SEC enfrenta críticas a plano cripto de US$ 75 milhões

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A SEC recebeu reações divergentes à proposta que pode ampliar captações de projetos de criptomoedas sem registro formal. O prazo para comentários sobre a Regulação de Ativos Cripto terminou em 20 de outubro. Assim, bancos comunitários, gestoras e defensores de investidores apresentaram prioridades conflitantes. Nesse contexto, o debate contrapôs o acesso ao mercado à proteção financeira e jurídica.

A proposta, publicada em 21 de agosto, permitiria duas modalidades de captação para projetos qualificados. Em uma delas, os emissores poderiam levantar até US$ 5 milhões ao longo de quatro anos. Na outra, o limite alcançaria US$ 75 milhões por ano. Para isso, os projetos não precisariam registrar ofertas de contratos de investimento sob a Lei de Valores Mobiliários. Entretanto, continuariam sujeitos a exigências de divulgação e às regras federais antifraude.

Além disso, o texto criaria um porto seguro condicional para projetos cujos ativos deixassem de integrar contratos de investimento. Os emissores precisariam concluir ou abandonar permanentemente o trabalho gerencial essencial prometido. Depois, deveriam apresentar à SEC um relatório de transição. O documento informaria ao regulador a mudança na situação do projeto.

Gestoras pressionam por acesso mais amplo a tokens

A gestora Bitwise pediu critérios mais claros para definir quais criptomoedas podem integrar produtos negociados em bolsa, índices e fundos privados. Em carta de 19 de outubro, a empresa afirmou que patrocinadores de fundos enfrentam incerteza relevante. O ponto central envolve determinar quando um token ainda permanece sujeito a um contrato de investimento. Já a falta de clareza pode ampliar o risco jurídico para as gestoras.

Por isso, a Bitwise quer que gestoras possam confiar em relatórios públicos de transição. Essa possibilidade valeria após o período de revisão da SEC terminar sem contestações. Dessa forma, os relatórios ofereceriam uma referência regulatória para decisões de investimento. A empresa também solicitou proteção para decisões tomadas de boa-fé, caso o regulador questione posteriormente a classificação de um emissor.

A Alternative Investment Management Association defendeu que o porto seguro também alcance regras aplicáveis a consultores e fundos. A entidade pediu requisitos de custódia e proteções para revenda mais claros. Com isso, gestores teriam normas consistentes para comprar, manter e vender ativos digitais. A associação considera essa previsibilidade necessária para a atuação dos fundos.

Nasdaq pede exclusão de ações tokenizadas

Enquanto isso, o Hyperliquid Policy Center pediu proteção durante o desenvolvimento dos projetos. O grupo considera inadequado exigir a conclusão ou o abandono do trabalho prometido antes dessa proteção. Também defendeu mais flexibilidade para airdrops e relatórios de transição. Conforme a entidade, divulgações jurídicas detalhadas poderiam expor emissores a processos.

A Nasdaq apoiou o modelo, mas propôs excluir explicitamente ações, títulos e cotas de ETFs tokenizados. Na avaliação da bolsa, versões tokenizadas de valores mobiliários tradicionais devem manter as regras atuais. Isso inclui registros, divulgações e normas de negociação. Caso contrário, plataformas de criptomoedas poderiam obter vantagens regulatórias sobre mercados estabelecidos.

Bancos alertam a SEC sobre fuga de depósitos

Por sua vez, a Independent Community Bankers of America alertou para riscos mais amplos à estabilidade financeira. A associação afirmou que emissões mais fáceis poderiam acelerar a adoção de stablecoins. Como consequência, bancos menores poderiam perder depósitos. Os recursos dos clientes poderiam se concentrar em emissores de stablecoins, exchanges e grandes bancos de reserva.

A entidade afirmou que esse movimento elevaria os custos de financiamento dos bancos comunitários. Consequentemente, essas instituições poderiam reduzir a oferta de empréstimos. A associação citou um cenário anterior no qual incentivos para stablecoins deslocariam até US$ 1,3 trilhão desses bancos. Nesse cenário, a capacidade de crédito cairia cerca de US$ 850 bilhões.

Essas estimativas tratam do possível crescimento das stablecoins, não do efeito direto da proposta da SEC. Ainda assim, a associação pediu uma análise econômica complementar e critérios mais rígidos. O grupo também solicitou monitoramento periódico da migração de depósitos. Por esse motivo, defendeu poderes para suspender isenções caso surjam riscos materiais.

Críticas podem levar proposta aos tribunais

Em contrapartida, a Public Citizen pediu que a SEC abandone a proposta e retome ações de fiscalização contra criptomoedas. O grupo argumentou que as isenções estimulariam captações especulativas. Além do mais, a medida enfraqueceria a proteção dos investidores de varejo. A posição adotou um tom mais adversarial que as manifestações favoráveis a ajustes.

John Reed Stark, ex-dirigente de fiscalização da SEC, e Lee Reiners, pesquisador da Duke University, também pediram a retirada da proposta. Na avaliação dos dois, a agência não possui autoridade legal suficiente para criar as isenções. Portanto, uma regra final semelhante ao texto atual enfrentaria contestação judicial imediata. Essa disputa poderia comprometer a implementação da proposta.

Agora, a SEC precisa decidir se mudará os limites de captação ou reforçará as exigências de divulgação. A agência também poderá encomendar uma nova análise econômica. Se ignorar as objeções legais, a disputa poderá migrar para tribunais federais. Nesse caso, os processos poderiam atrasar as isenções e o caminho regulatório proposto para os projetos.

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