PF mira pirâmide de criptomoedas com retorno de 70%
A Polícia Federal deflagrou, na quinta-feira (22), uma operação contra um suposto esquema de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas. Segundo a investigação, o grupo teria prejudicado mais de 10 mil investidores no Brasil e no exterior. Além disso, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 100 milhões em bens e valores dos suspeitos.
Os investigados ofereciam aplicações em ativos digitais e operações conduzidas por robôs de investimento. Também prometiam ganhos que poderiam alcançar 70% ao mês. Conforme a PF, esses percentuais não são compatíveis com a realidade do mercado financeiro.
Esquema prometia retornos irreais a investidores
Batizada de Operação São Silvestre, a ação cumpre 12 mandados de busca e apreensão em cinco estados. Os suspeitos teriam captado recursos entre 2018 e 2020 por meio de plataformas digitais. Dessa forma, apresentavam aplicações com características de pirâmide financeira a potenciais clientes.
De acordo com a Polícia Federal, as promessas variavam entre 2% e 3% ao dia. Em períodos mensais, os rendimentos anunciados ficavam entre 10% e 70%. Por exemplo, R$ 10 mil renderiam R$ 7 mil em um mês na taxa máxima divulgada.
Em comparação, aplicações tradicionais de renda fixa costumam entregar retornos muito menores em prazos curtos. Os investigadores afirmam que os ganhos elevados serviam para atrair novos investidores. As plataformas divulgavam supostas oportunidades com ativos digitais e robôs de negociação automatizada.
Robôs de investimento não eliminam riscos
Robôs de investimento executam ordens automáticas de compra e venda de instrumentos financeiros. Embora existam ferramentas legítimas com essa função, elas não garantem lucro nem eliminam o risco de perdas. No caso investigado, a PF suspeita que a promessa de rentabilidade recorrente sustentava uma captação fraudulenta.
As autoridades estimam que mais de 10 mil pessoas tenham sofrido prejuízos. As vítimas vivem em diferentes estados brasileiros e também fora do país. No entanto, a PF não informou o valor total efetivamente perdido pelos investidores.
Operação alcança cinco estados e dez municípios
A PF cumpre os mandados em cidades de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Em Santa Catarina, a operação ocorre em Florianópolis, Blumenau, Pomerode, Indaial e Rio do Sul. Também há ações em Curitiba, Álvares Machado, Belo Horizonte, Recife e Jaboatão dos Guararapes. Ao todo, a operação alcança dez municípios.
O 3º Juízo da Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina expediu as ordens. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e valores de 15 pessoas físicas e 13 empresas. Assim, o limite da medida patrimonial chega a R$ 100 milhões.
O bloqueio busca impedir movimentações ou transferências patrimoniais durante a apuração. Com isso, os recursos poderão ajudar a reparar eventuais prejuízos das vítimas. Contudo, a decisão não indica que todo o montante tenha sido localizado ou recuperado.
PF apura cinco tipos de crimes
A PF indiciou os envolvidos por associação criminosa, estelionato e lavagem de dinheiro. Além disso, eles respondem por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e contra o mercado de capitais. O indiciamento representa uma etapa da investigação e não equivale a uma condenação.
A responsabilização criminal dependerá das próximas fases do processo judicial. Enquanto isso, a operação busca identificar os responsáveis pelas plataformas e esclarecer o destino dos valores. A investigação também pretende reunir provas e receber informações de investidores que possam ter sofrido prejuízos.
Até agora, a corporação não divulgou os nomes das empresas investigadas. Da mesma forma, o comunicado oficial não informou se ocorreram prisões durante a operação. O caso surge em meio à maior atenção das autoridades sobre plataformas que oferecem investimentos em criptomoedas.
Bitcoin e outros ativos digitais são negociados regularmente, mas criminosos exploram a popularidade dessas tecnologias em fraudes. Por outro lado, robôs legítimos não oferecem garantia de rentabilidade nem proteção total contra perdas. Portanto, promessas de ganhos elevados e garantidos exigem atenção, sobretudo quando novos aportes podem financiar pagamentos a participantes antigos.
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