Bitcoin testa suporte e grandes carteiras batem recorde
O Bitcoin atravessa uma zona decisiva após recuos importantes nas últimas semanas. A cotação estava perto de US$ 81.060 no momento da análise. Em 24 horas, o preço acumulava queda de 0,6%, além de recuo semanal de 2,4%. Ainda assim, o desempenho mensal permanecia positivo em 0,3%.
Nas últimas semanas, o preço oscilou principalmente de forma lateral, com episódios de alta volatilidade. Dessa forma, a consolidação aumentou as dúvidas sobre o próximo movimento relevante. Além disso, indicadores técnicos e dados do mercado apresentavam sinais mistos. Nesse contexto, dados econômicos e a decisão do Federal Reserve ganharam importância.
Pressão inflacionária aproxima Bitcoin de suportes
O Bitcoin caiu após se aproximar de US$ 84.000, pressionado pela divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos referente a setembro. O sentimento piorou porque a inflação superou as expectativas do mercado. Com isso, aumentaram as preocupações sobre a política monetária do Federal Reserve. A incerteza também afetou outros mercados de risco.
O IPC cheio avançou 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% projetados pelos economistas. Já a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, subiu 0,3% no mês. Esses dados reforçaram os receios sobre a persistência das pressões inflacionárias. Apesar disso, os operadores mantiveram opiniões diferentes sobre novos aumentos dos juros.
Na Polymarket, as cotações apontavam aproximadamente 87% de probabilidade de manutenção das taxas. A próxima reunião do Fed estava prevista para 27 e 28 de outubro. Em seguida, os PMI preliminares poderiam trazer novos sinais sobre a atividade empresarial norte-americana. Portanto, esses indicadores e as expectativas monetárias poderiam influenciar o Bitcoin.
Análise técnica aponta possibilidade de repique
O gráfico diário indicava condições para um repique de curto prazo antes de uma eventual continuação das quedas. Naquele momento, o preço se aproximava de uma área relevante de suporte. No entanto, o MACD apresentava um cruzamento baixista e sinalizava perda de força compradora. Além disso, a estrutura ainda não confirmava uma reversão.
Uma recuperação poderia liquidar posições vendidas e acelerar temporariamente a alta. Em contrapartida, o movimento poderia encontrar resistência dentro de uma estrutura corretiva mais ampla. Por isso, ainda não era possível estimar a extensão de uma eventual reação. Assim, a confirmação dependeria do comportamento do preço nas resistências próximas.

Fonte: MT5.
No gráfico semanal, aparecia a possível formação de um padrão de cabeça e ombros invertido. Essa figura costuma sinalizar reversão altista após sua conclusão e o rompimento da linha de pescoço. Contudo, o Bitcoin ainda precisaria formar o último ombro do padrão. Caso o preço superasse a resistência correspondente, a configuração poderia abrir espaço para uma recuperação mais ampla.

Fonte: MT5.
Resistências, suportes e liquidações
A principal resistência de curto prazo estava em US$ 84.700, região com concentração relevante de liquidações. Nesse ponto, uma recuperação sustentada poderia acelerar a alta. Depois, US$ 87.400, máxima de 21 de setembro, e US$ 89.000 formavam as próximas referências. Assim, o comportamento nessas faixas ajudaria a definir a força de uma reação.
Do lado dos suportes, US$ 80.700 representava o nível imediato e poderia formar um fundo duplo. Essa estrutura, entretanto, ainda exigia confirmação. Já US$ 79.730 marcava a mínima de 15 de outubro. Nesse caso, a perda do patamar enfraqueceria consideravelmente a possibilidade de repique.
A média móvel exponencial de 200 dias estava próxima de US$ 75.000 e seguia como referência para o médio prazo. Enquanto isso, o RSI permanecia perto de 45 pontos. O indicador sugeria impulso fraco e uma leve vantagem dos vendedores. Porém, isoladamente, o RSI não confirmava uma nova etapa de quedas.
O mapa de liquidações também mostrava interesse entre US$ 87.000 e US$ 87.800. Nesse intervalo, uma alta poderia forçar o fechamento de posições vendidas e ampliar a volatilidade. Em níveis inferiores, havia uma concentração relevante perto de US$ 62.000. Ainda assim, essa concentração não significava que o preço necessariamente alcançaria a região.

Fonte: CoinGlass.
ETFs têm saídas e grandes carteiras avançam
Os ETFs de Bitcoin à vista dos Estados Unidos registraram saídas líquidas de aproximadamente US$ 228,4 milhões entre 12 e 16 de outubro. A semana anterior já havia acumulado retiradas de US$ 678,9 milhões. Portanto, a demanda institucional apresentou um comportamento irregular. Os fluxos também indicaram cautela entre investidores no curto prazo.
Na segunda-feira, os fundos tiveram retiradas de US$ 65,4 milhões. Em seguida, receberam US$ 175,7 milhões em 13 de outubro, mas registraram saídas de US$ 261,4 milhões no dia seguinte. Na quinta-feira, houve entradas de US$ 5,1 milhões, seguidas por retiradas de US$ 82,4 milhões na sexta-feira. Com esses movimentos, o saldo semanal permaneceu negativo.
O interesse aberto dos futuros de Bitcoin alcançava aproximadamente US$ 52,55 bilhões em 18 de outubro de 2026. Já a Trnd Tools apontava cerca de US$ 36,01 bilhões em contratos perpétuos. Como as plataformas incluem coberturas e categorias diferentes, os valores não são diretamente equivalentes. No período analisado, as liquidações somaram US$ 14,44 milhões.
As posições compradas responderam por US$ 9,33 milhões em liquidações. Por outro lado, as posições vendidas totalizaram US$ 5,11 milhões. Dessa maneira, os dados refletiram a pressão baixista observada no intervalo. O desequilíbrio também mostrou maior impacto sobre operadores posicionados para a alta.
As carteiras de Bitcoin com 10 a 10.000 BTC atingiram o recorde histórico de 20.338, com forte avanço desde meados de julho, apesar da volatilidade dos preços, segundo dados da Santiment.
Fonte: Cointelegraph no X.
Os endereços que mantêm entre 10 e 10.000 BTC chegaram a 20.338 em 15 de outubro. Desde meados de julho, esse grupo cresceu de forma expressiva apesar das correções do mercado. Contudo, mais endereços não significam necessariamente mais investidores. Uma única entidade pode controlar várias carteiras.
O recorde das grandes carteiras contrasta com as saídas recentes dos ETFs e os sinais técnicos mistos. De um lado, os fluxos institucionais de curto prazo indicam cautela. Por outro lado, parte dos participantes parece manter exposição ao Bitcoin com horizonte mais longo. Assim, o mercado permanece dividido entre a pressão vendedora imediata e o posicionamento persistente.
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