Tether rebate relatório do Senado sobre sanções ao Irã

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O CEO da Tether, Paolo Ardoino, contestou as conclusões do senador Richard Blumenthal sobre sanções ligadas ao Irã. Em publicação de 19 de outubro, o executivo afirmou que a empresa congelou endereços sinalizados quatro semanas antes das designações oficiais, em média, desde 2023. A comparação considerou medidas do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos, o OFAC, e do órgão israelense NBCTF. Além disso, Ardoino disse que a companhia agiu antes da Chainalysis em 99% dos casos informados.

Segundo o executivo, a análise de Blumenthal ignorou o momento em que a Tether adotou suas medidas. A média de quatro semanas considera os congelamentos realizados desde 2023. Já o índice de 99% compara as ações da empresa com a posterior classificação dos endereços pela Chainalysis. Ardoino também atribuiu à atuação da emissora uma queda de 94% no volume de stablecoins associado ao Irã.

“A ‘análise’ do senador Blumenthal sobre o relatório de sanções da Tether ignora que, desde 2023, a Tether congelou, em média, quatro semanas antes da designação oficial de sanções pelo OFAC e pelo NBCTF. Em 99% das vezes, a Tether congelou os endereços relatados antes de a Chainalysis classificá-los.”

Paolo Ardoino, no X.

Contudo, a declaração não detalhou os endereços analisados, o número de observações ou o período usado para medir a redução. A publicação, editada em 19 de outubro, tratou datas de congelamento, classificações analíticas e variações de volume como métricas distintas. Ainda assim, Ardoino não afirmou que a Tether congelou toda a amostra de carteiras examinada pelo Senado.

Empresa defende bloqueios antecipados de endereços

A manifestação ocorreu após o Senado analisar carteiras associadas ao Irã e a organizações regionais sancionadas ou sujeitas a ordens de apreensão. Em 28 de setembro, o gabinete de Blumenthal divulgou um relatório elaborado por assessores democratas do Subcomitê Permanente de Investigações. O documento apontou que 84% de 846 carteiras operaram exclusiva ou quase exclusivamente com USDT. Para o senador, a stablecoin ajudou redes iranianas a movimentar recursos entre países e apoiar atividades relacionadas ao banco central iraniano.

Por sua vez, o gabinete acusou a empresa de não congelar carteiras ilícitas de maneira consistente antes de 2024. Os assessores também afirmaram que a emissora deixou de bloquear endereços que deveriam ter motivado alguma ação. Como exemplo, o relatório citou 39 endereços identificados pelo NBCTF, em junho de 2023, como ligados a um operador financeiro do Hezbollah. A Tether teria bloqueado cinco anteriormente, mas congelado os outros 34 apenas em março de 2024.

De acordo com os investigadores, mais de US$ 34,6 milhões em USDT saíram das carteiras designadas após a divulgação do aviso de apreensão. Entretanto, a nota de rodapé 56 ressalvou que ordens israelenses podem se tornar públicas semanas ou meses depois da assinatura. Por isso, os assessores usaram datas aparentes de publicação quando estavam disponíveis.

Relatório aponta divergências sobre datas

As alegações abrangem casos específicos e as práticas gerais de conformidade da companhia. Nesse contexto, a diferença entre a assinatura e a divulgação de uma ordem pode afetar a comparação dos prazos. A resposta de Ardoino enfatizou justamente as datas internas dos congelamentos. Porém, o relatório do Senado analisou se a Tether agiu de forma consistente diante de endereços associados a redes sancionadas.

Em comunicado de 28 de setembro, a Tether informou quase US$ 550 milhões em congelamentos de USDT ligados ao Irã durante 2026. A empresa declarou que usou informações de autoridades americanas para congelar mais de US$ 344 milhões em dois endereços, em abril. No dia seguinte, o OFAC adicionou essas carteiras à entrada de sanções contra o Banco Central do Irã. Posteriormente, a companhia mencionou uma ação realizada em julho contra mais de US$ 130 milhões mantidos em quatro carteiras.

Senador solicita investigação federal

Blumenthal encaminhou as conclusões ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, e ao vice-procurador-geral Todd Blanche. As cartas solicitam investigações sobre possíveis violações de sanções e da legislação bancária. Também pedem medidas de fiscalização caso as autoridades identifiquem infrações. Entre as normas citadas estão a Lei de Sigilo Bancário e a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.

Apesar dos pedidos, o comunicado não atribui responsabilidade nem anuncia uma investigação já aberta por qualquer órgão. Em um caso separado, uma ação civil federal de confisco mirou US$ 61,2 milhões em USDT distribuídos por dez endereços da rede TRON. Registros judiciais citados indicam que a Tether congelou esses endereços em junho e julho de 2025. Depois, um mandado de 14 de setembro de 2026 autorizou o governo a assumir a custódia dos valores.

A queixa busca transferir a propriedade dos recursos aos Estados Unidos. Enquanto isso, o processo civil ainda examina as alegações dos promotores sobre uma possível ligação com vendas de petróleo iraniano. Portanto, o pedido de confisco não representa uma decisão definitiva sobre as acusações apresentadas.

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