segundo a alegação, a Tether bloqueou os recursos após pedidos informais de autoridades, antes da emissão de qualquer mandado. A empresa classificou as ações como infundadas e destacou sua cooperação com mais de 340 órgãos de segurança.

Fase com garantia em DOT continua sem data

A proposta mantém uma versão descentralizada da dotUSD como objetivo futuro. Na próxima etapa, o projeto pretende adotar cofres com garantia em DOT. O sistema também deverá incluir oráculo, pool de estabilidade, liquidações e mecanismo de resgate. Contudo, a Polkadot ainda não definiu uma data para essa atualização.

Os debates sobre uma stablecoin totalmente lastreada em DOT circulam na comunidade desde julho de 2025. Naquele mês, o cofundador Gavin Wood citou o projeto durante o Web3 Summit. Enquanto isso, o desenvolvimento da infraestrutura necessária permanece em andamento.

Por ora, a dotUSD opera como uma representação do USDT dentro do ecossistema da Polkadot. Portanto, seus usuários continuam expostos aos riscos relacionados às reservas administradas pela Tether. A migração para o modelo garantido por DOT dependerá da conclusão do protocolo e de futuras decisões de governança.

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