Ledger relata ataque com carteiras físicas adulteradas
A Ledger afirmou que um grupo criminoso altamente organizado investiu milhões em um ataque contra usuários de suas carteiras físicas. Segundo a companhia, a operação exigiu infraestrutura própria para coletar, transferir e lavar os recursos roubados. Na quinta-feira, a empresa informou que os invasores instalaram implantes capazes de ler as frases-semente inseridas pelos usuários. Com essas informações, o grupo poderia acessar as carteiras e retirar os fundos das vítimas.
Ledger investiga adulteração na cadeia de distribuição
A empresa sediada em Paris iniciou a investigação na semana anterior, após clientes do Sudeste Asiático relatarem perdas. Esses usuários haviam comprado dispositivos da revendedora malaia CryptoBilis. Depois, técnicos da Ledger confirmaram que um dos aparelhos afetados continha um implante físico não autorizado. Assim, a investigação passou a se concentrar na adulteração ocorrida fora dos canais controlados pela fabricante.
“[O grupo criminoso] construiu sua própria infraestrutura logística e tecnológica, com servidores para coleta de sementes e estruturas de drenagem e lavagem. Eles agiram com paciência, gastaram milhões e atacaram em uma operação coordenada. Então, esvaziaram carteiras.”
Ledger, no X.
O valor total perdido por meio dos dispositivos adulterados ainda não está claro. No entanto, o investigador de blockchain Specter estimou que o grupo drenou US$ 86 milhões. A Ledger não confirmou essa estimativa em sua declaração pública. Também não respondeu às perguntas enviadas por escrito sobre o valor mencionado pelo investigador.
Fabricante descarta comprometimento de seus sistemas
De acordo com a Ledger, o caso não envolveu falhas no chip, no sistema operacional ou nos servidores da empresa. A fabricante também afirmou que seus sistemas internos permaneceram seguros durante a operação criminosa. Portanto, o ataque ocorreu no canal de distribuição, depois que os aparelhos deixaram o controle da companhia. Os criminosos teriam modificado os dispositivos antes de recolocá-los no mercado.
Na maior investigação de sua história, a Ledger enviou funcionários a outros mercados, incluindo a Europa. A equipe buscou verificar se os invasores também haviam atingido outras cadeias de fornecimento. Até agora, os aparelhos examinados não mostraram sinais de adulteração, conforme a empresa. Ainda assim, a companhia mantém a investigação para determinar o alcance do esquema.
Vendas são suspensas no Sudeste Asiático e em Hong Kong
Enquanto isso, revendedores e distribuidores autorizados da Ledger suspenderam as vendas no Sudeste Asiático e em Hong Kong. A companhia também afirmou que trabalha com autoridades policiais para rastrear os fundos retirados das carteiras. Dessa maneira, pretende identificar os responsáveis e desmontar a infraestrutura usada na operação.
“Começamos uma investigação após relatos de clientes do Sudeste Asiático sobre perda de fundos depois de compras na CryptoBilis.”
Ledger, no X.
A declaração não informa quantos clientes sofreram perdas após comprar os dispositivos adulterados. O episódio ocorre enquanto o mercado de criptomoedas ainda reage a outro ataque registrado em julho. Na ocasião, hackers roubaram quase US$ 120 milhões em Bitcoin de usuários da Coldcard.
Além disso, a Ledger enfrentou diversos vazamentos de dados em 2026. Golpistas buscaram informações de clientes por meio da processadora de pagamentos Global-e. Nesse contexto, o novo caso amplia as preocupações sobre a segurança da distribuição de carteiras físicas. O episódio também reforça os riscos relacionados à exposição de dados dos usuários.
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