Bitcoin: baleias acumulam antes do CPI dos EUA
As baleias de Bitcoin elevaram suas reservas antes da divulgação do relatório de inflação dos Estados Unidos. O movimento ocorreu apesar das retiradas líquidas de US$ 744,3 milhões dos ETFs de Bitcoin à vista do país. Enquanto isso, o Bitcoin era negociado perto de US$ 83 mil, diante da expectativa de inflação mais alta em setembro.
Grandes detentores retomam a acumulação
Um relatório da CryptoQuant, publicado em 13 de outubro, aponta que grandes detentores passaram a controlar 3,03 milhões de BTC. Além disso, a acumulação mensal atingiu o ritmo mais rápido desde fevereiro. A empresa excluiu endereços de exchanges e pools de mineração do cálculo. Nesse recorte, o crescimento das reservas em 30 dias alcançou o maior nível desde 11 de fevereiro.
A variação anual das reservas também voltou a se aproximar do território positivo. Antes disso, o indicador permanecia em contração desde setembro de 2025. Assim, as compras das baleias começam a reverter um período prolongado de distribuição. A CryptoQuant interpreta a mudança como parte de uma recuperação mais ampla do mercado de Bitcoin.
O Bull Score Index da empresa subiu de 20, no fim de julho, para 90 em 26 de setembro. Esse foi o maior nível desde dezembro de 2024. Embora tenha recuado para 80, o indicador continua em uma faixa que a plataforma associa ao início de um mercado de alta.
Empréstimos crescem entre grandes detentores
Ao mesmo tempo, tomadores com empréstimos garantidos por Bitcoin acima de US$ 10 milhões ampliaram em 83,3% o saldo contratado em USDT durante setembro. Dados da CoinRabbit mostram que o avanço reverteu a contração de 9,2% registrada em julho. Também houve crescimento de 33,5% no tamanho médio desses empréstimos. Em contrapartida, participantes menores reduziram sua exposição.

Fonte: dados da CoinRabbit.
Tomadores com créditos abaixo de US$ 100 mil reduziram o endividamento total em 17,2%. Por sua vez, a faixa entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão registrou queda de 47,3%. Dessa forma, os grandes participantes parecem mais confortáveis em obter liquidez usando Bitcoin como garantia.
Esse tipo de empréstimo permite acessar liquidez em dólar sem vender imediatamente os Bitcoins. No entanto, os dados não revelam se os recursos retornaram ao Bitcoin ou seguiram para outros destinos. Ki Young Ju, fundador da CryptoQuant, avaliou no X que a divergência reflete os estágios iniciais de uma recuperação.
Saídas dos ETFs contrastam com movimento das baleias
Dados da Farside Investors mostram retiradas líquidas de US$ 744,3 milhões dos ETFs de Bitcoin à vista entre 5 e 12 de outubro. A maior saída ocorreu em 7 de outubro, quando os fundos perderam US$ 484,9 milhões. No dia seguinte, os produtos registraram mais US$ 244,1 milhões em retiradas. As vendas acompanharam a queda temporária do Bitcoin para menos de US$ 81 mil.
Contudo, os ETFs receberam US$ 175,7 milhões em novos recursos em 13 de outubro. O FBTC, da Fidelity, liderou a recuperação com US$ 103,1 milhões. Logo depois, o IBIT, da BlackRock, recebeu US$ 65,9 milhões. Como resultado, a retirada líquida em sete sessões caiu para US$ 568,6 milhões.
Em uma perspectiva mais longa, os ETFs à vista dos Estados Unidos recuperaram cerca de US$ 1,5 bilhão em entradas líquidas durante 2026. No início de julho, esses produtos acumulavam déficit de US$ 5,1 bilhões no ano. Por outro lado, a Glassnode identificou vendas agressivas em futuros perpétuos, com delta de volume acumulado negativo de US$ 681,8 milhões. Ainda assim, o crescimento mensal da capitalização realizada avançou de 1,1% para 1,2%, conforme o relatório da Glassnode de 12 de outubro.
CPI pode orientar o próximo movimento do Bitcoin
O relatório de CPI de quarta-feira pode alterar as expectativas sobre os juros antes da reunião do Federal Reserve, marcada para 27 e 28 de outubro. Economistas consultados pela Reuters esperam que a inflação cheia suba de 3,4% em agosto para 3,6% em setembro. Já a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, deve avançar de 2,4% para 2,5%.
Uma leitura acima do esperado pode reforçar a perspectiva de política monetária restritiva ou de novo aperto. Nesse cenário, as vendas observadas nos ETFs e no mercado de derivativos poderiam continuar. Em contrapartida, uma inflação mais fraca poderia aliviar a pressão sobre os rendimentos dos Treasuries. Com isso, o Bitcoin teria melhores condições para refletir a nova acumulação das baleias.
A Glassnode identificou interesse comprador relevante entre US$ 81 mil e US$ 81,25 mil. Essa faixa pode funcionar como suporte caso a pressão vendedora aumente. No lado oposto, as ordens de venda se concentram entre US$ 85 mil e US$ 85,5 mil. Há ainda resistência entre US$ 86,5 mil e US$ 86,75 mil, antes da região de US$ 88 mil.
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