Chainalysis rastreia US$ 308 milhões em rede sancionada

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Em 8 de outubro, o Reino Unido sancionou três empresas de criptomoedas por supostas ligações com a economia de guerra russa. Os alvos incluem as processadoras Cryptomus e Heleket, ambas operadas pela Xeltox Enterprises Ltd., e a corretora quirguiz TokenSpot CJSC. A Chainalysis identificou conexões entre esses serviços e redes financeiras ilícitas. No caso da TokenSpot, a análise chegou a um endereço de depósito da HTX que recebeu mais de US$ 308 milhões.

Processadoras receberam recursos de redes ilícitas

O Escritório de Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento incluiu 38 entidades no pacote britânico anunciado em 8 de outubro. As medidas miram organizações que, conforme o governo, apoiam cadeias militares russas e estratégias de evasão de sanções. Portanto, as três empresas de criptomoedas integram uma ação mais ampla das autoridades britânicas.

De acordo com a Chainalysis, Cryptomus e Heleket receberam fundos associados a golpes, ransomware, lojas de fraude e redes criminosas organizadas. Os históricos também exibiram fluxos indiretos relacionados ao Grupo Lazarus, da Coreia do Norte, e ao ataque de US$ 1,4 bilhão à Bybit. Contudo, o relatório não afirmou que as plataformas participaram diretamente desses eventos. Ao todo, as duas processadoras receberam recursos de mais de 15 mil contrapartes ilícitas distintas.

Em diversas categorias, a exposição das empresas superou a de todos os serviços de mistura monitorados em conjunto. Essas categorias abrangeram golpes, jurisdições sancionadas, financiamento ao terrorismo e outras atividades ilícitas. Enquanto mixers tentam ocultar o percurso das transações, processadoras costumam facilitar transferências e conversões de criptomoedas. Nesse sentido, controles frágeis de identificação e conformidade podem favorecer a movimentação de recursos por agentes criminosos.

Atividade cresceu após ações contra outras plataformas

A apuração registrou uma alta no número de contrapartes ilícitas ligadas aos dois serviços no fim de 2025. Durante um único mês, esse total ultrapassou 900. Ainda assim, novas designações no período podem ter contribuído para o avanço. Além disso, a Chainalysis avaliou que ações contra outros serviços podem ter redirecionado parte da atividade.

Após autoridades desmantelarem a corretora russa Garantex em 2025, alguns usuários podem ter migrado para Cryptomus e Heleket. Por sua vez, a Cryptomus também enfrentou medidas regulatórias no Canadá. Em outubro de 2025, o FINTRAC aplicou uma multa de CAD 177 milhões por violações das regras contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Dessa forma, a sanção britânica amplia a pressão regulatória já existente contra a plataforma.

Mais cedo, o Reino Unido sancionou três serviços de criptomoedas ligados à economia de guerra russa. Nossos dados mostram como eles se encaixam em um ecossistema financeiro ilícito mais amplo.

Chainalysis, no X.

TokenSpot aparece em rede de evasão de sanções

A Chainalysis identificou vínculos entre a TokenSpot e as corretoras quirguizes Grinex e Meer. Ambas se conectavam à rede em torno da A7A5, uma criptomoeda lastreada em rublo e associada à evasão de sanções. Na sequência, a análise mostrou que fundos das três corretoras convergiram para o mesmo endereço de depósito da HTX. Esse endereço recebeu mais de US$ 308 milhões.

Segundo a análise realizada no Chainalysis Reactor, havia conexões com endereços ligados a Ilan Shor e ao swap instantâneo da A7A5. A empresa também rastreou a movimentação entre diferentes participantes dessa rede. O serviço de swap permite trocar unidades de A7A5 lastreadas em rublo por stablecoins vinculadas ao dólar americano.

Também surgiram semelhanças entre os sites da TokenSpot e da Meer. As duas empresas mantêm plataformas em russo para conversões entre criptomoedas e moedas fiduciárias, com layouts e elementos visuais parecidos. Contudo, essas características não comprovam, isoladamente, uma propriedade comum ou o compartilhamento de operadores.

O pacote britânico ainda incluiu empresas petrolíferas russas, instituições financeiras, fornecedores militares e 12 petroleiros da frota paralela. Com isso, o total de embarcações sob sanções britânicas superou 600. Para corretoras e processadoras, o caso demonstra como registros em blockchain podem revelar conexões entre serviços aparentemente independentes e ampliar o escrutínio de conformidade.

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