Bitfinex encerra integração com Pix no Brasil
A Bitfinex encerrou sua integração com o Pix no Brasil. Desde ontem (14), os usuários não podem movimentar reais pela ferramenta conectada à stablecoin USDT. Com isso, a funcionalidade deixou de operar no site e no aplicativo da plataforma. A medida ocorre enquanto as exchanges adaptam suas operações às novas regras do Banco Central.
A corretora comunicou a decisão aos clientes e confirmou o encerramento do SWAPiX. Desenvolvido pela empresa brasileira Smartpay, o serviço conectava operações com USDT ao sistema de pagamentos instantâneos. Por isso, clientes conseguiam converter saldos mantidos na plataforma e realizar pagamentos em reais.
Em mensagem aos usuários, a Bitfinex informou que encerrou a integração em 14 de outubro de 2026. Assim, os clientes perderam o recurso que permitia converter USDT em reais e realizar pagamentos por Pix. Na prática, o serviço dispensava a transferência dos recursos para outra exchange.
Integração com o SWAPiX deixa de funcionar
O serviço funcionava pelo Fast Pay, ferramenta integrada ao aplicativo da Bitfinex. Para usar USDT nas operações, os clientes precisavam concluir os procedimentos de verificação de identidade exigidos pela plataforma. Depois dessa etapa, eles podiam converter os saldos e movimentar reais. Dessa forma, a operação ocorria dentro do ambiente da corretora.
A parceria entre Bitfinex e Smartpay começou a ser desenvolvida em 2021. Em julho de 2023, o acordo ganhou novas funções e passou a permitir saques em reais pelo Pix. Naquele momento, o sistema também incorporou a conversão de USDT. Agora, a corretora retirou essa possibilidade de seus serviços.
A Bitfinex não explicou o motivo do encerramento. Também não informou se oferecerá outra opção para depósitos, saques ou pagamentos em reais. Ainda assim, o comunicado não anunciou o fechamento das operações da companhia no Brasil.
Negociação de criptomoedas continua sem alteração
O comunicado aborda somente a integração com o SWAPiX. Portanto, a empresa não mencionou mudanças nas negociações de Bitcoin, Ethereum ou outras criptomoedas disponíveis na plataforma. Por enquanto, a interrupção do Pix não representa uma saída confirmada da Bitfinex do mercado brasileiro. Nesse contexto, os demais serviços seguem sem alterações anunciadas.
A decisão também não encerra as atividades da Smartpay. Contudo, os clientes da Bitfinex deixam de usar as soluções da empresa por meio dessa integração. Consequentemente, o fim da parceria afeta apenas o acesso oferecido dentro da corretora.
O anúncio ocorreu duas semanas antes do prazo definido pelo Banco Central para o avanço dos pedidos de autorização. À época, várias empresas já ajustavam suas operações às exigências regulatórias. Ainda assim, não há confirmação de que essas regras motivaram o fim da integração. Desse modo, qualquer relação direta entre os fatos permanece sem confirmação.
Regras do Banco Central alteram atuação das exchanges
O Banco Central publicou as regras para prestadoras de serviços de ativos virtuais em novembro de 2025. As normas entraram em vigor em fevereiro de 2026 e estabeleceram um período de transição. Entre as exigências estão capital mínimo, governança, segurança cibernética e controles internos. Para completar, as empresas devem adotar medidas de prevenção à lavagem de dinheiro.
As companhias em atividade precisam apresentar a documentação da primeira fase do pedido de autorização até 30 de outubro. Por sua vez, a Resolução BCB nº 589 estabelece novas restrições a partir de 6 de novembro. Nessa data, instituições financeiras e de pagamento deixarão de viabilizar determinadas operações com empresas não autorizadas. Porém, a regulamentação também prevê exceções específicas.
Diante desse cenário, parte das exchanges reorganiza estruturas ou prepara pedidos de autorização. Algumas empresas buscam parcerias com instituições que já possuem licenças. Outras decidiram encerrar as atividades no país. Foi o caso da Coinext, que considerou inviáveis as alternativas para cumprir o capital mínimo exigido.
Corretoras ajustam serviços ou encerram plataformas
A NovaDAX anunciou em junho que descontinuaria suas atividades no Brasil. Em seguida, a corretora encerrou as negociações em julho. Com isso, iniciou uma retirada gradual dos recursos mantidos pelos clientes. De modo semelhante, a Digitra.com decidiu interromper serviços para investidores de varejo.
A Digitra.com informou que não pediria autorização ao Banco Central diante das novas exigências. Segundo a empresa, a decisão inclui o fim da negociação e da custódia de criptomoedas. Para isso, a plataforma estabeleceu um cronograma de retirada de recursos e conversão dos saldos remanescentes. Ao fim do processo, a companhia encerrará os serviços de custódia.
Mais recentemente, a Bity iniciou o encerramento de sua plataforma de negociação. Como alternativa, a companhia ofereceu a transferência de contas e recursos para o Mercado Bitcoin ou para a Bipa. Antes disso, a empresa parou de receber depósitos em reais em 8 de outubro. Depois, definiu 25 de novembro como prazo final para compras e vendas de criptomoedas.
Enquanto outras empresas encerram serviços, a Binance começou a migrar usuários brasileiros para uma estrutura local. O processo envolve a Sim;paul, instituição adquirida pela exchange e autorizada pelo Banco Central. Com a migração, os clientes passam a usar contas de pagamento para movimentações em reais. Desse modo, o Pix continua disponível na nova estrutura.
Essas medidas mostram respostas distintas à regulamentação, desde ajustes operacionais até o encerramento de plataformas. No caso da Bitfinex, ainda não há informações suficientes sobre sua estratégia para o Brasil. Até agora, a corretora interrompeu somente a integração com a Smartpay. Portanto, a empresa não anunciou a suspensão das negociações nem apresentou um cronograma de saída do país.
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