Transações P2P caem no Canadá em meio a menos estudantes

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As transações P2P de criptomoedas recuaram no Canadá após atingirem o maior nível na primavera de 2024. Naquele período, o volume chegou perto de 650 mil operações mensais. Desde então, a atividade oscilou em patamares menores.

Atividade P2P acompanhou permissões de estudo

A Chainalysis analisou transferências domésticas entre pares e permissões de estudo concedidas a pessoas da Índia, China e Filipinas. O levantamento comparou a evolução dos dois indicadores ao longo do tempo. No gráfico, ambos atingiram níveis elevados durante a primavera de 2024.

A série sobre titulares de permissões inclui projeções até 2025. Já os dados de transações P2P avançam até 2026. Assim, a comparação possui períodos e universos específicos.

Desde meados de 2021, os dois indicadores apresentaram movimentos semelhantes de alta e queda. Contudo, a empresa classificou essa relação como associativa, e não causal. O estudo não identifica quais estudantes usaram criptomoedas nem aponta serviços que substituíram as transferências entre pares.

A explicação proposta envolve imigrantes que mantêm vínculos financeiros internacionais. Nesse contexto, parte desse público pode buscar formas mais baratas de transferir recursos. Entretanto, os dados não comprovam que a redução de estudantes causou a queda das operações.

Chegada de estudantes recuou em 2026

Dados de Imigração, Refugiados e Cidadania do Canadá registraram 65.240 novos estudantes entre janeiro e agosto de 2026. O volume ficou 71% abaixo do observado no mesmo período de 2024. A medição considera novas chegadas, não pessoas que já mantinham permissões.

O indicador exclui extensões de permissões e solicitantes de asilo. Além disso, o governo classifica como estudante quem recebeu permissões de estudo e trabalho no mesmo mês. Ao fim de agosto de 2026, o Canadá tinha 602.115 titulares de permissão de estudo.

Em junho de 2024, o total alcançava 1.032.950 pessoas. Portanto, os números indicam uma redução aproximada de 41,7%. Por outro lado, a tabela governamental abrange todas as nacionalidades, enquanto a Chainalysis considera apenas três países.

O Canadá criou um limite anual para permissões de estudo em 2024. Posteriormente, o governo anunciou cortes adicionais para 2025 e 2026. A meta oficial prevê 155 mil novas chegadas de estudantes em 2026.

Stablecoins reduzem custos, mas dependem de liquidação

Pesquisas separadas avaliaram os custos de serviços financiados por stablecoins para remessas internacionais. No terceiro trimestre de 2026, a Borderless.xyz calculou uma mediana de 1%. Em comparação, o Banco Mundial registrou uma média global de 6,36% no terceiro trimestre de 2025.

Em um pagamento de US$ 200, essas taxas representam custos de US$ 2 e US$ 12,72, respectivamente. Contudo, a comparação envolve períodos distintos e confronta uma mediana com uma média. Desse modo, os dados não determinam o preço disponível para um remetente canadense específico.

Rotas de pagamento apresentam resultados diferentes

As taxas de conclusão dos pagamentos da Borderless variaram conforme o destino. A empresa registrou 73% para o sistema SINPE, da Costa Rica, e 98,6% para o SPEI, do México. Esses resultados representam apenas a amostra de pagamentos da companhia.

No segundo trimestre, a pesquisa anterior acompanhou 260 corredores em 108 países e 59 moedas. Na rota entre USDT e real brasileiro, o provedor mais barato mudou 34 vezes durante 88 dias. Por isso, o custo pode variar de maneira relevante conforme a rota e o momento da transferência.

Em entrevista de 24 de agosto, o CEO da Gravity Team, Mārtiņš Beņķītis, apontou a liquidação em moeda local como uma limitação persistente. Segundo ele, empresas usam stablecoins para financiar a conversão e liberar a moeda local ao destinatário. Na prática, cada destino impõe horários bancários, verificações de conformidade, limites e condições próprias de liquidez.

Beņķītis resumiu o desafio: “A conversão local e o pagamento ainda precisam ser concluídos depois que o token chega.” Ainda assim, as stablecoins podem agilizar o financiamento das operações. Cada pagamento, porém, continua dependente da infraestrutura financeira local.

A Gravity Team estima que bancos correspondentes podem manter entre 20% e 40% dos fluxos mensais em contas pré-financiadas. Conforme a empresa, stablecoins podem reduzir esse capital parado quando operadores mantêm saldos locais financiados. Entretanto, sua mesa institucional continua sujeita às condições bancárias de cada mercado atendido.

BPI testa stablecoins para pagamentos internacionais

Nas Filipinas, o BPI testou uma estrutura de liquidação com stablecoins para recebedores de renda do exterior. O público inclui freelancers, assistentes virtuais e outros profissionais. Para isso, o banco trabalhou com a câmara de compensação digital Meridian.

O sistema processa pagamentos internacionais antes de converter os valores em pesos filipinos. Em seguida, o BPI deposita os recursos nas contas dos clientes. O presidente e CEO Jose Teodoro Limcaoco afirmou que o projeto busca acelerar o acesso aos ganhos e reduzir custos com segurança.

O programa inicial abrangeu folhas de pagamento e rendimentos obtidos fora do país. O banco planejava ampliar o atendimento antes da Cúpula da ASEAN, em novembro. Assim, a expansão seguiria em coordenação com o Bangko Sentral ng Pilipinas.

A iniciativa dependeria de salvaguardas regulatórias voltadas à proteção do consumidor. Também exigiria transparência sobre as reservas das stablecoins utilizadas. Dessa forma, o projeto buscaria conciliar eficiência nos pagamentos e cumprimento das regras locais.

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