Criptomoedas aparecem em fraude ligada à Coreia do Norte

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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, em 13 de outubro, a prisão de dois americanos acusados de ajudar trabalhadores de TI norte-coreanos. O suposto esquema garantiu empregos remotos em mais de 70 empresas americanas e gerou cerca de US$ 3 milhões. Conforme as autoridades, transferências de criptomoedas integraram a estrutura usada para enviar os ganhos ao exterior.

A denúncia apresentada no Distrito Norte de Ohio cita Michael James Bostelle, da Pensilvânia, e Juan Cecilio Pena Carrillo, do Texas. Os dois respondem por conspiração para fraude eletrônica e postal, lavagem de dinheiro e roubo de identidade. Já Pena também enfrenta uma acusação de roubo de identidade agravado. Apesar das acusações, as autoridades consideram todos os réus inocentes até que um tribunal prove o contrário.

Pagamentos financiaram estrutura internacional

Segundo a nota do Departamento de Justiça, trabalhadores no exterior conseguiam vagas de TI com identidades roubadas ou fabricadas. Para sustentar a fraude, facilitadores nos Estados Unidos forneciam equipamentos, endereços e contas financeiras. Assim, os trabalhadores aparentavam atuar em território americano.

Os empregadores enviavam os laptops corporativos para residências localizadas nos Estados Unidos. Depois, os facilitadores configuravam os equipamentos para permitir o acesso remoto de trabalhadores no exterior. Dessa maneira, os operadores executavam tarefas em computadores mantidos fisicamente em casas americanas.

A acusação afirma que os participantes domésticos também recebiam salários e transferiam os recursos para fora do país. Nesse processo, o esquema comprometeu as identidades de mais de 25 pessoas nos Estados Unidos. Os envolvidos ainda teriam fornecido informações falsas ao Departamento de Segurança Interna e à Receita Federal americana. Também aparecem entre os órgãos afetados os registros da Administração da Seguridade Social.

Prejuízo alegado supera US$ 6 milhões

A operação gerou cerca de US$ 3 milhões em receitas para os trabalhadores, conforme a acusação. Ao mesmo tempo, as empresas afetadas acumularam ao menos US$ 3 milhões em despesas jurídicas, reparos de redes e outros custos. Portanto, o prejuízo total alegado supera US$ 6 milhões.

Os promotores apontam Trey Michael Nolte, morador de Ohio, como co-conspirador citado, mas não acusado nesse processo. De acordo com a denúncia, ele recrutava, treinava e administrava facilitadores nos Estados Unidos, incluindo Bostelle. Em troca, esses participantes recebiam uma parcela dos valores obtidos pelo esquema.

O documento descreve ainda uma conversa ocorrida em 8 de julho de 2024. Na conversa, Nolte teria discutido o uso de planilhas para administrar transferências entre contas bancárias e moedas virtuais. Posteriormente, os participantes enviariam os recursos ao réu Sun Sheng Ming.

Stablecoins aparecem em outro caso federal

Em outro processo, as autoridades obtiveram o perdimento de aproximadamente US$ 212,7 mil em stablecoins associadas aos pagamentos de trabalhadores norte-coreanos. Em 3 de setembro, o juiz distrital Rudolph Contreras determinou a medida sobre fundos de uma carteira iniciada por “0x81c4”. Nesse rastreamento, os promotores localizaram cerca de 158.123 USDC em pelo menos dez endereços de pagamento.

Os investigadores também identificaram outros 54.574 USDT enviados a pelo menos quatro endereços ligados aos trabalhadores. Contudo, a decisão atendeu apenas parte de um pedido que envolvia mais de US$ 7,74 milhões em ativos digitais. Contreras rejeitou o perdimento do restante porque o governo não identificou adequadamente os bens no aviso público. Com isso, os promotores ainda podem apresentar um novo pedido sobre os valores restantes.

O caso mostra como stablecoins e outras criptomoedas podem integrar redes internacionais de movimentação de recursos. No entanto, a decisão sobre o perdimento pertence a um processo distinto das novas prisões. As acusações contra Bostelle e Pena permanecem pendentes de julgamento.

Operação no Texas apreendeu 187 dispositivos

Entre 21 e 25 de setembro, o FBI realizou buscas e outras ações em mais de 40 residências no Texas. Nesses locais, os investigadores procuraram fazendas de laptops conhecidas ou suspeitas. Durante a Operação Lonestar Roundup, as equipes apreenderam cerca de 187 laptops e dispositivos de teclado, vídeo e mouse.

Segundo o anúncio oficial, esses equipamentos permitiam controlar computadores a distância. O Escritório do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Norte do Texas coordenou a operação com o FBI em Dallas. Nesse trabalho, a Divisão Cibernética do FBI e procuradores federais de Ohio também prestaram assistência.

O procurador americano David M. Toepfer classificou as acusações como um alerta urgente para as empresas dos Estados Unidos. Para ele, as companhias precisam reforçar a vigilância durante os processos de contratação. Casos anteriores já resultaram em penas de prisão para facilitadores domésticos.

FBI alerta sobre recrutamento de americanos

Em maio, Matthew Issac Knoot, de Nashville, e Erick Ntekereze Prince, de Nova York, receberam penas de 18 meses de prisão. As sentenças ocorreram em casos separados relacionados a esquemas semelhantes. Juntos, esses esquemas geraram mais de US$ 1,2 milhão para a Coreia do Norte e afetaram quase 70 empresas americanas.

No caso de Knoot, empregadores pagaram mais de US$ 250 mil a trabalhadores ligados à fazenda de laptops. Além disso, as empresas acumularam mais de US$ 500 mil em custos de auditoria e reparos de sistemas. Prince, por sua vez, recebeu ordem para entregar US$ 89 mil pagos a ele por trabalhadores norte-coreanos de TI.

Em um alerta publicado em 13 de outubro, o FBI informou que trabalhadores norte-coreanos recrutam americanos sob pressão financeira. Entre as tarefas estão participar de entrevistas, aparecer em vídeo, validar identidades falsas e manter computadores corporativos conectados em casa. Por outro lado, a agência recomendou que empregadores avaliem conjuntos de sinais suspeitos. A medida evita prejudicar profissionais remotos legítimos e vítimas de roubo de identidade.

Ao mesmo tempo, os operadores passaram a distribuir equipamentos por um número maior de residências. Assim, cada local mantém menos laptops e reduz o impacto de uma eventual descoberta. O FBI relatou ainda que alguns trabalhadores terceirizam atividades para freelancers no Paquistão, Índia, Nigéria e países vizinhos. Embora recebam salários ocidentais, eles pagam aos freelancers apenas uma fração desses valores.

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