Bitcoin cai abaixo de US$ 83 mil após inflação dos EUA
O Bitcoin caiu nesta quarta-feira após os Estados Unidos divulgarem uma inflação ao consumidor acima das expectativas em setembro. Após a divulgação, a maior criptomoeda do mercado perdeu força, pois o indicador ampliou a cautela entre os investidores. O avanço dos preços da gasolina contribuiu para a aceleração da inflação mensal. Com isso, o mercado voltou a avaliar os efeitos dos juros elevados sobre os ativos de risco.
O Bitcoin estava cotado perto de US$ 82.827, com queda de quase 1% em 24 horas. Mais cedo, durante a manhã em Nova York, a cotação chegou a aproximadamente US$ 82.331. No período de sete dias, a criptomoeda acumulava recuo superior a 1%. Assim, o desempenho recente refletia uma redução do apetite por risco no curto prazo.
A queda ocorreu depois de um dos melhores trimestres do Bitcoin em anos. Nesse intervalo, a criptomoeda avançou em agosto e setembro, recuperando parte das perdas anteriores. Por isso, diversos analistas afirmaram que o Bitcoin havia deixado um mercado de baixa. No entanto, a inflação persistente continuou limitando o desempenho da cotação.
Inflação americana aumenta pressão sobre o Bitcoin
Os dados do Índice de Preços ao Consumidor mostraram uma alta mensal de 0,6% em setembro. Na comparação, o indicador havia avançado 0,4% em agosto. O aumento dos custos dos combustíveis teve influência relevante sobre o resultado mais recente. Portanto, a inflação mensal ganhou força diante da elevação dos preços da gasolina.
No período de 12 meses encerrado em setembro, o CPI avançou 3,7%. Um mês antes, a taxa anual havia ficado em 3,4%, de acordo com o Bureau of Labor Statistics. Dessa forma, os números reforçaram a preocupação com uma inflação mais resistente nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, o resultado aumentou as dúvidas sobre a trajetória dos juros americanos.
Os preços também receberam pressão da decisão do governo Trump de atacar o Irã ao lado de Israel neste ano. Nesse contexto, o Federal Reserve sinalizou que poderia manter os juros elevados por mais tempo. Em setembro, o banco central afirmou que reduzir a inflação era sua prioridade e elevou as taxas. Desde então, investidores acompanham cada indicador econômico em busca de sinais sobre os próximos passos da instituição.
Juros mais altos reduzem o apetite por risco
Historicamente, o preço do Bitcoin reage às altas de juros, pois custos maiores de empréstimos restringem a liquidez disponível no mercado. Por isso, períodos de aperto monetário costumam aumentar a pressão sobre investimentos considerados mais arriscados. Essa dinâmica também afeta outros mercados, incluindo as ações. Ainda assim, o Bitcoin avançou em setembro, apesar do discurso mais rígido do Federal Reserve sobre a inflação.
O banco central divulgará sua próxima decisão sobre os juros em 28 de outubro. Enquanto isso, os contratos futuros de fed funds indicavam 47% de chance de uma nova alta na reunião de outubro. A estimativa aparecia na ferramenta FedWatch do CME Group nesta quarta-feira. Porém, essa probabilidade pode mudar conforme o mercado recebe novos dados econômicos.
Agora, investidores acompanham os próximos sinais do Federal Reserve para avaliar as condições de liquidez. A inflação acima das expectativas elevou a cautela nos mercados de criptomoedas e ações. Dessa maneira, novas indicações sobre juros podem influenciar o comportamento do Bitcoin no curto prazo. A cotação, portanto, permanece sensível às perspectivas para a política monetária dos Estados Unidos.
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