Lido propõe saídas com garantias antes da liquidação

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O Lido Lend, protocolo de empréstimos proposto por colaboradores do Lido, poderá reduzir posições de tomadores antes da liquidação. A medida dependerá das regras finais para incluir empréstimos ainda saudáveis nas retiradas de garantias. Chamado Fallback Exits, o mecanismo cobriria a falta de liquidez do credor com garantias do tomador e reduziria a dívida correspondente.

No exemplo ETH/wstETH apresentado em uma divulgação de 16 de outubro, credores fornecem ETH, enquanto tomadores depositam wstETH como garantia. Nesse modelo, uma saída transferiria ao credor a exposição ao ativo de staking antes da obtenção de ETH. Contudo, os colaboradores ainda não definiram quais tomadores seriam elegíveis. Também permanece incerto se o credor receberia wstETH ou um direito intermediário de resgate.

Os colaboradores apresentaram o projeto em 7 de outubro como um fork modificado do Morpho Blue, com mercados isolados. Além disso, Izzy, colaborador do projeto, afirmou que a equipe divulgaria especificações técnicas e parâmetros dos mercados em até duas semanas. Porém, o lançamento na mainnet ainda dependerá dos processos de governança e de auditorias públicas.

Como funcionariam os Fallback Exits do Lido

O desenho priorizaria tomadores próximos do limite de LTV de liquidação, conhecido pela sigla LLTV. Assim, posições muito mais saudáveis teriam menos chance de fornecer garantias para uma retirada. A proposta admite uma possível redução de posições abaixo do limite de liquidação. Entretanto, as regras finais determinarão quem poderá participar.

A proposta não informa o limite de elegibilidade, a avaliação aplicada, a fórmula de abatimento da dívida, as taxas ou os limites. Além disso, a equipe ainda precisa decidir se o credor receberá a garantia diretamente ou um direito intermediário. Essas definições determinarão quais posições poderão encolher e qual valor servirá para a troca.

Infográfico: fluxo proposto para os Fallback Exits, com exposição do credor à garantia do tomador.

 

Impacto para os tomadores

Para o tomador, a saída da garantia precisa ser analisada junto com a dívida eliminada. Por isso, a mudança patrimonial e qualquer penalidade dependerão da avaliação da garantia e do alívio correspondente na dívida. Ao mesmo tempo, o mecanismo afetaria o controle do tomador sobre o tamanho da posição, mesmo sem comprometer sua solvência.

Se posições abaixo do limite de liquidação forem elegíveis, respeitar o limite do empréstimo evitará a liquidação convencional. No entanto, essa margem não impediria uma redução da posição iniciada pelo credor. Portanto, a regra de elegibilidade será decisiva para os tomadores.

Diferenças em relação às retiradas do Morpho

O contrato principal do Morpho Blue adota uma dinâmica diferente. Sua função de retirada acumula juros, reduz o saldo fornecido pelo credor e verifica a cobertura dos ativos emprestados. Caso a cobertura seja insuficiente, o contrato reverte a transação. Quando há liquidez, o protocolo transfere o ativo do empréstimo.

Esse teste mede a liquidez do mercado, pois a garantia do tomador não participa da retirada. Em contraste, o pagamento da dívida segue outra rota e reduz os saldos devedores ao transferir ativos ao contrato. A liquidação compara a dívida ao valor da garantia indicado pelo oráculo, multiplicado pela LLTV do mercado.

Uma posição dentro desse limite permanece saudável, inclusive quando os valores ficam iguais na verificação do contrato. Dessa maneira, a função rejeita a liquidação, enquanto liquidantes só recebem garantias de posições não saudáveis. Logo, o código central separa a liquidação das necessidades de retirada dos credores.

Realocação de liquidez entre cofres

Os credores do Morpho também podem usar a realocação de liquidez entre cofres participantes. A documentação do Public Allocator V2 descreve esse movimento para reforçar um mercado e permitir uma retirada maior. Ainda assim, a rota depende de configurações, permissões, limites e recursos disponíveis nos cofres.

Uma realocação pode gerar uma penalidade ao solicitante, enquanto a liquidez exibida pode mudar antes da execução. Por isso, o Morpho recomenda combinar a realocação e a retirada em uma transação atômica, após atualizar e simular o plano. Em contrapartida, o Lido propõe que o credor aceite exposição direta à garantia do tomador.

Conversão de wstETH em ETH utilizável

wstETH e ETH representam instrumentos diferentes. A documentação do wrapper explica que o saldo de wstETH permanece fixo, enquanto seu direito sobre stETH muda. Nesse cenário, o detentor recebe stETH ao desfazer o wrapping.

A taxa de conversão do wrapper mede o direito sobre stETH, enquanto o mercado determina quanto ETH um comprador pagaria. Assim, se o acordo entregar wstETH transferível, a venda dependerá do preço executável e dos custos da transação. Na prática, o valor usado para cancelar a dívida poderá divergir do ETH obtido na venda.

Fila de retiradas e prazo de resgate

O credor também pode converter wstETH em stETH e vender o instrumento posteriormente. Alternativamente, a fila de retiradas aceita wstETH, converte o valor em stETH e emite um NFT unstETH. Esse NFT representa o pedido de retirada. Em seguida, um relatório de oráculo precisa finalizar o processo antes do resgate do ETH reservado.

A fila limita cada pedido a 1.000 stETH e avalia solicitações em wstETH pelo valor equivalente em stETH. Valores maiores podem ser divididos em vários pedidos. Contudo, esses limites pertencem ao sistema atual de retiradas de staking. Os colaboradores ainda não especificaram as limitações do mecanismo de empréstimos.

A finalização depende do ETH disponível, do tempo decorrido e das condições da taxa de participação. Enquanto isso, os valores na fila deixam de render recompensas e continuam sujeitos a perdas capazes de reduzir o resgate. Com isso, credores de ETH precisarão avaliar o instrumento recebido, o custo da conversão e o prazo para obter recursos utilizáveis.

Para os tomadores, os pontos decisivos serão a regra de elegibilidade e a parcela da dívida removida em troca da garantia. Sobretudo, os Fallback Exits acrescentariam uma redução simultânea de dívida e garantia para sustentar a retirada de outra parte. Os parâmetros finais definirão o alcance desse risco sobre posições que ainda não atingiram a liquidação.

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