USDC terá supervisão mais rígida da UE sob o MiCA
A Autoridade Bancária Europeia (EBA) classificou o USDC como o primeiro token de moeda eletrônica significativo da União Europeia sob o MiCA. Com a decisão, a stablecoin da Circle enfrentará regras de supervisão mais rígidas no bloco. As novas exigências entrarão em vigor em 12 de novembro de 2026. A partir dessa data, a EBA acompanhará o capital, as reservas, a liquidez e as garantias de resgate da empresa.
Enquanto isso, a Autoridade de Controle Prudencial e de Resolução da França (ACPR) continuará responsável pela governança e pelas operações da Circle. Nesse arranjo, a autoridade francesa manterá suas atribuições sobre essas áreas. Contudo, a EBA assumirá uma vigilância reforçada dos aspectos financeiros relacionados ao USDC. Dessa forma, a Circle precisará cumprir obrigações adicionais para operar no mercado europeu.
Circle terá requisitos ampliados para as reservas
Segundo a EBA, a Circle deverá manter pelo menos 60% das reservas do USDC em contas bancárias segregadas. Antes da classificação, emissores não significativos precisavam manter ao menos 30% das reservas de suas stablecoins nessas contas. Portanto, o novo enquadramento amplia de maneira relevante as obrigações de conformidade da companhia. A mudança também eleva os parâmetros de proteção aplicados às reservas do USDC.
Ao mesmo tempo, a supervisão reforçada pretende preservar a liquidez e o acesso dos usuários aos resgates. A Circle terá de demonstrar capacidade para cumprir as novas regras sem comprometer essas operações. Caso a empresa atenda aos requisitos, a classificação poderá fortalecer o papel do USDC nos pagamentos regulados na Europa. No entanto, esse resultado dependerá da adaptação da emissora ao novo regime.

Além disso, a relação desenvolvida pela EBA com reguladores do estado de Nova York apoia a supervisão das operações da Circle. Essa cooperação amplia a coordenação entre as autoridades envolvidas. Com isso, os reguladores poderão acompanhar de maneira mais próxima as obrigações financeiras da emissora. A divisão de responsabilidades, porém, manterá a ACPR à frente das questões operacionais e de governança.
CCTP amplia transferências para outros ativos
Paralelamente ao avanço regulatório, a Circle expande os serviços de sua infraestrutura entre blockchains. O Cross Chain Transfer Protocol (CCTP) já movimentou mais de US$ 100 milhões em ativos diferentes do USDC. O volume inclui CirBTC, EURC e WETH. Assim, o protocolo amplia sua utilização para além da stablecoin vinculada ao dólar.
A expansão dos ativos compatíveis começou com a adição do EURC em setembro. Logo depois, a Circle incluiu o CirBTC no fim do mesmo mês, acelerando o processo. Desde então, o CCTP registra crescimento contínuo no uso e na aceitação pelas blockchains de destino. Dessa maneira, a infraestrutura ganha novas aplicações em transferências entre redes.

Stablecoins em euro mantêm participação reduzida
Apesar das iniciativas para ampliar o uso de stablecoins vinculadas ao euro, esses produtos ainda representam uma parcela pequena do mercado. Em outubro de 2026, a participação chegou a apenas 0,25% da oferta combinada de stablecoins em euro e dólar. Desde janeiro de 2024, o percentual oscilou entre 0,15% e 0,27%. Por consequência, os dados indicam dificuldade para atrair demanda em um segmento dominado por produtos lastreados em dólar.
Atualmente, as stablecoins em euro somam US$ 768 milhões. Em contraste, os produtos vinculados ao dólar alcançam US$ 306,5 bilhões. A diferença evidencia a predominância do dólar nesse mercado. Nesse cenário, os emissores europeus ainda precisam ampliar a adoção entre usuários e empresas.

Por outro lado, o consórcio Qivalis, formado por 37 bancos europeus, recebeu uma licença de moeda eletrônica para emitir uma stablecoin em euro. Suas redes de distribuição podem ajudar a alcançar empresas e usuários. Ainda assim, a adoção em diferentes plataformas representará o teste decisivo para o projeto. Isso inclui negociações on-chain, empréstimos e pagamentos.
A classificação do USDC inaugura uma fase de supervisão mais rigorosa para a Circle na União Europeia. Ao mesmo tempo, a empresa amplia o alcance do CCTP para outros produtos digitais. Já as stablecoins em euro permanecem distantes da escala alcançada pelas opções vinculadas ao dólar. A adesão de empresas e usuários definirá o espaço desses produtos nas plataformas digitais.
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