Bitcoin: EUA se tornam importadores líquidos em 2026
Os Estados Unidos se tornaram importadores líquidos de Bitcoin em 2026, pela primeira vez desde 2022. Ao mesmo tempo, o país ampliou sua presença no ativo e exportou stablecoins atreladas ao dólar para usuários estrangeiros. Os dados indicam compras institucionais de Bitcoin ao longo do ano. Em contrapartida, investidores de varejo venderam o ativo em grande parte.
Divulgado na quarta-feira, o relatório da Chainalysis analisa o crescimento do comércio agêntico na América do Norte. Conforme o documento, a mudança no fluxo de Bitcoin marca o retorno dos Estados Unidos à condição de importador líquido. Com isso, o país passou a concentrar uma parcela maior da atividade global relacionada ao ativo. O estudo também examina o avanço das stablecoins em dólar fora do mercado americano.
Instituições dos Estados Unidos ampliam compras de Bitcoin
“Uma stablecoin em dólar é uma forma de manter dólares sem uma conta bancária americana, e os americanos já têm uma.”
O relatório argumenta que usuários estrangeiros migram para o dólar digital porque ele atende a uma necessidade menos comum entre os americanos. Por outro lado, investidores dos Estados Unidos aumentam sua exposição ao Bitcoin como reserva de valor com oferta limitada. Dessa forma, o documento contrapõe o uso internacional das stablecoins à preferência doméstica pelo Bitcoin. Essa divisão também evidencia funções distintas para os dois instrumentos no mercado.
A participação americana na atividade mundial de Bitcoin avançou em todos os períodos de medição desde o lançamento dos ETFs à vista, em 2024. Enquanto isso, o setor de criptomoedas dos Estados Unidos, avaliado em US$ 2,78 trilhões, recuou 2,2% durante um mercado de baixa severo. Ainda assim, a economia cripto americana preservou a maior parte da expansão registrada em 2025. Naquele ano, o setor quase dobrou de tamanho, de acordo com o relatório.
ETFs de Bitcoin ampliaram o acesso institucional
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos aprovou os ETFs de Bitcoin em janeiro de 2024. Antes disso, o órgão rejeitou esses produtos durante cerca de uma década. Desde então, os fundos registraram a estreia mais bem-sucedida da história do segmento. Portanto, a aprovação contribuiu para o amadurecimento do setor e fortaleceu a posição americana como investidora em Bitcoin.
Grandes instituições de Wall Street, como BlackRock, Fidelity e, mais recentemente, Morgan Stanley, administram esses fundos. Por meio deles, investidores institucionais podem comprar cotas que acompanham o preço do Bitcoin. Na prática, os gestores cuidam das operações necessárias para manter a exposição dos produtos ao ativo. Assim, os ETFs oferecem acesso regulado sem exigir que cada investidor mantenha Bitcoin diretamente.
Stablecoins levam a dívida americana ao exterior
Enquanto o Bitcoin atrai mais capital nos Estados Unidos, as stablecoins ampliam a circulação internacional do dólar. Esses instrumentos transformaram títulos da dívida americana em base para operações ponto a ponto e negócios transfronteiriços. De acordo com o relatório, as stablecoins entraram em novos casos de uso em 2026, sobretudo fora do país. Como resultado, a expansão gerou bilhões de dólares em atividade econômica para empresas e para o governo americano.
“Em 2026, continuamos a ver as stablecoins entrarem em novos casos de uso, especialmente no exterior, beneficiando empresas e o governo dos Estados Unidos com bilhões de dólares em atividade econômica.”
Desde que Donald Trump reassumiu a Presidência, ele assinou leis e ordens executivas favoráveis ao setor de criptomoedas. Em 2025, a Lei GENIUS autorizou bancos e outras entidades a emitir stablecoins. Contudo, os emissores precisam lastrear esses instrumentos com ativos, como títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Eles também devem divulgar mensalmente informações sobre suas reservas.
O cenário descrito pelo relatório revela uma divisão de funções no mercado americano. De um lado, instituições acumulam Bitcoin por meio de estruturas reguladas, como os ETFs de Bitcoin. Do outro, stablecoins lastreadas em dólar ampliam seu uso internacional. Desse modo, elas reforçam a circulação digital da moeda americana em pagamentos e operações transfronteiriças.
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