Tether: Senado questiona vínculo com Cantor Fitzgerald
O senador Richard Blumenthal pediu que a Cantor Fitzgerald detalhe sua relação comercial com a Tether, emissora da stablecoin USDT. A empresa deverá responder à solicitação até 23 de outubro. O pedido abrange custódia de reservas, receitas, participação acionária, sanções e contatos com autoridades. No entanto, a carta não conclui que as empresas violaram a lei.
A apuração separa duas funções distintas. A Cantor pode custodiar títulos do Tesouro dos Estados Unidos que lastreiam o USDT. Já a Tether administra os controles do USDT em blockchains públicas e pode congelar endereços específicos.
Senador cobra detalhes sobre reservas da Tether
Na carta de 8 de outubro, Blumenthal questionou a Cantor sobre os títulos mantidos para a Tether. Ele também pediu dados sobre diligência, auditorias e políticas contra lavagem de dinheiro. O documento ainda aborda uma possível exposição a violações de sanções. Por isso, a resposta poderá esclarecer o contrato e a divisão de responsabilidades entre as companhias.
Blumenthal é o principal democrata do Subcomitê Permanente de Investigações do Senado. Ele enviou a carta ao presidente da Cantor, Brandon Lutnick. Além disso, solicitou informações sobre receitas, taxas de custódia e os termos da participação acionária reportada. O senador também pediu que a empresa preserve os documentos relevantes.
A carta cita uma estimativa de que a Cantor detenha 5% da Tether. Essa participação teria valor aproximado de US$ 10 bilhões. Contudo, a cifra deriva de uma avaliação implícita, e não de um preço público de mercado. Até 9 de outubro, os materiais públicos examinados não indicavam uma resposta da empresa.
Relatório sobre o Irã motivou os questionamentos
Em 28 de setembro, o senador divulgou um relatório de investigadores democratas sobre carteiras vinculadas ao Irã e a grupos regionais aliados. A equipe analisou 846 endereços sancionados ou alvos de pedidos de apreensão. De acordo com o documento, 84% deles transacionaram exclusiva ou quase exclusivamente em USDT. O relatório também acusou a emissora de não congelar alguns endereços ligados a finanças ilícitas.
A amostra, porém, reuniu endereços associados a redes suspeitas. Portanto, ela não representa todas as carteiras que utilizam USDT. O resultado também não permite afirmar que 84% dos usuários da Tether sejam suspeitos. Essa distinção limita o alcance estatístico das conclusões.
A Tether apresentou outra versão em seu comunicado de 28 de setembro. A empresa afirmou que cooperou com autoridades dos Estados Unidos para congelar cerca de US$ 550 milhões ligados ao Irã em 2026. Entre os casos, estão mais de US$ 344 milhões em duas carteiras, em abril. A companhia também citou mais de US$ 130 milhões em quatro carteiras, em julho.
Como a emissora pode congelar endereços
A Tether mantém controles administrativos capazes de bloquear endereços específicos em redes compatíveis. Na prática, o bloqueio impede transferências do saldo por meio do contrato do USDT. A blockchain, entretanto, continua processando operações sem relação com esses endereços. Dessa forma, a medida depende da emissora, e não da custodiante dos títulos.
Um bloqueio não equivale à apreensão ou devolução automática dos recursos. O saldo pode permanecer no endereço sem possibilidade de movimentação. Posteriormente, a destruição, reemissão ou transferência dos valores pode exigir autorização legal. Esses procedimentos seguem etapas separadas do congelamento inicial.
“A Cantor Fitzgerald enfrenta escrutínio do Senado por seus laços com a emissora do USDT, Tether. Richard Blumenthal quer documentos sobre a participação reportada de 5% e as verificações de conformidade relacionadas a atividades supostamente ligadas ao Irã.”
Uma transferência de USDT entre carteiras independentes na TRON ou Ethereum não movimenta títulos custodiados pela Cantor. Em contrapartida, emissões e resgates podem alterar os ativos de reserva. A custodiante pode consultar valores mobiliários, instruções e informações sobre seu cliente direto. Ainda assim, ela não recebe automaticamente dados completos de cada usuário onchain.
Auditoria não substitui o controle de sanções
Auditorias financeiras podem examinar contas, ativos e passivos conforme um padrão definido. Entretanto, uma auditoria ou atestação de reservas não verifica cada transferência de USDT diante das regras de sanções. Essa análise exige procedimentos distintos, incluindo alertas, decisões internas e registros de escalonamento. Assim, reservas e monitoramento de carteiras representam áreas diferentes de controle.
A Tether anunciou a contratação de uma auditoria de uma empresa Big Four em março. Mais tarde, informou a conclusão de sua primeira auditoria completa das demonstrações financeiras de 2025. Mesmo assim, uma opinião sem ressalvas sobre dados históricos não esclarece transações individuais realizadas em 2026. Do mesmo modo, dúvidas sobre carteiras não comprovam a ausência de reservas em contas de custódia.
Resposta pode definir responsabilidades
A resposta da Cantor poderá indicar quais ativos e contas a empresa custodia. Também poderá esclarecer quem autoriza negociações e quais informações chegam à custodiante. Nesse contexto, a empresa deve explicar como trata alertas de sanções e processos de diligência. O prazo de 23 de outubro marca apenas a data solicitada para a resposta.
O caso também envolve Howard Lutnick, antigo líder da Cantor e atual secretário de Comércio dos Estados Unidos. A carta solicita documentos sobre desinvestimento, distribuições familiares e comunicações posteriores à saída do executivo. Ainda assim, essas questões dependem de registros financeiros e datas específicas. A análise isolada das transferências de USDT não oferece essas respostas.
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