Trezor reduz revendedores após adulteração da Ledger

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A Trezor reduzirá sua rede de revendedores autorizados após relatos de implantes maliciosos em carteiras Ledger. A decisão busca reforçar a segurança da cadeia de suprimentos e proteger os usuários. Embora os relatos citem carteiras Ledger, a Trezor afirma que não encontrou evidências de comprometimento em seus próprios dispositivos.

A partir de 1º de janeiro, a companhia deixará de fornecer produtos a determinados parceiros comerciais. A empresa também removerá esses revendedores de sua lista oficial de distribuidores autorizados. Com isso, a Trezor poderá verificar com mais eficiência as empresas que permanecem em sua rede. Ao mesmo tempo, a fabricante pretende reduzir possíveis riscos durante a distribuição dos dispositivos.

Fabricante reforça controle da cadeia de suprimentos

De acordo com a Trezor, incidentes recentes na cadeia de suprimentos motivaram a revisão da rede de parceiros. A medida permitirá concentrar as verificações em um número menor de revendedores. Ainda assim, a companhia ressaltou que a decisão tem caráter preventivo. Por isso, a mudança não representa uma confirmação de adulteração em produtos da fabricante.

Após incidentes recentes na cadeia de suprimentos, decidimos reduzir o número de revendedores para verificar com mais eficiência aqueles com os quais trabalhamos. Queremos deixar algo muito claro: não há uma única evidência de que dispositivos Trezor tenham sido comprometidos. Esta é uma medida preventiva, adotada para fortalecer nossa abordagem de segurança.

Trezor, no X

 

O diretor comercial Danny Sanders informou a mudança a alguns revendedores. Ele também afirmou que a empresa interromperia os envios para esses parceiros na terça-feira mencionada no aviso. No entanto, a Trezor não revelou quais distribuidores perderão o fornecimento. Dessa forma, ainda não se conhece a abrangência geográfica da redução.

Segundo a empresa, os controles atuais conseguem detectar dispositivos falsificados e alterações no firmware. Esses mecanismos ajudam a identificar determinadas formas de adulteração antes que os produtos cheguem aos compradores. Porém, o episódio envolvendo a Ledger utilizou um implante capaz de ler informações exibidas na tela. Portanto, esse método não exige mudanças no firmware e difere das ameaças identificadas pelos controles existentes.

Implantes teriam capturado frases de recuperação

As carteiras Ledger comprometidas chegaram ao mercado por meio da revendedora CryptoBilis, no Sudeste Asiático. Nesse caso, os implantes teriam capturado frases de recuperação inseridas pelos usuários. Como resultado, os dispositivos poderiam transmitir essas informações por redes celulares. A CryptoBilis suspendeu as vendas de carteiras de hardware após a descoberta.

Enquanto isso, a varejista europeia MediaMarkt retirou produtos Ledger de lojas físicas e plataformas online. A varejista tomou a decisão depois dos relatos sobre a adulteração dos dispositivos. Até agora, o número total de carteiras afetadas permanece indefinido. A Ledger também não confirmou quantos produtos adulterados chegaram aos consumidores.

Investigadores de blockchain estimam que usuários atingidos possam ter perdido entre US$ 72 milhões e US$ 86 milhões. A estimativa ainda não recebeu confirmação da Ledger. Contudo, a empresa também não divulgou o número final de vítimas. Assim, o valor total das perdas financeiras relacionadas ao caso continua incerto.

Diante desse cenário, a Trezor recomenda que os clientes comprem os dispositivos diretamente em seu site. Também orienta os compradores a inspecionar os selos de segurança antes de abrir as embalagens. Desse modo, os usuários podem identificar sinais visíveis de possível adulteração. Ainda assim, a empresa recomenda configurações com múltiplas assinaturas e dispositivos de fabricantes diferentes para evitar o controle dos fundos por um único aparelho.

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