Bitcoin perde apoio dos ETFs, diz Wintermute

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O Bitcoin perdeu parte do apoio vindo dos fluxos para ETFs à vista nos Estados Unidos, enquanto os juros longos do país seguem no radar dos investidores. A avaliação consta em uma atualização de mercado da Wintermute, empresa de negociação e liquidez em criptoativos, publicada em 12 de outubro.

A leitura ganhou força nesta terça-feira, 13 de outubro, depois que Wu Blockchain destacou no X os principais pontos do relatório. Segundo a publicação, o BTC caiu 3,2% e o ETH recuou 7,0% na semana anterior. No mesmo período, os ETFs à vista de Bitcoin tiveram US$ 679 milhões em resgates líquidos, enquanto os produtos de Ether registraram US$ 542 milhões em saídas.

Fluxos em ETFs voltam a pesar no mercado

A Wintermute afirmou que o mercado cripto perdeu suporte de fluxos, enquanto as ações continuam amparadas por expectativas de lucro corporativo. Na visão da mesa OTC da empresa, uma recuperação mais consistente dependeria de dois fatores: estabilização dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo e retorno dos ETFs à vista para entradas líquidas.

Além disso, os dados indicam uma mudança relevante no comportamento institucional de curto prazo. De acordo com a Wintermute, os resgates dos ETFs de Bitcoin foram o maior total semanal desde o fim de junho. No caso do Ether, análise da The Block mostrou que os ETFs de ETH tiveram US$ 542,1 milhões em saídas semanais, o pior resultado desde janeiro.

Esse movimento não prova, por si só, abandono estrutural dos criptoativos. No entanto, ele reduz uma fonte importante de demanda regulada que ajudou a sustentar parte da recuperação recente. Por isso, a leitura da Wintermute separa o cenário cripto do mercado acionário, onde estimativas de lucro ainda ajudam a absorver parte do impacto dos juros mais altos.

Juros dos EUA ampliam a pressão

O pano de fundo macroeconômico também ficou mais restritivo. As atas do FOMC da reunião de 15 e 16 de setembro indicaram que a maioria dos participantes considerava apropriado outro aumento na taxa básica até o fim de 2026. O documento também apontou que a inflação seguia elevada em relação à meta de 2%.

Com isso, o mercado passou a observar com mais atenção a ponta longa da curva de juros dos EUA. A Wintermute citou o rendimento de 5,64% do Treasury de 30 anos, registrado em 30 de setembro, como um nível que poderia tornar sua visão mais cautelosa. O relatório também apontou que falhas repetidas do Bitcoin em superar a região de US$ 82.500 seriam um sinal negativo para a estrutura de curto prazo.

A relação é importante para ativos sem rendimento, como o Bitcoin. Quando os títulos do Tesouro oferecem retornos nominais mais altos, parte do capital exige prêmio maior para permanecer em posições voláteis. Consequentemente, a liquidez disponível para o mercado cripto pode diminuir, sobretudo em altcoins com menor profundidade e menor qualidade percebida.

Ethereum sente pressão adicional

O Ethereum também apareceu no centro da aversão ao risco. Além da queda semanal de 7,0% citada por Wu Blockchain, os ETFs de ETH acumularam uma sequência de resgates. A The Block informou que os fundos de Ether chegaram a nove pregões consecutivos de saídas, com pressão concentrada em produtos de maior porte.

Enquanto isso, o Bitcoin mostrou resiliência relativa. A Wintermute apontou a alta da dominância do BTC, perto de 59,5%, como um dos sinais internos mais claros da semana. Esse comportamento costuma indicar busca por liquidez dentro do próprio setor, já que investidores reduzem exposição a ativos mais arriscados antes de sair completamente do mercado.

A empresa manteve uma visão construtiva para o longo prazo, mas não tratou a recuperação como garantida. Segundo a análise, o mercado ainda precisa ver juros longos menos pressionados e fluxos positivos nos ETFs à vista. Até lá, o Bitcoin segue mais exposto à volatilidade e a quedas quando os dados macroeconômicos reforçam a expectativa de juros elevados.

Assim, o alerta da Wintermute desloca o foco do preço isolado para a qualidade da demanda. Nesta fase, entradas líquidas em ETFs, comportamento dos Treasuries e reação do BTC à faixa de US$ 82.500 devem pesar mais do que repiques pontuais em altcoins.

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