Solana: bot gera US$ 1,4 bilhão em volume na Raydium

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Uma carteira na Solana gerou US$ 1,4 bilhão em operações suspeitas de wash trading, segundo uma investigação da Bitquery. Esse valor representou quase um quarto do volume nos pools de liquidez concentrada da Raydium. Para sustentar a atividade, a operação usou cerca de US$ 12 mil em capital operacional.

Entre 21 de setembro e 20 de outubro, a carteira respondeu por 22,7% dos US$ 6,17 bilhões negociados nesses pools. A carteira executou 108.871 swaps em 438 pools durante o período. Em muitos casos, os pools continham tokens que imitavam criptomoedas conhecidas. Entre os exemplos estavam XRP, Litecoin, Monero e Lisk.

Volume suspeito se concentra nos pools da Raydium

O sistema comprava tokens e rapidamente os vendia de volta nos mesmos pools. Em seguida, o capital retornava à carteira para alimentar novas rodadas. Com isso, uma pequena quantia gerava um volume reportado muito maior. Por isso, o caso levanta dúvidas sobre a confiabilidade das métricas de negociação e liquidez em exchanges descentralizadas.

Investidores usam essas métricas para avaliar a atividade e a profundidade de um mercado. Além de indicar o interesse por um token, os dados ajudam a estimar o impacto de compras e vendas. No entanto, um volume elevado não representa necessariamente demanda independente.

Fonte: Bitquery.

 

Bot repetia compras e vendas nos mesmos pools

Nesse contexto, uma transação de 20 de outubro ilustra o funcionamento da operação. A carteira trocou 11.102 USDC por tokens de um pool com o ticker LSK. Apenas 22 segundos depois, vendeu esses tokens por 11.100,87 USDC. Assim, a rodada criou cerca de US$ 22,2 mil em volume, com custo de US$ 1,13, sem considerar as taxas de rede.

Ao todo, a investigação identificou 22.685 operações completas desse tipo durante o período analisado. Dessa forma, a repetição das negociações ampliou artificialmente o giro exibido pelos pools. O mecanismo dependia de compras e vendas circulares dentro dos mesmos mercados. Enquanto isso, o capital operacional permanecia próximo do valor utilizado no início de cada rodada.

Liquidez exibida não refletia as reservas em dólar

A apuração também encontrou divergências entre a liquidez exibida por plataformas populares e as reservas disponíveis nos pools. Dez pools ligados à carteira mostravam US$ 5,93 bilhões em liquidez combinada. Entretanto, esses mercados mantinham apenas US$ 10.238 em reservas de USDC. Esse contraste limitava a capacidade real de executar negociações nos valores apresentados.

Um pool com o ticker da Lisk exibia US$ 579 milhões em liquidez, embora mantivesse aproximadamente US$ 19 em USDC. A avaliação considerava quase um bilhão de tokens cotados perto de US$ 0,58 cada. Esse preço se aproximava da cotação de mercado da Lisk legítima. Contudo, a semelhança no ticker e no preço não assegurava reservas suficientes para sustentar vendas relevantes.

A avaliação exibida também não garantia que investidores conseguiriam liquidar posições sem provocar forte impacto no preço. Sobretudo em pools de liquidez concentrada, a execução depende dos recursos disponíveis em cada faixa de preço. Arranjos semelhantes envolviam tokens com tickers associados a Monero, XRP, Ethereum e outras criptomoedas estabelecidas.

Pools suspeitos ganhavam espaço nas buscas

Os pools apareciam com destaque nas buscas e podiam expor investidores a ativos com nomes semelhantes aos de projetos conhecidos. Em um exemplo, sete dos dez principais resultados para XMR estavam ligados ao grupo suspeito. Assim, os rankings podiam destacar mercados sem demanda externa relevante.

A investigação também identificou 12 carteiras auxiliares suspeitas. Além disso, essas carteiras realizaram cerca de 1,25 milhão de swaps em milhares de pools. A análise conectou o grupo por meio de pools compartilhados, fontes de financiamento e transferências diretas.

Na semana anterior ao levantamento, somente quatro carteiras externas ao grupo negociaram nesses pools. Apesar do volume informado, essas carteiras movimentaram juntas aproximadamente US$ 27. A investigação não identificou o operador responsável nem comprovou perdas financeiras de investidores.

Porém, as conclusões não apontam envolvimento da Raydium ou das plataformas que exibiam os pools. Ainda assim, o caso evidencia os riscos de rankings que não diferenciam mercados independentes de negociações coordenadas. Dessa forma, indicadores de volume, liquidez e buscas podem apresentar estatísticas potencialmente enganosas. Participantes externos podem usar esses números ao avaliar mercados e tomar decisões.

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