Decisão do Fed define rumo do Bitcoin no quarto trimestre
O Bitcoin encerrou o terceiro trimestre com alta de 42,7%, ao avançar de US$ 58.544 para US$ 83.570. Com isso, a criptomoeda interrompeu uma sequência de três trimestres consecutivos de perdas. Agora, a decisão de juros do Federal Reserve, prevista para 28 de outubro, surge como o principal fator para o quarto trimestre. A Nexo apresentou essa avaliação em um relatório publicado em 21 de outubro de 2026.
A recuperação do terceiro trimestre não começou com um evento específico do mercado cripto. Em vez disso, o movimento refletiu um gatilho macroeconômico vindo dos Estados Unidos. Segundo o relatório, a queda dos rendimentos dos títulos públicos favoreceu os investimentos de maior risco.
Queda nos rendimentos impulsiona o Bitcoin
Em 19 de agosto, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que dobraria as compras de títulos de longo prazo. Como resultado, os rendimentos recuaram, enquanto os investimentos de risco avançaram. Nesse ambiente, o Ethereum subiu 70,9%, enquanto a Solana acumulou ganho aproximado de 60%. Portanto, o movimento alcançou outras grandes criptomoedas além do Bitcoin.

Fonte: Nexo.
ETFs de Bitcoin registram reversão nos fluxos
Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos receberam US$ 2,65 bilhões em entradas líquidas durante setembro. O volume representou o segundo maior total mensal desde outubro de 2025. Além disso, a maior parte da demanda surgiu nas duas últimas semanas do mês. O movimento ganhou força após o Fed elevar os juros em sua reunião de setembro.
Contudo, os fluxos de outubro passaram a registrar saídas líquidas antes da decisão de 28 de outubro. Em 15 de outubro, dados do CME FedWatch indicavam 68% de probabilidade de manutenção dos juros. A ferramenta também apontava 32% de chance de uma nova alta. Enquanto isso, o índice de preços ao consumidor de setembro subiu 3,7% em 12 meses, acima do consenso.
Já a inflação subjacente ficou em 2,6%. Ao mesmo tempo, o rendimento dos títulos do Tesouro com prazo de 30 anos alcançou cerca de 5,6%. Esse nível limitou o apetite dos investidores por risco.

Fonte: Nexo.
Bitcoin fecha abaixo da região de US$ 82 mil
A recuperação do Bitcoin no terceiro trimestre formou um padrão técnico conhecido como fundo duplo. A linha de pescoço da formação ficou próxima de US$ 82 mil. Em geral, um fechamento sustentado acima desse nível indicaria a continuidade da tendência de alta. Entretanto, o último fechamento semanal atingiu US$ 80.900 e manteve o padrão sem confirmação.
Por isso, a região de US$ 82 mil permanece como uma referência importante para o mercado. A parcela da oferta de Bitcoin em lucro avançou de 46% no piso de junho para cerca de 69%. Dessa forma, o indicador mostra a dimensão da valorização registrada durante o terceiro trimestre.
O levantamento também observa que os três últimos ciclos atingiram o fundo entre 513 e 542 dias antes do halving. Aplicado ao halving de abril de 2024, esse intervalo colocaria o fundo do ciclo em um período já encerrado. Assim, o comportamento histórico sugere que essa etapa teria ocorrido antes do evento.
Relatório apresenta três cenários para o trimestre
No cenário construtivo, o Fed manteria os juros, os rendimentos longos se estabilizariam e a demanda institucional por ETFs retornaria. Nesse caso, o Bitcoin poderia superar a linha de US$ 82 mil. Assim, o rompimento confirmaria o padrão técnico observado durante a recuperação.
No cenário de consolidação, apontado como o caminho atual, o Bitcoin permaneceria em uma faixa de negociação. Por outro lado, uma alta de juros ou uma inflação inesperadamente elevada representa o maior risco. Esse quadro poderia estimular uma busca por segurança e devolver parte dos ganhos do terceiro trimestre. Desse modo, a decisão do Fed tende a orientar o próximo movimento do Bitcoin no fim do ano.
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