Fed pode pausar altas com inflação ainda acima de 2%

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O Fed pode interromper as altas de juros antes que a inflação retorne à meta de 2%. Para isso, as autoridades precisam concluir que a economia já caminha nessa direção sem outro aperto monetário. Assim, a decisão dependerá de sinais consistentes nos preços, no crédito e no emprego.

Na reunião de setembro, gastos robustos e aumentos persistentes de preços superaram os efeitos do crédito caro. Por isso, o comitê elevou por unanimidade a taxa dos fundos federais para a faixa de 3,75% a 4%. As atas divulgadas em 7 de outubro mostram que a maioria ainda esperava outra alta até o fim do ano. No entanto, os participantes divergiam sobre a razão para elevar os juros novamente.

Fed procura sinais amplos de desaceleração dos preços

Parte do grupo via taxas maiores como proteção contra uma inflação persistente. Enquanto isso, outros integrantes avaliavam que a força da economia exigiria juros mais altos de qualquer forma. Em contrapartida, dados mais fracos poderiam reduzir a necessidade de uma medida preventiva.

Juros mais altos encarecem empréstimos e tornam a poupança mais atraente. Dessa forma, eles reduzem parte do consumo e dificultam o repasse de custos pelas empresas. Os efeitos levam tempo, porém, e atingem grupos econômicos de formas diferentes.

Compradores de imóveis podem recuar diante de hipotecas caras. Ainda assim, empresas com caixa elevado conseguem manter investimentos mesmo quando o crédito fica mais restritivo. Além disso, famílias com maior patrimônio podem sustentar o consumo por mais tempo.

O Fed não produz petróleo nem elimina tarifas de importação. Porém, o banco central pode reduzir a demanda e evitar que choques pontuais gerem inflação persistente em toda a economia. Em setembro, as autoridades citaram energia cara e gastos intensos com equipamentos e centros de dados voltados à inteligência artificial.

Nesse período, algumas empresas pareciam repassar custos aos consumidores com maior facilidade. Vários participantes também destacaram novas altas nos serviços fora do setor de habitação. Com isso, consumidores dispostos a gastar poderiam sustentar outros reajustes, mesmo diante de combustíveis mais baratos.

Queda da inflação exige mais que revisões estatísticas

Relatórios sucessivos com aumentos menores em diferentes categorias dariam mais espaço para o Fed esperar. Afinal, inflação em queda significa apenas que os preços continuam subindo em ritmo mais lento. Por essa razão, alimentos ainda podem parecer caros mesmo quando os indicadores melhoram.

As autoridades buscariam evidências de que as empresas perderam a capacidade ou a necessidade de cobrar mais. Portanto, uma desaceleração concentrada em poucas categorias não seria suficiente para confirmar uma tendência duradoura. Ao mesmo tempo, mudanças metodológicas exigem uma análise cuidadosa dos resultados.

As atas mencionaram uma revisão planejada no cálculo da inflação. A mudança reduziria a contribuição dos preços de software e das taxas de gestão de investimentos para o índice. Entretanto, uma leitura menor após essa revisão não provaria que as empresas reduziram seus reajustes.

Os integrantes avaliaram que as expectativas de inflação ainda apontavam para a meta de 2% no longo prazo. Ainda assim, mais anos acima da meta poderiam levar trabalhadores a pedir salários maiores. Desse modo, empresas também poderiam planejar aumentos mais intensos de preços.

Mercado de trabalho limita novos aumentos de juros

O mandato do Fed para apoiar o emprego limita até onde pode avançar o encarecimento do crédito. Em setembro, os participantes identificaram emprego estável e desemprego relativamente baixo. Portanto, ainda havia espaço para combater a inflação sem comprometer imediatamente o mercado de trabalho.

A maioria considerou que o mercado de trabalho havia ganhado alguma força. Contudo, alguns integrantes não viam o emprego como uma fonte atual de pressão inflacionária. Outros participantes destacaram níveis excepcionalmente baixos de contratações e demissões.

Ao mesmo tempo, pessoas desempregadas enfrentavam dificuldades para conseguir outra vaga. Assim, demissões reduzidas transmitiam estabilidade para quem já estava empregado. Em contrapartida, contratações fracas pioravam a situação de quem procurava trabalho.

Caso empresas comecem a cortar funcionários antes de retomar as admissões, os desempregados terão menos opções. Nesse cenário, altas repetidas no desemprego dificultariam a justificativa para outro aumento dos juros. Mesmo sem melhora suficiente da inflação, demissões mais amplas aumentariam os riscos de um novo aperto.

Crédito caro não afeta todos da mesma forma

Algumas autoridades avaliaram que os juros ainda faziam pouco para desacelerar a economia. Por exemplo, hipotecas caras pressionavam famílias de menor renda, enquanto muitas empresas ainda conseguiam crédito. Já o investimento em inteligência artificial permanecia forte.

Ganhos na bolsa também sustentavam os gastos de famílias com maior patrimônio. Por isso, o custo elevado para financiar imóveis não resolve sozinho a decisão do Fed. Economistas chamam de neutra a taxa que não acelera nem desacelera a economia.

Contudo, as autoridades precisam estimar essa taxa neutra, pois não podem observá-la diretamente. Dois integrantes elevaram suas projeções para esse nível. Credores mais cautelosos e gastos menores indicariam que as taxas atuais começaram a funcionar com maior intensidade.

Taxas de mercado também podem subir sem uma nova decisão do Fed. Desse modo, elas precisam efetivamente reduzir empréstimos e consumo para influenciar a política monetária. Se a inflação cair com emprego estável, investidores poderão reforçar as expectativas de crédito mais barato.

Decisão do Fed afeta o apetite por risco

Nesse ambiente, o apetite por Bitcoin e outros ativos voláteis poderia permanecer firme. Já perdas de empregos e maior restrição de crédito poderiam levar investidores a buscar caixa. Portanto, os próximos dados econômicos terão peso relevante na decisão.

Manter os juros não garantiria cortes posteriores nem financiamento barato. O calendário do FOMC marca a próxima reunião para 27 e 28 de outubro. As atas refletem apenas a avaliação feita pelas autoridades em setembro.

Se os preços desacelerarem sem novo aperto, o comitê terá mais motivos para esperar. Por outro lado, novas perdas de empregos tornariam outra alta ainda mais difícil de defender. A decisão final dependerá do equilíbrio entre inflação, atividade econômica e mercado de trabalho.

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