Ibovespa cai 1,74% na semana com tensão eleitoral e fiscal

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O Ibovespa  encerrou a semana de 12 a 16 de outubro em queda de 1,74%, aos 205.430,33 pontos. O resultado interrompeu a sequência de valorização observada no início do mês, em meio à revisão das expectativas eleitorais e à preocupação com os efeitos fiscais de propostas em discussão no país. Na sexta-feira, porém, o índice avançou 0,54%, apoiado pela alta do petróleo e pelo crescimento da atividade econômica brasileira em agosto.

Abaixo está o gráfico com a trajetória diária do índice ao longo do período:

Fonte: Google

Incerteza política pressiona os ativos brasileiros

O mercado acionário começou a semana sob influência das novas pesquisas eleitorais para o segundo turno da disputa presidencial. O levantamento da Quaest divulgado em 14 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto e Luiz Inácio Lula da Silva com 44%, em um cenário de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O resultado reforçou a atenção dos investidores às possíveis mudanças na condução da política econômica a partir de 2027.

A reação dos ativos refletiu a sensibilidade dos investidores às perspectivas fiscais e às propostas econômicas associadas à disputa. Entretanto, as oscilações do mercado não permitem concluir, isoladamente, qual será o resultado eleitoral nem antecipar as decisões de um eventual próximo governo. O que os dados mostram é que a incerteza aumentou a cautela e contribuiu para a redução da exposição a ações mais sensíveis à economia doméstica.

Outro fator relevante foi a aprovação da proposta de emenda à Constituição que encerra a escala de trabalho 6×1. O Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, por 75 votos a um em cada votação, estabelecendo a redução gradual da jornada semanal e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. A mudança trouxe ao debate as possíveis consequências para custos operacionais, preços e rentabilidade de empresas com grande número de funcionários.

O impacto econômico, contudo, tende a variar conforme o setor e a capacidade de adaptação de cada companhia. Empresas intensivas em mão de obra podem precisar reorganizar escalas, contratar funcionários ou rever processos, enquanto outros segmentos podem se beneficiar de mudanças nos hábitos de consumo e no tempo livre dos trabalhadores. Por isso, a avaliação sobre os efeitos da nova regra depende de fatores como produtividade, margens, estrutura de custos e regulamentação.

Juros futuros ampliam a cautela

A combinação de incerteza política e preocupações fiscais também pressionou os contratos de juros futuros. Na quinta-feira, as taxas avançaram nos vencimentos intermediários e longos, com o DI para janeiro de 2028 subindo de 12,70% para 12,885%. No contrato para janeiro de 2029, a taxa passou de 12,435% para 12,635%, enquanto o DI para janeiro de 2031 avançou de 12,495% para 12,685%.

Na avaliação de agentes do mercado citados no material de origem, a curva incorporou prêmios de risco maiores diante das dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e da inflação. O movimento também refletiu uma revisão das expectativas para a política monetária, já que juros futuros mais elevados reduzem a atratividade relativa de empresas dependentes de crédito e financiamento. Assim, varejistas, construtoras e companhias com maior sensibilidade ao custo de capital ficaram expostas a condições menos favoráveis.

As taxas, porém, não avançaram de forma isolada dos acontecimentos externos. Enquanto os juros dos títulos do Tesouro americano recuaram, os contratos brasileiros refletiram preocupações domésticas. Essa diferença evidencia como o cenário fiscal e político local pode influenciar os preços dos ativos, mesmo quando o ambiente internacional oferece algum alívio.

Petróleo sustenta petroleiras e limita perdas

Na bolsa, a queda semanal não atingiu todos os setores da mesma maneira. A valorização do petróleo favoreceu as ações de companhias ligadas à commodity, que ficaram entre os destaques positivos do período. A PRIO acumulou ganho próximo de 9%, enquanto Petrobras avançou 6,57% nas ações preferenciais PETR4 e 5,44% nas ordinárias PETR3.

A alta do petróleo Brent, que superou US$ 109 por barril na sexta-feira, ajudou a sustentar o desempenho das petroleiras. O movimento ocorreu em um ambiente internacional marcado por preocupações com a oferta e por oscilações nos preços das commodities. Ainda assim, a valorização dos papéis não elimina riscos relacionados aos custos operacionais, à produção, aos preços futuros do petróleo e às decisões de cada companhia.

A Telefônica Brasil, conhecida pela marca Vivo, também figurou entre as altas semanais, com avanço de 4,74%. Na direção oposta, empresas mais expostas ao consumo doméstico e ao crédito sofreram com a combinação de juros elevados e incerteza política. O Grupo Pão de Açúcar recuou 18,16%, a Vamos perdeu cerca de 17,4% e a Direcional caiu 14,63%.

O movimento mostrou uma rotação de carteiras durante a semana. Enquanto investidores buscaram exposição a empresas beneficiadas pela alta do petróleo e a alguns segmentos defensivos, ações mais sensíveis à atividade econômica e às condições de financiamento enfrentaram maior pressão. Das 76 ações da carteira teórica do Ibovespa, 61 terminaram a semana em queda.

IBC-Br favorece recuperação na sexta-feira

O pregão de sexta-feira trouxe algum alívio ao mercado brasileiro. O Ibovespa subiu 0,54%, aos 205.430,33 pontos, após a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,3% em agosto na comparação com julho. O indicador, considerado uma prévia do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), apontou crescimento da atividade no período.

A alta do petróleo também contribuiu para o desempenho positivo, especialmente entre as empresas do setor. O avanço diário, no entanto, não foi suficiente para reverter as perdas acumuladas nos pregões anteriores. Dessa forma, o resultado semanal continuou negativo, apesar da recuperação observada no encerramento.

No mercado cambial, o dólar à vista caiu 0,28% na sexta-feira, para R$ 5,0728, mas acumulou valorização próxima de 1,8% na semana. A busca por proteção diante das incertezas domésticas contribuiu para a pressão sobre o real, mesmo com a queda pontual da moeda americana no último pregão.

O balanço da semana mostra um mercado dividido entre fatores de sustentação e fontes de preocupação. A alta do petróleo e o crescimento do IBC-Br favoreceram algumas ações, enquanto a incerteza eleitoral, os juros futuros e as dúvidas sobre os custos das mudanças trabalhistas pressionaram outros segmentos. Para os próximos pregões, a evolução das pesquisas, das expectativas fiscais e dos indicadores econômicos continuará relevante para a formação dos preços dos ativos.

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