B3 avança na tokenização de ações para 2027

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As grandes bolsas abriram espaço para a tokenização de ações, mas ainda preservam práticas tradicionais do mercado. No entanto, os projetos iniciais mantêm horários definidos e prazos convencionais de liquidação. A B3 planeja lançar ações tokenizadas no início de 2027, seguindo uma trajetória semelhante à adotada em Wall Street.

A bolsa brasileira pretende negociar esses papéis dentro de sua infraestrutura atual. Assim, as operações ocorrerão durante o pregão regular e seguirão as regras vigentes de liquidação. Enquanto isso, B3, Nasdaq e NYSE desenvolvem modelos distintos sob limites regulatórios semelhantes.

Bolsas incorporam ações digitais aos sistemas tradicionais

Em 18 de março de 2026, a SEC aprovou uma mudança de regra para o Nasdaq. A decisão permite negociar ações tokenizadas em um programa piloto da Depository Trust Company, a DTC. Nesse formato, os papéis digitais compartilharão o mesmo livro de ordens das ações convencionais.

As ações tokenizadas também terão a mesma prioridade de execução dos papéis tradicionais. Além disso, deverão garantir aos investidores os mesmos direitos vinculados às ações convencionais. Portanto, a proposta inicial do Nasdaq não criará um mercado separado.

O escopo inicial abrange valores mobiliários que integram o índice Russell 1000. A iniciativa inclui ETFs que acompanham índices como S&P 500 e Nasdaq-100. Contudo, a liquidação continuará em T+1, prazo já adotado pelo mercado norte-americano.

Antes do início das operações, o Nasdaq avisará seus membros com pelo menos 30 dias de antecedência. Dessa maneira, a estreia dependerá de uma comunicação prévia aos participantes. A estrutura preservará a dinâmica operacional existente, apesar da adoção da tecnologia de tokenização.

NYSE busca operações contínuas e liquidação instantânea

Em contraste, a NYSE escolheu uma proposta mais ambiciosa. Em janeiro, sua controladora, a Intercontinental Exchange, anunciou uma plataforma para negociações durante 24 horas, nos sete dias da semana. O projeto também prevê liquidação instantânea, ordens denominadas em dólares e financiamento por stablecoins.

A plataforma combinaria ações tokenizadas fungíveis com papéis tradicionais. Além disso, poderia reunir valores mobiliários emitidos de forma nativa em blockchain. Entretanto, a implementação ainda depende das aprovações regulatórias necessárias.

Sob a presidência de Paul Atkins, a SEC trabalha em uma possível “isenção de inovação” para valores mobiliários registrados em blockchain. Ainda assim, a agência sustenta que esses instrumentos permanecem sujeitos às leis vigentes. Logo, a negociação contínua não elimina as exigências aplicáveis ao mercado de capitais.

B3 prepara stablecoin para integrar o projeto

A B3 seguirá um roteiro próximo ao modelo inicial do Nasdaq. Em anúncio realizado em 8 de outubro, em São Paulo, Humberto Costa detalhou os planos da bolsa brasileira. O executivo dirige as áreas de Produtos de Balcão e Ativos Digitais da instituição.

Nesse primeiro estágio, as ações tokenizadas brasileiras compartilharão o livro de ordens dos papéis tradicionais. As transações ocorrerão durante o horário regular da bolsa. Por sua vez, a liquidação seguirá o prazo D+2, um dia acima do modelo utilizado em Wall Street.

Costa reconheceu que a regulamentação atual já permite tokenizar uma ação. Embora exista essa possibilidade, ele afirmou que “alguns comportamentos e novas liberdades” exigem autorização ou outra estrutura regulatória. Por isso, a B3 ainda depende de definições para ampliar as funcionalidades do projeto.

A bolsa pedirá uma licença ao Banco Central antes de 30 de outubro. Paralelamente, negocia com a Comissão de Valores Mobiliários mudanças para operar continuamente e realizar liquidações instantâneas. Essas autorizações definirão se o modelo poderá avançar além dos limites iniciais.

O diferencial da B3 será a B3RL, stablecoin vinculada ao real. Inicialmente, a representação digital da moeda brasileira ficará fora do processo de liquidação. Depois, a bolsa pretende integrá-la às ações tokenizadas quando houver definições regulatórias.

A integração conectaria as ações digitais ao dinheiro utilizado para liquidar cada operação. Dessa forma, a B3 pretende completar o circuito entre os papéis tokenizados e o pagamento correspondente. Até lá, a bolsa participará desse mercado com os mesmos limites operacionais que ainda condicionam Wall Street.

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